domingo, 27 de dezembro de 2009

Conventos e outras fugas

Intrigante o artigo da última edição de fim-de-semana do jornal i sobre o Mosteiro das Irmãs Clarissas, em Portugal. Uma jornalista foi aceite no mundo de silêncio e reclusão destas religiosas, e uma das (certamente pouco numerosas) frases da Abadessa entrevistada ficou-me na cabeça. Que lá dentro, entre as solitárias tarefas da horta e as orações, podem «interceder» por muito mais pessoas do que se fossem missionárias em África, por exemplo. E que passando a vida ali fechadas, isoladas do mundo, têm muito mais liberdade do que os cidadãos comuns, «escravos» do trabalho e do dinheiro. Ou seja, resumindo de forma tosca, são mais livres, felizes e úteis do que nós.

Sem qualquer desrespeito para com a sua escolha e vocação, dou de barato a parte da liberdade e da felicidade, conceitos já de si bem subjectivos. Mas a utilidade? Que seria deste mundo se nos enfiássemos todos numas guaritas a rezar uns pelos outros? Sobraria gente precisada de intermediação divina? E será que as senhoras não ficam desconsoladas quanto as suas preces não são atendidas? Acho que esta reportagem merecia uma sequela.

Facebook didn't kill the blogger «star»

Sei que há muito, demasiado, tempo não escrevo nada no Sofá. E que a culpa nem tem sido da vida, coitada, que até me deu viagens e outros brindes como inspiração. A culpa é da falta de vagar, do feicebuque, do frio - mas nunca vossa, ou minha. E por isso mesmo o Sofá, relativamente firme e hirto desde 2003 (!), não encerrará para obras neste Inverno de rigor disparatado.

O Boa Noite e um Queijo, por exemplo, continua a levar a água ao seu moinho: o mesmo é dizer que a passar música para amigos e aficionados, na mais pura e abnegada partilha de que a Ana e eu somos capazes. Já o meu leitor de MP3 se tem surpreendido com algumas das músicas mais rodadas neste final de ano. Não consigo negar que gosto muito desta canção da Norah Jones, por exemplo. E da letra. E nem vale a pena puxar pelo mini-trunfo indie da colaboração do Ryan Adams: afinal, o homem não faz um álbum de, erm, homem há uma eternidade, e mesmo nesta música, segundo a própria Norah, limitou-se a dar um toquezinho. Cá fica a prova da minha entrada na terceira idade, então: «Even Though», uma das minhas músicas favoritas de 2009 (e não haverá um cheirinho de Rilo Kiley aqui?).




«Don't understand the words he said made me do wrong
But now there is nothing else in my head
And though it's strong, I wish he'd leave me - alone
I wish he'd leave me»

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Mark, adoro-te!

Um dos melhores escritores de canções da sua geração e muito possivelmente a minha voz favorita de sempre. Com estes atributos, escusava de continuar a fazer pela vida, mas ei-lo aqui em todo o seu esplendor, a cantar uma música nova como devia ser quase sempre: acompanhamento mínimo, emoção máxima, devoção incondicional.

Ou como diria o André: «Quero ouvir os discos deste homem quando for velho, decadente e alcoólico - não necessariamente por esta ordem». É isso mesmo.

Mark Eitzel canta música nova - «Blood On My Hands» - ao vivo na Bélgica.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Velhos à pancada

O autocarro ia cheio, mesmo depois de boa parte dos seus fregueses terem saído na zona das faculdades (o início do ano lectivo traz sempre menos conforto a bordo do 729). Na Calçada da Ajuda, um velho entra no autocarro completamente colérico. Grita que «é uma vergonha!» estar, alegadamente, «há uma hora» à espera desta carreira, quando no sentido contrário já passaram três autocarros. Agigante-se perante o motorista: «Vocês fazem o que querem, a verdade é essa!». Cheio de medo ou de sensatez, não sei bem, o motorista nem lhe responde nem olha directamente para o utente tresloucado. «Palhaço!», grita este repetidas vezes, antes de se sentar num daqueles lugares de quatro pessoas, frente a uma velhota.

Indignada com o linguarajar do maluquinho, a velha não hesita em interpelá-lo. «Você está a insultar o homem para quê? Palhaço é você!». O homem levanta-se, irado, e pergunta-lhe o que é que ela tem a ver com o assunto. «Eu meti-me consigo?!». Ela levanta-se num ápice e, protegendo a cara com a mala branca, atira, já de pé: «Vá lá deitar os seus perdigotos para o raio que o parta!». Nisto, foge para as últimas filas do autocarro, continuando a insultar o homem a partir de lá. «Se não fosse uma mulher já tinha levado duas bofetadas na tromba!», vocifera o nosso herói. «Filho da puta»!, defende-se ela.

Para ajudar à festa, o autocarro tem de fazer um desvio em Belém. «Deixe-me sair aqui, deixe-me sair aqui!!», protesta, previsivelmente, o velho. «Eu não vou agora lá para cima! Não vou para o Inferno!», grita, antes de inesperadamente deixar escapar um isolado «Ainda...». E foi a última palavra que o resto do autocarro, aflito com a vontade de rir, lhe ouviu.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Elvis Perkins, o Grande

Tão bom como ouvir, deslindar e voltar a ouvir, ouvir, ouvir o disco (Elvis Perkins In Dearland, nunca é demais repetir), é ter o privilégio de falar com o seu autor e nele descobrir um rapaz disponível para a conversa e o pensamento. Há-de ser das coisas mais gratificantes deste ofício: perceber que do outro lado da linha, ou da mesa, está alguém cuja sensibilidade, equivalente ou não à nossa, está ao alcance da nossa intuição. E as palavras fluem.

Entrevista com o Elvis Perkins para ler aqui. Muito agradecida ao André Gomes e ao site bodyspace pela oportunidade.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Amália Nunca Mais

Ouvi hoje pela primeira vez o disco dos Hoje (só conhecia o single Gaivota). Fez-me lembrar duas coisas: aqueles paninhos de renda que algumas pessoas colocam por cima dos televisores. E os perfumes das lojas dos chineses que cheiram a insecticida.

Boa Noite e um Queijo

A ausência só durou uma semana, mas soube a mais. Como tal, o regresso foi duplamente prazeroso. Para ouvir aqui - como sempre, musiquita boa e conversa tola, ou vice-versa, conforme os apetites.

A ouvinte lorpa

«80% das mulheres são muito porcas». De esfregona em pulso e semblante determinado, a senhora da limpeza não me deixou sair da casa de banho do trabalho sem me apresentar esta estatística e tentar prová-la o melhor que soube. «Se você for no banheiro dos homens não vê destas coisas», garantiu ela - isto depois de eu ter evitado aliviar-me num cubículo especialmente sujito. Fiquei a saber que, no banheiro dos homens, a coisa só abadalhoca quando o urinol está entupido.

Uma semana antes, em Genebra, a senhora do balcão da TAP aproxima-se do seu posto de trabalho com uma certa delonga swingante. Traz um cafézinho na mão, o que de imediato me esclarece quanto à sua nacionalidade, e começa por antecipar-se às queixas dos clientes - às nove da manhã, apenas eu e um senhor que perdera o voo da Easyjet - criticando ela própria os pilotos e os quadros superiores da empresa, que se podem dar ao luxo de fazer greve.

Isto soa que nem ginjas ao meu companheiro de infortúnio: comunista, ateu e desolado com a morte do avô, um senhor de 102 anos com quem viveu 36. De imediato se entabula um animado diálogo entre ele e a senhora do cafézinho, mas é a mim que, nas seis horas que se seguem, ele contará a história da sua vida. «Vou pô-lo no mesmo voo que esta menina, que assim não fica sozinho», diz lampeira a nossa amiga.

Pela mão do meu amigo emigrante, e graças à longa espera que tinha pela frente, fiquei a conhecer Genebra, é certo. Mas também tudo o que o senhor pensava sobre política, economia, religião, sistema fiscal, os outros emigrantes, brasileiros, brasileiras, ingleses, relógios de luxo, canetas Montblanc, preço dos chocolates, animais de estimação a bordo de aviões ou exercício físico. Mesmo que me perguntem quanto é que os suíços pagam por ano de portagens saberei responder-vos.

Como recompensa pela minha solidariedade e empatia («Desculpe falar tanto mas ajuda-me a esquecer a mágoa», dizia o homem entre ameaças de ataques de choro), quando cheguei a Lisboa, 12 horas depois de sair de Düssseldorf, a TAP perdera a minha mala.
Peito, braço e dedos das mãos - estas são, oficialmente, as minhas melhores partes. Disse-me esta madrugada uma melga consolada, depois de um banquete pelas quatro da manhã. Morreria minutos mais tarde, é verdade, mas de barriga cheia e com a missão cumprida. Não é para todos.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Um ano e pico

Eu nem gosto muito de ver música ao vivo no YouTube, nem de recorrer ao dito para recordar os concertos em que fui feliz. A sério. Mas de quando em vez lá ponho o pé em galho verde - desta vez, desaguando na conclusão em forma de interrogação que se segue: mas para que é que eu continuei a ver concertos depois deste? Uma palavra: Guimarães.

domingo, 27 de setembro de 2009

Fim de festa

O regresso regressadinho é só depois de amanhã, mas neste final de tarde mais estival do que outonal, sinto já a sombra da nuvem que anuncia o fim das férias. Bom sinal, acredito: de que descansei e até temo, quando regressar à minha cadeira de escritório à janela plantada, ter esquecido passwords, procedimentos e neuras associadas.

Para trás ficam duas semanas de passeatas, muita música (mais recordada do que posta em dia, coração oblige), amigos quase sempre por perto e aquela sensação estranha de que a Europa é outra coisa qualquer que não nós.

O conforto é grande quando à volta as ruas são limpas, os transportes ordeiros, a calma reinante e o civismo uma regra, ao invés de excepção. Mas não demora muito até percebermos que a nossa Europa, se é que o termo também se lhe aplica, é de uma ordem distinta, necessariamente mais caótica, mais quente (não falo do tempo, que graças a São Pedro esteve sempre do meu lado), e não necessariamente inferior. O facto de a toda a hora pensarem que sou espanhola também não ajudou a combater este sentimento de vaga alienação por terras pouco estranhas.

Não percais, dentro de dias, algumas fotos da minha expedição pela Europa Central (ou, como lhe chama o Miguel, a Europa «dos bárbaros») e, se o vento soprar de feição, o regresso do Boa Noite e um Queijo, já esta Terça-feira.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Fogo

Nada como um incêndio para animar a rua em noite de primeiro debate eleitoral na televisão.

É certo que, quando a varanda do prédio da Mary se começou a esfarelar, também houve alguma comoção (e uns três polícias parados a olhar para a dita, durante cerca de uma hora), mas nada que se compare com o verdadeiro circo de ontem à noite.

Polícia, uma ambulância e dois carros dos bombeiros levaram até aos Arneiros uma multidão não só de gente, como de animais (os cães que as pessoas passeavam quando se depararam com o «acontecimento»; um dos gatos do primeiro andar que, no parapeito da janela, se mostrava verdadeiramente curioso com a movimentação na rua).

Da janela da cozinha, pude ver não só a multidão a dispersar (já cheguei em fim de «festa») como a chegada dos donos da casa: um casal novito, de mota, a quem umas senhoras mais velhas (da família, vizinhas?) deram a má notícia. «Foi um incêndio, tem calma», começou uma delas por comunicar. A moça levou as mãos à cabeça e o moço, esbaforido, deixou a mota de qualquer maneira para subir as escadas a correr e verificar os estragos no seu primeiro andar.

Só daquele lado do nosso prédio o debate Sócrates - Portas perdeu três espectadoras para o incêndio: eu, a Anne Martens e a vizinha de baixo, a quem fui eu a fornecer as novidades sobre o fogo. Não costumo cruzar-me com ela, mas pareceu-me bem simpática: antes de voltar para dentro, despediu-se com um enfático «boa noite!». Regressaria ao posto de observação para assistir à entrada em cena do infeliz casal do prédio em frente.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Zuca



Zuca: ?? - 2009

A quantidade de gente a quem, na noite passada, senti necessidade de enviar a notícia da morte de Zuca Maria diz bem do carisma desta gata de armas, que ontem à tarde se deixou partir, nos braços da minha mãe.

Amantes ou não de animais, poucos minutos na companhia daquele (nos seus bons tempos) monte de banha coberto de pêlo fofinho bastavam para uma paixão duradoira (a Leonor, que a deliciou com pancaditas amorosas, que o diga).

Não sei que idade tinha a Zuca - chegou à nossa casa depois de muitos anos a saltitar de pátio em pátio, de quintal em quintal, numa sucessão de relações funcionais de «bed and breakfast». Antes disso, supomos nós pelo facto de ela já ser castrada quando a conhecemos, terá tido um lar e uns donos. Não sabemos se se perdeu, se foi abandonada. Mas há alguns anos aterrou à nossa porta, onde encontrou uma tacinha de comida e uma caixa. Depois de ser atropelada, ficou a recuperar na marquise e, a partir daí, nunca mais deixou de pertencer à mobília da casa.

Não sei se sou eu que me afeiçoo demasiado aos bichinhos, mas parecem-me todos tão únicos, cada um no seu jeito, que a ideia de substituir um cão ou gato me parece absurda.

Imperial, altiva, independente e, ao mesmo tempo, profundamente carinhosa e acessível, a Zuca aprendeu a lidar com a hostilidade do Caramelo (também já desaparecido, faz agora um ano) e com o medo do Kit (resistente, apesar de tudo). Percebeu que o coração da minha mãe pertencia a este último e logo encontrou a atenção - e o roupão de Inverno - do meu pai. Na véspera de morrer, ainda esteve ao seu colo, o que me faz feliz, por saber que, até ao fim, fez aquilo de que mais gostava.

A tristeza pela morte da Zuca tem um «mas»: ela viveu muitos anos (quantos ao certo, nunca saberemos), e boa parte deles numa família que não só a acarinhou, como nunca esquecerá a baba que lhe caía, sem vergonha, pelas falhas dos dentes, quando lhe fazíamos festinhas. Ou a noite de Natal, no ano passado, em que saltou para a cadeira da minha mãe, sentando-se à mesa como gente grande (algo que, na sua cabeça confiante, nunca deixou de ser).

A Zuquinha morreu, viva a Zuquinha.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

E afinal...

... o Elvis Perkins não sabe bem sobre o que é a fantástica «I Heard Your Voice In Dresden». Sempre deu para uma (boa) conversa sobre subconsciente e música, porém. Para ler em breve, num espaço perto de si.

Vozes amigas

Quem também regressa este Outono para me fazer companhia é o Lou Barlow. Acabo de ouvir pela primeira vez o novo Goodnight Unknown e já sei que a música que vou ouvir todos os dias até ao Natal é a número 3; chama-se «Too Much Freedom» e é alta chonice (Mary, tenho de te pôr isto numa pen).

Eitzel

Ele não me liga (isto é, não me aceita o pedido de amizade no feicebuque), mas ao menos descobri que tem um blogue onde despeja desabafos e poemas - como castigo pelo seu desprezo virtual, aqui fica o linque do blogue do Mark Eitzel. Para o Outono, de presente, eu quero que seja um novo disco a solo do homem, daqueles muito muito bons (ou seja, triste comá noite). E não estou a sonhar: de acordo com a Uncut, há mesmo álbum novo a caminho, e em Inglaterra isso já significa uma data de concertos em nome próprio, a partir de Outubro...




(foto de Luís Bento, tirada no Alquimista há uns anitos. Aqui está demasiado pequena para se perceber, mas gosto muito desta imagem.)

Ainda a Amy Winehouse

Prefiro esquecer/ignorar que a mulher chegou ao ponto mais baixo da decadência humana (andar aos beijos com o Pete Doherty) e insistir que, quando ainda se tinha em pé, ela escrevia umas belas letras. Esta é a melhor música triste alegre que conheço.

«I knew I hadn't met my match but every moment we could snatch
I don't know why I got so attached
It's my responsibility and you don't owe nothing to me
But to walk away I have no capacity»

(Gosto especialmente da forma como ela soletra esta última frase, a drogadita - e com este entendido parecer cheguei às 700 mensagens neste blogue - iupi!...)

Boa Noite e um Queijo

A diferença entre uma pessoa mais ou menos e uma pessoa que não existe é que, perante a ameaça pouco velada de umas quantas - letais - melgas, ambas tentam esmagar os insectos... mas enquanto a primeira profere impropérios com quatro letras, depreciativos face à conduta íntima do bicho voador, a segunda exclama: «DESCULPA QUERIDA!». E quando aparece uma melga mais pequenita, surpreende-se: «É a filha!»....

Foi assim o Boa Noite e um Queijo de ontem: demasiado atribulado, pois quando chegámos tínhamos o estúdio a modos que desmontado, mas, à nossa modesta maneira, cheio de boas intenções (e bastante música nova). Escutai-o aqui.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Quando for preciso mandar abaixo mais arribas

Três semanas depois, começo a acreditar que estive mesmo no concerto dos Faith No More no Sudoeste (o melhor da minha vida? É bem capaz, é bem capaz). Coisas em que ainda não m'acredito, como diria a minha irmã quando era miúda: como é que sobrevivi (este coração não é de ferro) e como é que a dupla Land of Sunshine + Caffeine não mandou uma qualquer formação rochosa abaixo. A sério: como diria o JML, a música (neste caso, do Angel Dust) continua a mover-se, em 2009, «com a precisão de um tanque chinês» (estou a citar de cor, espero que com rigor). É assustador, e emocionante.

fight to get it back again

Neste Outono que, para mim, começa sensivelmente com o fim do Sudoeste, poucas canções me entusiasmam mais que o singlezito novo dos Pearl Jam. O que não deixa de ser estranho, dado que, apesar de ter privado de perto - e de forma genuinamente feliz - com verdadeiros fanáticos da causa, nunca fui propriamente uma devota de Eddie Vedder e amiguinhos. Diria mesmo que a mensagem de optimismo da letra - pelos vistos, escrita sobre alguém que arranja sempre maneira de melhorar as coisas para os outros - me emociona um pouquinho. Não cheguei ainda ao ponto de chorar com o Matrix, mas para lá caminho.


segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Macaquitos

Há-de estar a rapaziada nova toda aos saltos e eu com o bloquinho de notas a apreciar as letras do moço Turner: um mimo, a prosa deste rapaz:

«I thought I saw you in the parrots beak
Messing with the smoke alarm
It was too loud for me to hear her speak
And she had a broken arm
It was close, so close that the walls were wet
And she wrote it out in letraset
No you can't call me her name

Tell me where's your hiding place
I'm worried i'll forget your face
And i've asked everyone
And i'm beginning to think i imagined you all along»

(a cantiga chama-se «Cornerstone» e é do novo Humbug. Passámos na semana passada, no Boa Noite e um Queijo)

sábado, 22 de agosto de 2009

A Amy Winehouse e as camionetas da Vimeca

Foi ao entrar numa camioneta da Vimeca, há coisa de dois anos, que pela primeira vez percebi que a música que tocava no rádio da viatura - e que, com algum exagero, podia ter saído de qualquer uma das quatro décadas anteriores à nossa - ia ser mais do que um hit sazonal.

Agora que a «Rehab» ultrapassou o estatuto de simples canção para se tornar outra coisa qualquer (conseguindo ainda assim não aparecer na lista das 500 canções da década para a pitchfork), e que a Amy Winehouse se tornou numa anedota, num saco de pancada e, em última instância, num ícone, voltei a pensar nela a bordo de uma camioneta da Vimeca.

Foi ontem à tarde, quando saía do trabalho, que aquela voz ferida de orgulho se fez ouvir, e que uma moça sentada atrás de mim reproduziu a letra toda da «Tears Dry On Their Own» - uma das minhas «amyces» favoritas - com segurança e entusiasmo, até ao «chá-lálá!» final.

Amy não morreu, mas a década está quase no seu suspiro final. A Pitchfork acha que os National não merecem mais que a «Mistaken For Strangers» e a «Abel» a marinar no top 300 ou 200, no polaroid final dos anos zero-zero. Ainda assim, olhar para uma listagem de 500 canções dos últimos 10 anos causa-me, mais do que concordância ou discordância, uma sensação antecipada de nostalgia. Já se passou mesmo este tempo todo? E será possível que tenha ouvido tantas das músicas contempladas na megalómana lista? Devia arranjar uma vida.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

u-au-e

O vídeo novo dos Walkmen:


(para não escangalhar o layout todo ao blogue, carregai no linque directo)

Monstro vs Cão

Há quem ache o primeiro disco dos Ornatos Violeta muito datado mas, na sua juvenil hiperactividade, considero-o até mais actual que o segundo. Outro dia ouvi a Coisas, uma das músicas d' O Monstro..., e bem que lhe tirava aquelas cordas todas e a voz insuflada. Claro que depois chegamos ao finzinho e há aquela canção dentro da canção («Eu estou bem, quase tão bem...»), que o Manel e o Peixe tão bem sabiam fazer (no «Bem-Vindo A Ti», dos Pluto, também há um momento assim: faz-me lembrar uma vez que abri um pimento verde e lá dentro havia um mais pequenino, muito fresquinho. Um pimento-bebé).

Seja como for, hoje lembrei-me da letra do «1 Beijo = 1000». Tenho essa «dedicatória» no livreto do Cão!, até. Foi o teclista - com quem não tinha confiança alguma - que ma escreveu, quando eu, a Cibele e a M. lhes pedimos autógrafos no final de um maravilhoso concerto no Hard Club, se não me falha a memória a 7 de Dezembro de 98.

«Saltei do vazio que afinal é bem mais
E vim cair num mundo igual»

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

A Márcia é terrível

Na novela da TVI, estão há uns bons 10 minutos a tentar perceber se a Márcia estará, ou não, grávida. Seja como for, o Vítor Norte ficou muito desconsolado ao perceber que a filha já não vai virgem para o casamento. O suspense está ao rubro - e acho que desde a peça da catequese em que me deram o papel de vizinha alcoviteira (sem comentários) que não via representações tão marcantes.

Manos Dessner

Não é fofinho nem confortável, fácil nem previsível, mas é uma bela canção para ouvir, agora.

Aaron e Bryce Dessner, os gémeos dos National, em «We Were Born».

A Pitchfork conta o resto.

Silíssima season

Vale tudo para animar o não-mês que é, em Portugal, Agosto.

Se eu tivesse cinco euros por cada vez que, nas últimas semanas, me despacharam com a expressão «agora só em Setembro», certamente já teria reunido um pé de meia interessante.

Posto isto, a ideia de um golpe monárquico até me dá vontade de rir. A apatia nesta terra é tanta que, com um bocado de sorte - ou azar, dependendo da perspectiva - a bandeira ainda lá fica esquecida e, quando chegar Setembro, vivemos num regime diferente.

Espero que o Passe L12 continue a ser válido.

Novo "golpe" monárquico: bandeiras içadas em Cascais - vídeo

Elvis Perkins

O senhor que fez o meu álbum favorito deste ano acaba, agora, de lançar um EP. Tem uma capa bem linda e já tenho aqui uma música para ouvir, mas o que achei graça foi que, nos comentários do site onde li a notícia, a «sinceridade» tenha sido um dos argumentos mais usados para defender o valor do homem. Também é das coisas que mais aprecio nas canções do rapaz, mas é sempre bom sentir-me acompanhada.


quarta-feira, 19 de agosto de 2009

I've been a mess

O Mark Eitzel bem que podia ser meu amigo, nesta altura do campeonato. Já o vi muitas vezes (uma vez até apanhei sozinha o cacilheiro para esse efeito) e outro dia o meu iTunes, lá no laboro, começou a tocar uma música dos American Music Club sozinho, sem eu mandar (a «All My Love», do último disco).

Então mandei ao homem (ou aos muitos que se fazem passar por ele) um pedido de amizade no feicebuque. Ele não respondeu, o que aumenta a probabilidade de ser realmente o gajo.

Boa Noite e um Queijo de ontem, rather messy, para ouvir aqui.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Sabedoria popular

Ouvido esta manhã na paragem das camionetas:

«O inimigo do coração é as escadas!»

domingo, 16 de agosto de 2009

sábado, 15 de agosto de 2009

A gata-tripinha

Aqui há coisa de uma semana, abri a porta do quarto onde fiquei hospedada, perto da Zambujeira do Mar, para ter mais rede ao telemóvel.

Foi então que uma gatita muito enfezada, que já tinha visto nas mãos de uma miúda hóspede da mesma residencial, veio ter comigo a pedir festas. Mais: entrou mesmo no meu quarto, passou-lhe a vistoria e acabou por instalar-se na minha cama, junto ao portátil, fazendo-me companhia até serem horas de rumar novamente para o festival (altura em que saiu do quarto pela sua própria pata).

De bom feitio e muito ronronadeira, deixou-se fotografar. Vejam aqui o resultado dessa sessão (fotos de telemóvel, já se sabe):


Então é aqui que trabalhas? Não me parece mau de todo...

Vamos lá a ver se essa máquina vale alguma coisa...

Não te esqueças que, apesar de pesar uns 150 gramas, sou uma fera!

Ai é assim que trabalhas, no messenger com a tua irmã? Sim senhora...

Bela merda de texto que escreveste ontem. Até eu fazia melhor...

Vá lá, não leves a mal - olha como sou gira!

Já para fazeres festinhas revelas algum jeito. Porque não te dedicas só a isso?

Agora deixa-me dormir, guarda lá essa porcaria.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Bloodier than blood, outra vez

Não há dúvida que o meu sangue mudou, com os anos.

Tempos houve em que as melgas faziam de tudo para evitar-me (e martirizar a minha irmã, que belos tempos).

Esta noite acordei, às três da manhã, com uma comichão indizível. Obriguei-me a ir à casa de banho, onde constatei que tinha não uma, nem duas, nem três mas sim quatro mega-mordidelas de melga, espalhadas por ombro, peito, costas e pulso (a mais comichosa de todas elas).

Aplicar Fenistil e pensar na vida no WC, às três da manhã, pode ser uma experiência interessante. Mas esta não foi.

Gostava de saber qual das duas teorias é a mais verdadeira: que as melgas escolhem o sangue mais doce, ou o mais quente. Porque o outro mamífero do quarto escapou incólume à investida nocturna dos odiosos insectos.

I dream about a cloudy sky

Bem dizia a Susana que é impossível ouvir a «Just A Man» sem subir para uma cadeira e esbracejar violentamente. No Sudoeste, nos autocarros, até no avião em que andei desde «o» concerto, bem falta me têm feito essas cadeiras. Quando tiver vagar e cabeça escrevo aqui sobre a descida do Senhor à Terra. É complicado explicar como é que, mesmo com a histeria ao máximo como eu estava, Mike Patton y amigos ainda conseguiram estilhaçar as minhas expectativas... Shining so bright!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

café café café

Café a mais num Domingo à tarde e eis que, depois de muito me virar na cama, sem arranjar maneira de pregar olho, caio num sono burro e agitado, do qual acordo assarapantada e com o coração a bater a uma velocidade proibitiva. Sonhava, num daqueles sonhos difíceis de discernir da realidade, que me tinha esquecido de pôr no site a reportagem do super-coiso Lisboa (ao qual nem sequer fui em serviço) e nem depois de acordada conseguia perceber em que dia estava, ou se tinha mesmo ido para a cama sem cumprir a minha missão.

Palavra que nunca tinha sentido o coração a bater assim, atirando-se a mil à hora contra a caixa torácica. Menos café ou menos festivais? É uma boa pergunta.

domingo, 26 de julho de 2009

Riscos

Tenho amigos formidáveis, que fazem coisas para as quais até me falta a adjectivação: desde dizerem adeus aos postos de trabalho (uma tendência dos dias - paradoxalmente - difíceis de hoje), até espectáculos de sapateado, corridas de bicicleta e começares novinhos em folha. Mas também eu me aventurei nas últimas semanas. Por exemplo, pela primeira vez, usei um browser que não o Internet Explorer, e não é que nem desgostei do Firefox?

Podia ser uma mudança mais radical, eu sei, mas é um começo.

Eu, a cigana

Nas próximas semanas irei fazer de minha casa uma espécie de «pit stop»; pararei por aqui entre viagens, no meu roteiro Alto Minho - Costa Alentejana - Londres. Trabalho, sim, mas com um ou outro brinde pelo meio (assim de repente, esperam-me Sean Riley and the Slowriders, Manel Cruz, The National, Marcelo Camelo, Faith No More). No meu regresso falamos com calma.

Dia dos Avós

(Também) para a Cristina.

A última vez que vi a minha avó com vida estava escuro. Escuros os corredores do lar que, à hora do jantar dos restantes ocupantes, se apagavam já; escuro o quarto onde a luz não se acendeu para não incomodar a outra velhinha - que me fitava com olhos vítreos, como se visse já, diante de si, a própria da morte; escura a disposição com que ali entrei e dali saí, convencida da impotência de qualquer um de nós - família, médicos, humanos - perante o que ali vinha.

As últimas palavras que ela repetiu, pelo meio de um discurso sôfrego que a dentadura em cima da mesinha da cabeceira não ajudava a perceber, foram «Tino», «caraças» e «retrete». Tinha, suponho, vergonha de estar de fraldas e estava convencida que, em vez do meu pai, era o outro filho que a visitava naquele fim de tarde cinza e frio.

O dia do funeral, por acaso (ela usava esta expressão para tudo, mas sobretudo para elogiar os cozinhados da nora; «Oh Ana, por acaso está bom!», dizia sempre com a mesma ofensiva surpresa), até foi bonito.

Dia dos Fiéis, ano da graça de 2008, 97 anos depois de Dona Maria nascer em família pobre e numerosa, da qual todos os efectivos se têm vindo, gradualmente, a apagar.

Estava um daqueles dias de Inverno cheios de sol, céu impossivelmente azul, e ao velório compareceu boa parte da sociedade de Santo Ovídio, incluindo o empregado do café onde a minha avó passava as tardes (e de quem dizia cobras e lagartos). A dizer a missa esteve o Padre Queirós, que baptizou toda a gente que conheço e comigo partilha a naturalidade - e de quem a minha avó não gostava nada, por «falar muito baixinho».

Chegámos ao cemitério primeiro que o caixão, pelo qual esperámos, sob o sol manso de Outono. Foi então que um cãozinho pequeno, mas bem bonito, apareceu do nada e se fez às festinhas. Todos lhe dispensámos atenção, desejosos de uma centelha de calor naquele dia cabisbaixo.

Quando o caixão chegou, o bicho acompanhou o cortejo, ordeiramente. Assistiu ao enterro para depois desaparecer, tão misteriosa e discretamente como surgira.

Engraçado é que o cachorro era - ou assim me pareceu, a fazer fé nas fotos a preto-e-branco que a minha avó me mostrava com saudade - parecidíssimo com o Nice, primeiro de uma dinastia canina que contemplou cães de todas as raças, cores e tamanhos, sempre com o mesmo nome, no número 81 da Coats & Clark.

Morreu, esse cachorro, atropelado quando o meu pai e seus irmãos eram crianças, e a minha tia abriu o portão deixando o pequenito escapulir-se.

Naquele 1 de Novembro de 2008, foi difícil - pelo menos para um lírica como eu - não ver no inesperado convidado canino do funeral da minha avó uma nova encarnação do malogrado Nice I, que evidentemente nunca conheci mas cuja história era contada de forma recorrente, lá em casa.
Lembro-me dos meus avós todos os dias e às vezes até me parece que nem morreram, e que se for ao «palanque» ou ao «galinheiro» (as alcunhas dos cafés que um e outro frequentavam) os vou encontrar, ainda: a minha avó a despejar pacotinhos de açúcar atrás de pacotinhos de açúcar na água a ferver da qual fazia um café interminável; o meu avô de chapéu, a repetir as histórias de quando era petiz e criava indizíveis engenhocas.

Outro dia um amigo usou a expressão «dar a ferro» e num ápice senti-me transportada para a cozinha da minha avó (há muitos corredores mais largos que aquela cozinha), onde ela esticava um lençol velho sobre a mesa de inox e ali engomava a sua roupa, melhor do que alguma vez conseguirei fazer. Leio «dar a ferro» e sinto imediatamente o cheiro do vapor na roupa gasta, o aroma da cevada e do pão com margarina dos meus lanches predilectos, o silvar do vento no quintal/jardim/selva lá fora, sempre verde, sempre vivo.

A minha avó faria 98 anos no próximo domingo, mas custa-me a crer que já cá não está. O mesmo para o meu avó, cujas últimas palavras, para o meu pai, mostravam vontade de «ir à pesca outra vez».

É um lugar comum, mas enquanto os tivermos presentes não os deixaremos morrer. Beijinhos, Cristina.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O Verão lá fora e eu aqui

Toujours la même chanson, é verdade, mas para quê mudar quando se regressa assim?



Esta e outras novidades de grande gabarito no Boa Noite e um Queijo desta semana, para ouvir aqui.

Uma questão de timing

Aproximadamente 284 dias depois de ver a Leonor, no mensageiro, a escutar esta canção incessantemente, e cerca de duas semanas antes de novo rendez-bous, é que este «Sleep All Summer» encontrou o caminho do «repeat» do meu leitor de mp3.

A letra nem é do homem (esta é uma versão de uma banda chamada Crooked Fingers), mas o que me «vendeu» a música - além de uma simpática apatia veraneante - foi mesmo a deixa «And every time we turn away it hits me like a tidal wave / I would change for you but, babe, that doesn't mean I'm gonna be a better man».

Vamos ouvir outra vez (não se distraiam a olhar para as carinhas deles; oiçam antes os barulhos de Verão que vêm da rua):




(«Sleep All Summer», The National + St. Vincent. O querido «bizinho» RT diz que é um Kenny Rodgers + Sheena Easton para o século XXI. A mim, nem que puxasse muito pela cabeça, me ocorreria melhor publicidade.)

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Canções de amor para quem anda sempre com dois calhaus no bolso do coração

É carregar neste linque e procurar o «In The new Year», dos Walkmen, no Restelo este Sábado.

Lindíssimo, apesar do excesso de luz solar.

Agora chamam-lhe responsabilidade

No meu tempo chamávamos-lhe «medo» ou «falta de alternativa».

«No mesmo comunicado a administração do título da Sonaecom salientou “o sentido de responsabilidade" demonstrado pela quase totalidade dos trabalhadores ao aceitarem uma medida que implicará sacrifícios financeiros individuais».

Notícia sobre o Público aqui.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Boa Noite e um Queijo - come-se no Verão

E quando todos se dedicam à mandriagem, as formiguinhas fazem rádio. Foi assim nas passadas duas semanas e será assim esta noite, se Deus e o Twingo quiserem. Boa Noite e um Queijo, a partir das 22h na Rádio Zero.

domingo, 12 de julho de 2009

No reason to get excited?

Afinal 12 anos não é assim tanto tempo. Quando um conjunto de musiquitas nos consegue tirar as dores nas pernas, a moideira nos rins e a nuvem negra de cima da cabeça, então é porque, apesar de não ouvirmos os discos há anos, afinal ainda somos fãs.

Pela #41, Ants Marching, Two Step ou Tripping Billies estava lá amanhã outra vez. Louvados sejam.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Michael

Não sei o que diga ou sequer o que pense sobre a morte do Michael Jackson. As leituras são tantas (pessoais, apesar de nunca ter sido fã; culturais, históricas) mas dentro de mim a sensação que perdura desde ontem à noite é a de que morreu não uma pessoa, mas um ícone imaterial como a Coca-Cola ou o Pai Natal. É um dia triste, seja como for.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Wake Up

Ao tempo que não ouvia esta cantiga. E parece que vou ver o rapaz no próximo Domingo!

(Aposto que a Cibele e a Mary se lembram desta.)

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Boa Noite e um Queijo

E para todos os que perguntaram (obrigada NC), o Boa Noite e um Queijo passou as últimas três semanas a banhos na Grécia. Acabo de verificar isso mesmo pelo ofuscante bronzeado da Ana Martins, deslumbrante aqui mesmo à porta de casa. Dado que a mentora do «shou» aterrou, sã, salva e sem malas, em Lisboa há coisa de poucas horas, pode ser que para a semana já tenhamos musiquinha nova, para acompanhar com tostas.

In The New Year

É engraçado como as vozes mais ásperas e hostis podem ser aquelas de que menos facilmente nos cansamos. Há meses que ouço o Hamilton Leithauser (ah, nome de homem!) arranhar a garganta para berrar «Out of the darkness / And into the fire / I tell you I love you» e não há maneira de me fartar. Todo o santo dia, mais coisa menos coisa, o meu leitor de MP3 encalha aqui. E ainda acredito que este ano é que vai ser (o quê não sei, mas vai).


As coisas em que uma pessoa tropeça

Tão, mas tão ao lado, que quase acerta no alvo (uma crítica ao Alligator alocada à ficha da banda na Wikipedia, que me chamou a atenção pelo 2/10 e que por curiosidade acabei por ler).

terça-feira, 23 de junho de 2009

Só Visto

Já aqui tinha manifestado o meu pequenito ódio de estimação pelo programa Só Visto e sua nova timoneira, Marta Leite Castro.

As «entrevistas» que, de quando em vez, apanho por lá merecem, porém, uma palavrinha aparte.

Esta semana, a homenageada - porque «tributo» é uma palavra fraca para descrever a masturbação mútua que são aquelas conversas - era a Helena Laureano. Como actriz, a ex-Miss não parece ter palmarés muito ofuscante, mas mais importante do que isso é salientar a completa inutilidade de toda a «conversa».

Começou, como não podia deixar de ser, com aquela que é já a imagem de marca da MLC: a segurar nas mãozinhas da convidada, com olhinhos de Bambie, permanentemente comovida. A partir daí, foi sempre a descer, com «perguntas» como «és tão linda, como consegues manter-te assim tão linda?», «tu fazes auto-crítica?» ou «como é que consegues ser tão linda, linda?».

Não espero de um espaço daqueles que confronte os entrevistados com assertividade e perguntas desconfortáveis, mas tanta «manteiga» também mete nojo.

Pequeno pormenor: a MLC disse que, nas suas pesquisas, encontrou uma frase que descrevia a Helena Laureano como alguém que passara «de miss fotogenia a actriz de corpo inteiro», e partiu daí para mais um longo elogio à senhora.

Submetendo o nome da actriz no Google, essa é realmente a segunda ocorrência de «Helena Laureano» - no site «gaijas da tv». É bom ver que escolhemos as melhores fontes.

Novelame de Verão

Bem sei que a minha reputação como espectadora não é das melhores: este blogue assenta, ou começou por assentar, precisamente na atracção fatal por programas abaixo de cão e o maravilhoso entretém que é ver séries, filmes ou anúncios especialmente maus (não medíocres nem assim-assim; maus-maus, só assim me consigo rir a bom rir e escrever aqui qualquer coisinha).

Mas mesmo eu, não parecendo, tenho limites, e a actual omnipresença do Cristiano Ronaldo & sus putanas nos telejornais portugueses causa-me náuseas. Que se fale ininterruptamente do raio da transferência (obscena - que números são aqueles?) é saturante; que a SIC e a RTP (a TVI já joga num campeonato aparte) dêem como segunda ou terceira «notícia» a «noite louca» que o repugnante mitra passou na companhia da Paris Hilton ou, 24 horas depois, com «uma loura e uma morena!», como anunciaram na RTP, com sorriso maroto e piscar de olho, entra noutro nível.

Não só todas as outras notícias do telejornal ficam feridas na sua seriedade por estas peças «divertidas», com musiquinha «jovem» de fundo e trocadilhos aos pontapés, como a pobreza de espírito nacional vem ao de cima. No fundo, o que se celebra? Que um português não só ganha rios de dinheiro como passa a noite com gajas, muitas gajas, algumas delas conhecidas na intimidade por três quartos da população do mesmo segmento que o CR7: bimbos e milionários. Se isto não é motivo para celebrar em pleno horário nobre, o que será?!

Os transportes, ainda e sempre

Há quem tenha ainda mais sorte que eu nas frases que ouve nos autocarros.

Go Mourinha!

Canções que salvam dias

Não sei muito bem por que razão os discos do John Vanderslice nunca tinham entrado, nem que fosse de esguelha, na minha vida. Mas com o novo Romanian Names, que aterrou literalmente na minha secretária, eis que a falha foi corrigida e pode dizer-se que agora não quero outra coisa. Se há canções que podem salvar um dia, a «Fetal Horses», «Tremble and Tear» e «Carina Constellation» podem muito bem ser as benfeitoras. Fãs de Shins, Elliott Smith ou Andrew Bird não vão daqui mal servidos.

Sangue

Ando a fazer uma espécie de tratamento para o que pode, ou não, ser uma anomalia na coagulação do sangue. E não há vez que pense nisso sem me lembrar dos Wilco e da deixa «something in my veins / bloodier than blood», da música «A Shot In The Arm», uma das minhas favoritas deles.

Mais transportes

Esta semana não tenho tido boleia para a estação de comboios, o que significa que convivo de perto com a inspiração (e a transpiração) dos passageiros do 729 e 750, duas das mais carismáticas carreiras da Carris.

Ontem ao fim da tarde, por exemplo, uns cachopos especialmente chungosos tentavam impressionar-se uns aos outros, emitindo comentários obscenos e arremessando piropos ordinários às moças que tiveram o infortúnio de sentar-se nas redondezas. Arrotar era outra das especialidades da triste pandilha. Gostei sobretudo desta pérola:

«Quando estás a comer a Deb'ra, olhas para a cara dela?»

Depois de algum debate, o inquirido concluiu que preferia «olhar para baixo», nem que isso implicasse confrontar-se com a visão do seu próprio órgão genital. «Prefiro ver uma pila do que a cara da Deb'ra», confessou, entre dois ou três grunhidos.

Já de manhã, escutei com agrado o incentivo ao consumo ligeirinho, nos ciganos do túnel de Algés.

«Vamos a despachar, que pode vir a polícia!», gritava uma das vendedoras, com voz de poucos amigos.

Pensamento do dia

Se quem tem cu tem medo, quem tem medo compra um cão e quem não tem cão caça com gato, será que quem tem cu caça - ou pode ter de caçar - com gato?...

Quando os autocarros demoram o que hoje demoraram a chegar ao meu destino matinal (o trabalho), há tempo para conjurar estas inanidades - e muito mais.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Um Queijo Mole

Bem molinho - bom para quem não tem dentes, como diria a minha avó - foi o Queijo de ontem. Dá para ouvir, e derreter, aqui.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Foi você que pediu...

... uma semana livre? Começa - mais coisa menos coisa - hoje à noite.

Por enquanto, ao som disto - uma das poucas bandas que, nas actuações ao vivo no YouTube, valem tanto pelos bonecos como pelo som:

Linque esquisito porque o directo escangalha o blogue todo: Heads Will Roll, dos Yeah Yeah Yeahs

Com um beijinho (e um sorriso da Karen O) ali para o vizinho Kara Podre.

sábado, 16 de maio de 2009

Vício

É injusto para as outras músicas, também elas bem boas, mas não deixa de ser óptimo sinal que, num segundo disco aguardado com alguma ansiedade, as duas primeiras canções impressionem de tal maneira que acabam por ser ouvidas em «repeat» algo doentio, antes que à terceira musiqueta se estenda a merecida oportunidade de brilhar.

Não é preciso ir mais longe do que a Coimbra para encontrar um dos discalhões do ano: "Only Time Will Tell", de Sean Riley and the Slowriders, tão melodiosos, intensos, aconchegantes e americanos como na estreia, com "Farewell". Estou maravilhada com a música que esta gente faz (o single ouve-se no myspace, o resto há-de rodar com pujança no Queijo das próximas semanas).

terça-feira, 12 de maio de 2009

Open space

De um lado voam piadas machistas, homofóbicas e, regra geral, muito desinspiradas, vociferadas com uma postura de galo a querer ostentar a crista e ganhar estatuto numa capoeira de generosas dimensões. Do outro lado do armário, chegam conversas sem pudor sobre barrigas inchadas, quilos que se perdem (ou querem perder) nas pernas e um intrigante fascínio com a própria ignorância (o que poderá explicar que uma mulher adulta passe uns bons 10 minutos da sua vida a atirar para o ar a - pelos vistos, retórica - pergunta de: «Não podes escrever caucasiano, que ninguém sabe o que é! (pausa) O que é caucasiano?»).

A minha felicidade só ficará completa, porém, quando o peregrino conceito de «open space» se estender à casa de banho. Aí sim, poderemos viver em plena comunhão, como o conjunto de seres complementares e indissociáveis que realmente somos. Mas mesmo para isso talvez já não falte muito.

Boa Noite e um Queijo

Por aqui o silêncio tem sido cortante, mas às terças-feiras - e nos outros dias da semana, graças à magia do podcast - é possível perceber que eu ainda mexo. Ou será magia de Ana Martins? Emissões mais recentes aqui.

All work and no play...

Outro dia acordei em lágrimas por ter sonhado que o meu chefe me obrigava a abandonar o meu cão.

Tendo em conta que, pela lógica da vida acordada, os dois protagonistas do sonho apresentam uma ínfima probabilidade de se virem a conhecer, penso estar bem provada a teoria que defende que lisabel precisa de férias.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Amália ou Maitê?

Serei só eu a ver os olhos da actriz brasileira Maitê Proença, e não os da Fadista Amália, neste cartaz?

terça-feira, 28 de abril de 2009

OV

«Quando eu sonho eu levo a minha força até ao fim
E quando o sonho acaba, cego, eu olho fundo para mim
E não vejo nada além da tão real ausência de outra luz
E só por ela volto à minha cruz, à minha cruz»

Acho que desde ontem caí num buraco do tempo.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Fé à força

É assim que se fala, perdão, que se badala na minha terra: Santo Ovídio, MA (Mafamude):

Sino da igreja toca tão alto que até viola a lei

Raquel

Já há algum tempo que a prateleira lá de casa dedicada aos «livros técnicos» - que em dois ou três títulos vai das técnicas de investigação em ciência social às receitas fáceis com porco - precisava de uma nova organização.

Felizmente, a minha afilhada teve todo o gosto em dar o primeiro passo de qualquer reorganização que se preze: deitar tudo abaixo. Olhai o seu orgulho:

Ansiedade

Hoje sonhei que conhecia o Mike Patton e que ele só tinha uma perna.

Ainda por cima, à sua volta ninguém parecia estranhar, o que me obrigou a agir como se também soubesse, embora não fizesse ideia de tal desgraça.

Acho que não aguento muito mais tempo sem saber se / quando vêm os Faith No More a Portugal.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Rapaz modesto, faz hinos, casamentos e baptizados

Já no primeiro disco o rapaz Elvis Perkins me tinha mimado os ouvidos, com cançonetas como «While You Were Sleeping» (do mais adorável que pode haver) ou «All The Night Without Love». Cheguei mesmo a entrevistá-lo, no meu quarto (por telefone, entenda-se). Eu tinha acabado de chegar do Sudoeste, com alta telha e cansaço a condizer; ele tratou de me pôr no meu lugar, dizendo que tinha acabado de fazer uma viagem de oito horas ou qualquer coisa assim condizente com o tamanho do país onde labuta.

Mesmo gostando desse primeiro "Ash Wednesday", dizia eu, não esperava tanto do novo "Elvis Perkins In Dearland". Está cheio de canções verdadeiramente empolgantes (e menos choninhas que as do primeiro), sanfonas e harmónicas (alerta Mary-John!), folk sensível e blues com ganas, letras à maneira e uma coragem que se pressente e acaba por desarmar. Na cabeceira da cama, o rapaz Perkins deve ter um retrato do Bob Dylan. Mas, ao invés de tentar emular o mestre, parece aceitar as suas limitações e fugir para a frente, com um pé ligeiro e um jeitinho para a melodia que fazem deste álbum um dos meus favoritos deste ano.

Gosto de todas as canções, mas a que ouço mais vezes chama-se «I Heard Your Voice In Dresden». Dá para bater palminhas, cantarolar, gaguejar, fingir que se está num coro gospel («hallelujah!») e, se o resto do disco não fosse tão bom, valeria o preço do CD. Já há quem lhe chame um hino e pode ouvir-se aqui.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Rave On

E a pergunta do dia é: o M. Ward nunca veio cá porquê, mesmo?...

sábado, 11 de abril de 2009

Ali ao lado, onde gatafunhei «be brave + be kind», também me podia ter decidido por «long shadows + gun powder eyes». Esta rapariga Neko sabe bem o que fazer com as palavras.


À boleia do «vizinho» JML, eis que vos deixo aqui com uma pequenita lista de alguns dos discos que mais prazer me deram este ano - alguns não são exactamente de 2009 mas só me chegaram aos ouvidos ou ao coração nos últimos quatro meses.

Middle Cyclone, Neko Case
Elvis Perkins In Dearland, Elvis Perkins
Glory Hope Mountain, Acorn
Noble Beast, Andrew Bird
Child of the Moon, Tiguana Bibles
Dark Was The Night, Vários
Hold Time, M Ward
Kronos, Cristina Branco
Boato, JP Simões ao vivo
Sou/Nós, Marcelo Camelo
Dark Undercoat, Emily Jane White
In Ear Park, Department of Eagles
You & Me, The Walkmen

Marlene Cristina

Pouco depois de a velhota desorientada sair do Intercidades que apanhou por engano, uma rapariga de vinte e poucos anos tomou o seu lugar, a meu lado. Desde logo que a moça me chamou a atenção pelas revistas de que se munira para aguentar a viagem até Campanhã: um daqueles livrinhos de palavras cruzadas e a edição portuguesa da revista Bravo, essa germânica instituição que, imaginava eu, deixava de apelar às moças a partir do segundo período menstrual.

Mas o festim estava longe de se revelar em todo o seu esplendor: para minha desgraça, a rapariga foi toda a santa viagem agarrada ao telemóvel, recebendo e enviando mensagens escritas («lol», escreveu simplesmente numa delas, que eu vi) e fazendo também algumas chamadas. O mais grave disto tudo? Os toques personalizados, que iam do «Fiu, fiu, táxi!» à atordoante rajada de metralhadora.

Quanto o revisor finalmente apareceu, ela exibiu o bilhete e o cartão do exército que lhe rende um desconto na CP - e um sorriso de aprovação do «pica» que a mim não me tocou.

Nome Marlene Cristina, patente soldado, toque rajada de metralhadora, revista favorita Bravo, filme que levava em versão sacada para mostrar a alguém - namorado, irmão? - com quem falou ao telefone «Crepúsculo» (o dos vampiros castos). «Vais gostar», despediu-se ela, com um riso malandro.

Intercidades

Não reparei quando é que a senhora de olhos enevoados e cabelo no ar se sentou ao meu lado no Intercidades. Mas desde logo imaginei que não tivesse tido qualquer tipo de atenção ao lugar ou à carruagem ditados pelo bilhete. Nos bancos ao lado, um casal «urbano» ofereceu-se para ajudar a velhota. Alta e pálida, a moça, que iria toda a viagem a tagarelar sobre uns gráficos que mostrava ao namorado num mac, foi peremptória mas meiga ao sentenciar: «A senhora está no comboio errado».

Pouco preocupada e até risonha, a velha, cheia de sacos de plástico como todas as velhas como ela, desculpava-se: «Mas disseram que este era o Intercidades...».

Ia para Santarém e ainda a ajudei a perceber se já estávamos a chegar a essa estação. «No Natal não disseram e eu quase que deixava passar!», queixou-se. «Por isso é que vou sempre a olhar pela janela. Eu desta vista não vejo bem. A esta já fui operada mas voltou ao mesmo».

Despediu-se com desejos de boa viagem e Páscoa feliz. Acho que todos - eu, o casal urbano e o seu mac - partilhámos um alívio silencioso por o revisor só ter aparecido depois de a mulher sair do comboio.

Amizade na terceira idade

Já não sei se é num dos seus livros ou na série propriamente dita que o Jerry Seinfeld tem uma tirada muito boa sobre as amizades na idade adulta. Quando somos garotos, diz ele e com razão, qualquer coisa pode servir como primeira pedra de uma amizade indestrutível: gostas de chocolate? Eu também, vamos ser melhores amigos!...

Com o passar dos anos o fenómeno da amizade instantânea torna-se mais raro e quando já se caminha para a terceira idade, como é o meu caso, os acrescentos à lista de convidados para o jantar de anos diminuem a olhos vistos. Temos preguiça de explicar aos «amigos novos» como é que funcionamos, receio que os «amigos velhos» não achem graça ao alargamento da ZAE (Zona Amiga Exclusiva) e assim como assim estamos satisfeitos com os parceiros do costume. Deus os abençoe.

É por concordar com tudo isto que dou tanto valor ao facto de, nos últimos anos, ter continuado a conhecer pessoas que me merecem a maior das estimas. Graças a «certas e determinadas» bandas, por exemplo, a Leonor e o José tornaram-se sinónimo de amizade quase fraternal, e é esse laço «de sangue» que me permite falar dos dois no mesmo post celebratório sem que - espero! - nenhum deles leve a mal.

Apesar de ter o telemóvel desligado, porém, o dia hoje é do José. Em tempos idos, um conhecido comum referiu-se a ele como «charming man», smithesco título que sobremaneira o incomoda e, por conseguinte, não será usado neste texto. Aqui para nós, é na negação da evidência que o dito charme se agiganta, mas para não maçar o incontactável aniversariante, limitar-me-ei a desejar a este portuense de gema, sportinguista dos sete costados, fã mais exigente do mundo, atento ouvinte do Boa Noite e um Queijo e lânguido amigo um grande dia. Ou noite, que as dele são melhores que os nossos.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Quem fala a verdade...

Pregão da feira ouvido a Norte pela minha amiga Cibele:

«É a cigana de Lamego - rouba na noite sem medo!»

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Boa Noite e um Queijo

Não há cansaço ou liga dos campeões que detenham o Boa Noite e um Queijo. Mais uma emissão para acompanhar com tostinhas, neste linque suculento.

Sagazes palavras

Rodando no computador da frente (na medida em que um sortido de mp3 pode rodar no iTunes):

«Sound of silver talk to me
Makes you want to feel like a teenager
Until you remember the feelings of
A real life emotion of teenager
Then you think again»

Directamente da cabeça deste amoroso ursinho de peluche:

Dois graus de separação

Ontem recebi, por motivos de trabalho, um e-mail escrito por alguém que já apertou a mão ao Andre Agassi.

Quer dizer, eu também já, mas duvido que o João Cunha e Silva (Wimbledon 93, derrota em quatro sets por altura do São João) tenha tido que se digladiar com hordas de petizes histéricos em busca de um autógrafo, arriscando assim a sua própria vida, para ganhar esse «passou-bem».

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Ainda os FNM

11 anos é muito tempo, mas não foi tempo suficiente para desanimar os santos & heróis que mantiveram on-line o site dos Faith No More. Obviamente que - ao contrário do que acontece agora - não ia lá todos os dias, mas sempre que uma dúvida ou uma saudade pictórica me apoquentavam, lá digitava eu «fnm.com», sem nunca ficar defraudada. Firme, hirto e funcional - um mimo de site.

Hoje, na primeira de 842 visitas diárias à dita página, na ânsia de actualizações na secção «ao vivo», reparo que - finalmente! - esta boa gente também já se ligou a 2009. Ou seja: neste momento tenho nos favoritos o site da banda; o féicebuque, onde sou «fã»; o myspace, que subscrevi, e ainda o twitter do Billy Gould (este último dado ganha contornos de especial importância se vos confessar que, até hoje, nem sequer tinha tentado perceber como é que essa coisa funcionava ou para o que servia).

Resumindo: só falta o concerto. Sinto-me uma cidadã precavida, com sacos de areia à porta e janelas reforçadas com tábuas de madeira, à espera do furacão que nunca mais passa.

terça-feira, 31 de março de 2009

Sweet talk caffeine

Depois de pelo menos quatro noites de sono truncadas pelo trabalho, na última semana, é impossível não ouvir a frase «sweet talk caffeine» e sorrir de conforto.

Ao café agradeço todos os textos que consegui completar noite fora nos últimos dias. Aos promotores e até ao Mikezinho - sei que me estás a ouvir - pergunto: quanto mais tempo temos de esperar até o raio da página anunciar o concerto por cá? Quanto?...

Entretanto fica um vídeo que não deverá chocar quem só conhece a minha face mais choninhas. Para acordar.


quarta-feira, 25 de março de 2009

Colliiiiision

Num momento estou a reparar que a Radar passa, pela segunda manhã consecutiva e sensivelmente à mesma hora, a música dos Grizzly Bear para a compilação-maravilha dos Manos Dessner - e que o Boa Noite e um Queijo, ontem à noite, também colocou na montra de prémios.

Um número indeterminado de segundos mais tarde, só me lembro de um estrondo considerável, enquanto ouço gritos de «ESTÁS BEM? ESTÁS BEM?» e dou conta que tenho a cabeça e o pescoço vagamente doridos.

A dona do carro que bateu no nosso deu-se como culpada e, tão atrapalhada como nós estávamos em choque, fazia o que podia, pedindo desculpa com ar encabulado. «Deixe lá... acontece... podia ter sido pior...», balbuciávamos nós, escrevinhando contactos de telefone em blocos de notas.

A parte mais estranha é a de quase não me lembrar do embate propriamente dito. Mas senti as ideias - acondicionadas na cabeça que foi atirada contra o assento - todas a chocalhar. Tenho a impressão que três ou quatro posts do Sofá Verde faleceram neste pequeno, mas intenso, acidente automóvel.

Revolta de batina

Padre "ameaça" recusar baptizar meninos com nome Lucílio

Antecipo uma corrida ao registo civil de pais resignados com a ideia de que o seu bebé vai mesmo ter de chamar-se Olegário.

terça-feira, 24 de março de 2009

Arneiros: fauna e flora

Nem toda a gente percebe, mas uma das coisas que mais me alegram na casa pela qual (não) pago uma renda de quatrocentos escudos é o pequeno jardim que a rodeia. Desde magnoreiros a rosas de Santa Teresinha, passando por limoeiros e vegetação anónima mas quase luxuriante, ali encontro muitas das referências (de cor, de aroma) da minha infância.

De quando em vez também por lá surge um felino desorientado, como esta gatita (vadia? fugitiva?) que a câmara de telemóvel do meu moço capturou, há poucos dias:


domingo, 22 de março de 2009

Diagnóstico reservado

Por onde quer que olhe para a cena, será sempre cómico que, segundos após ter interpretado as minhas análises e dito de sua justiça, um reputado médico especialista me pergunte, sempre sem sair do seu tom profissional (leia-se sorumbático):

«Você conhece um conjunto...»

«De sintomas? De perigos? De episódios do House?», antecipo eu mentalmente, ansiosa.

«... um conjunto chamado Fever?».

São uma banda portuguesa de metal. Pelos vistos, o afilhado do doutor toca lá. E o filho nos Moonspell.

Acorn - Glory Hope Mountain



Peguei neste disco pela capa e não demorei mais do que uma música a perceber que tinha feito bem. Esta gente que responde pelo nome de Acorn é do Canadá e faz música adorável, algures entre a folk mais intimista e os ritmos mais festivos (mas não friques, graças a Deus). Alguns dias depois de me ter apaixonado por canções como «Crooked Legs», «Hold Your Breath» ou «Flood Pt. 1», descobri que o mentor da banda - ainda pouco conhecida, mas já recrutada para tocar com Calexico ou Elbow - escreveu o disco inspirado por uma data de conversas com a sua mãe, hondurenha, sobre o passado turbulento na terra natal e a posterior emigração para o Canadá. Boa música E boa história - é melhor não deixarem esta rapaziada passar-vos ao lado.

Novo prazer culpado

Ela chama-se Tabatha, diz-se «dura» (tough) e «talentosa» (talented), e começa cada episódio a avisar que vai «tomar conta» (take over) de mais um negócio moribundo.

Depois desta aliteração, a maléfica mulher passe a pente fino (trocadilho involuntário!) salões de cabeleireiro onde os empregados se metem nos copos (durante o expediente) e os proprietários não sabem somar dois mais dois (às vezes, literalmente).

No final, geralmente a coisa compõe-se, quanto mais não seja para dar alguma razão de ser ao «reality show». Pontos de interesse: o tamanho dos salões (mesmo o maior cabeleireiro onde já cortei o cabelo é para aí um quinto dos salões que aparecem neste programa); os inevitáveis dramas envolvendo gente muito nova / lorpa / incompetente, que fica até ao último minuto a pensar que vai para a rua (o máximo que apanhei até agora foram despromoções para «cabeleireiro assistente»); a tara dos americanos com a hospitalidade, que implica a oferta de bolinhos e beberagem à clientela que vai chegando.

Com mais este programeco, a Bravo TV cimenta o seu lugar no meu coração como fabricante de lixo televisivo sem o qual procuro não passar. E, confesso, chego a dar por mim a sonhar com uma Tabatha portátil que pusesse na ordem certos e determinados negócios, escritórios e afins que conheço. Glamour e câmaras aparte, às vezes é só mesmo uma questão de bom senso.

Novas reprimendas

Foi com espanto que, na semana passada, ouvi, nas escadas que levam à estação de comboios de Paço de Arcos, o seguinte ralhete de uma avó à sua neta, que não teria mais de seis anitos:

«Sabes o que vai acontecer? Acabou-se o Magalhães e vais para a tua mãe! Então vais-te sujar toda?!»

Não pude deixar de imaginar o que pensaria se, há uns dois anitos, ouvisse uma septuagenária ameaçar uma criança com a enigmática sentença «Acabou-se o Magalhães».

quarta-feira, 18 de março de 2009

Um pouco de tudo...

As piores passagens da história do programa, muita tolice induzida pelo calor e pelas mangas curtas (diz que o Verão acaba já amanhã!), um passatempo improvisado e a boa vontade do costume - a emissão desta semana do Boa Noite e um Queijo pode ser sacada aqui.

Entreténs de Domingo

Este fim-de-semana, a minha cozinha disse olá à Primavera com uma tarte de mirtilos e framboesas que desapareceu do frigorífico antes que pudesse fotografá-la para a posteridade.

O adeus ao Inverno foi no outro Domingo, com o já habitual bolito de maçã e limão que abaixo vos sorri:

Pechinchas

Só ao tratar da papelada do IRS (um dos meus maiores medos sazonais, não tanto pelo que possa vir a ter de pagar mas porque, por muito bem que os arrume, nunca encontro o raio dos papéis) descobri um lindíssimo lapso de Dona Raquel, a minha senhoria.

Em Julho de 2008, a proprietária do pequenito apartamento que habito passou-me um recibo de 400 ESCUDOS.

Não voltarei a queixar-me do preço do imobiliário em Lisboa!

quarta-feira, 11 de março de 2009

domingo, 8 de março de 2009

Mais truques

E por falar em (bom) marquetingue, não é que hoje, ao passar por uma livraria antiga, em Benfica, dou de caras com um gato na montra? Ou por outra, uma gata que, aninhada entre livros e cadernos de antiguidade evidente, dormia uma bela de uma sesta. Num panfleto colado no vidro explica-se que a menina Salva não pode estar sempre na montra, dada a sua agenda atarefada onde vigoram tarefas como vigiar os transeuntes na Avenida do Uruguai, verificar se os livros da loja estão em conformidade e, bem, dormir!

Eis a foto da senhora:


E o blogue onde se fala do seu carisma e popularidade. Já há sacos de Salva, a Gatinha Dourada!

Marquetingue moderno

Lá porque a barbearia parece ter parado nos idos anos 50, não há razão para que não recorra às mais modernas - e atrevidas - abordagens publicitárias.



(foto tirada perto de minha casa, no mesmo estabelecimento que na montra já ostentou um inflamado artigo sobre o inventor do mais revolucionário remédio de sempre contra as hemorróidas - aposto que esta frase me vai valer visitas via google)

quarta-feira, 4 de março de 2009

Feliz aniversário!

Resumindo a minha vida em poucas palavras, acho justo dizer que (até) no azar tenho tido sorte. Só assim se explica que, na espelunca onde passei quatro anos a tirar uma licenciatura, me tenha cruzado com pessoas a quem ainda hoje muito estimo e admiro.

A Susaninha é, obviamente, uma delas. Algures a meio do caminho perdemos temporariamente o contacto, mas nunca nos esquecemos da amizade nascida por entre computadores da idade da pedra e peixe cozido com batata frita.

No dia de aniversário desta verdadeira Embaixatriz de Londres em Portugal, o Sofá envia abraços bem apertados à mulher que o ensinou a funcionar com a Internet. Pelo companheirismo, ânimo, apoio, humor, surrealismo, notícias em primeira mão, dicas informáticas, pechinchas e férrea crença na vida extraterrestre, muitos parabéns e muito obrigada.

Que 2009 te sorria com as covinhas de um David Duchovny vintage!

Queijo: o regresso

Aos nossos amigos que nas últimas semanas deixámos sem música, «um beijinho, um abraço e uma ferradela no cachaço», como dizia o outro. Ah, e uma nova emissão do Boa Noite e um Queijo, claro. Animadinha, cheia de novidades e grátis, já aqui.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Dear Neko

Por falar em «bom demais», é impressionante o novo álbum da Neko Case, Middle Cyclone. Logo a música de abertura, «This Tornado Loves You», deixa qualquer alma abananada. Mais pormenores e pareceres quando o vagar estiver do meu lado. Por ora, ouvi, vede e maravilhai:

Not worthy

Primeiro o quê («to reform»), depois o onde («european tour»), por último mas não menos importante o quem («led by Mike Patton»). A minha reacção a esta bomba em forma de notícia foi um grito que se transformou em buzina e, por último, em alarmante sirene.

É que, sinceramente, vai ser tão bom que nem sei se mereço.

(Considerações éticas sobre reuniões motivadas por dinheiro no sofá ao lado, por favor. Por aqui festeja-se de consciência limpa e ansiedade no máximo.)

Bandido

É tudo tão mais fácil quando estamos todos de acordo.

Manel Cruz sobre concerto nos Sentados:

«Gosto de acreditar que existe a comunicação, que não há uma verdade, que há coisas que se sentem. Quando sinto, neste concerto do Festival para Gente Sentada, que estou super nervoso e não dei o que poderia dar... Como disse uma amiga minha, sinto que dei um grande jantar, mas não comi. Gosto de sentir que as pessoas sentiram aquilo que senti, que não estou enganado, que a minha autocrítica condiz sempre com a crítica dos outros. E de facto isso notou-se. As coisas sentem-se.»

Óptima entrevista aqui.

Carinho

Gosto muito da forma tosca e algo abrutalhada como as «pessoas de idade», em especial os senhores, lidam com os afectos.

Outro dia no Intercidades, um casal de avós falava, babadíssimo, do neto Joãozinho. A meio da viagem, o pai do dito liga para o telemóvel da idosa, que fala de forma amorosa com o petiz, antes de passar o telefone ao marido.

Depois de muita conversa, eis que o avô se despede desta incrível forma do neto Joãozinho:

«Então um beijinho, um abraço e uma ferradela no cachaço!».

Imposível não sorrir.

O país na paragem

Há alguns dias, vi na paragem da Vimeca, em Paço de Arcos, um velhote a queixar-se do atendimento no seu centro de saúde - das análises que o mandaram fazer, da mudança de data das mesmas e de tudo à volta.

Se já a mim tais burocracias aborrecem, imagino a alguém cujas mãos - ocupadas por uns saquitos do Pingo Doce - tremem mais do que deviam.

A páginas tantas, as duas senhoras que compõem a audiência do velhote interpelam-no para perguntar se é de dores que ele se queixa. E eis que o homem, lapidar, riposta:

«Não é dores! É a cabeça, que virou!».

Psicanálise colectiva e gratuita logo pela manhã - não é de desdenhar.

Abram alas...

... para o regresso do meu moço aos blogues. É aqui mesmo, não precisam de ir mais longe.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Diaby

No competitivo mercado dos bruxos e adivinhos, a diferenciação de produtos é um trunfo de valor. O Professor Diaby - belo nome, logo a começar - sabe disso e oferece, além dos serviços mínimos do seu métier (ajuda com problemas sentimentais, maus olhados, drogas «ou outros vícios maiores») aquilo que me parece ser uma novidade: «efectua trabalhos com CADEADO VERDE, técnica simples e eficaz que faz voltar ao domicílio conjugal uma esposa ou marido».

Diz o meu moço, que descobriu o panfleto do Diaby, que a dita técnica deve consistir em capturar a esposa ou o marido arredios e trancá-los numa sala fechada a cadeado verde. Ou terá antes a ver com o «café verde» em manteiga e whiskey da minha companheira de camioneta?

Temo que possamos nunca vir a saber.

Sinais exteriores de Primavera

Malmequeres rosados, azedas sempre sorridentes, as amendoeiras da Menina Alice, ainda que atordoadas com a chuva, e uma brisa morna que, de um dia para o outro, tornou o casaco num empecilho - tudo nos leva a acreditar que, mais do que um rumor do calendário, a Primavera existe e está aí a chegar. A Mary também já deu por ela.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Parece confuso mas nem é

Uma vez por outra, consigo perceber o que é que as pessoas têm na cabeça quando pensam que eu tenho um emprego muito excitante. Na maioria dos dias é um trabalho como qualquer outro trabalho sem horários certos, grande estabilidade ou remuneração exuberante. Até ao dia em que me sento frente à Diana Krall e ela me elogia efusivamente as sapatilhas Nike compradas nos saldos há mais de um ano (e sabe Deus o que me custa andar com elas; aleijam-me à frente e só por orgulho - afinal, ainda custaram 30 euros - não me livrei delas).

Mas eu devia saber que ter uma diva do jazz a desfazer-se em mimos perante a minha modesta presença («Deves ser muito boa pessoa», diz ela a certa altura, não me perguntem porquê) era apenas a continuação natural de um dia que, desde cedo, prometera.

À saída da camioneta, cruzei-me com uma senhora que trabalha no mesmo edifício que eu e que, apesar de não conhecer o seu nome ou função, certa vez me deu boleia de táxi.

Desta vez, apeteceu-lhe contar que, no café onde tomara o pequeno-almoço, serviu de intérprete a uma senhora que insistia que o empregado lhe tirasse um café «à francesa».

Por ter vivido muitos anos em Paris, a senhora sabia que o que a imigrante (ou turista?) queria era um café muito torrado. E aproveitou para lhe explicar que café bom, mesmo bom, era o verde (!), comprado numa loja da especialidade da Baixa. Prepara-se numa frigideira com um pouco de manteiga e de whiskey (bem, este é apenas o primeiro passo da confecção, não memorizei tudo).

«A senhora percebe mesmo de café!», terá a francesa exclamado, estupefacta. «Pois claro, os meus sogros são produtores de café», confidenciou-lhe a minha interlocutora. Penso que esta era a punch line da história, e foi por causa deste intercâmbio cultural que a senhora perdeu a camioneta directa para o trabalho.

Antes de sair do elevador, fiquei ainda a saber que, por ter viajado muito, a minha colega não é dada a esquisitices gastronómicas. Entre as iguarias que já provou constam macaco e cobra.

Antes da entrevista da Diana Krall, apanhei um taxista que, tendo-me ouvido a balbuciar duas ou três frases, de imediato berrou: «VOCÊ É DO PORTO?».

Depois contou-me tudo sobre os seus dois filhos - espertíssimos, embora um tire 18 e outro «apenas» 16, ambos no Técnico; sobre as pessoas da Microsoft que já transportou e lhe prometeram emprego para o mais velho, que em vez de trabalhar preferiu tirar um doutoramento; sobre os planos deste mesmo dotado mas acabrunhado filho «casar tarde» («diz que paga a casa e a alimentação mas que tão cedo não arranja namorada»), e sobre uma filha que não conhece o pai.

É «a cara chapada do irmão mais velho» e fruto de uma relação do senhor taxista - na altura em que era barman - com uma advogada da Madeira, casada. A filha tem menos dois anos que eu («você parece mái nova!») e tirou Medicina em Coimbra. Em homenagem ao pai incógnito, Carlos Alberto, chama-se Carla.

«Esta história que lhe estou a contar a si já a contei à Catarina Furtado!», exclama, excitado. «Ela quis logo anotar num bloco de notas mas eu não deixei».

Só por isso, já mereceria todo o meu respeito. E sempre ajuda a relativizar o facto de a mulher do Elvis Costello me ter dado toda uma nova confiança no meu calçado (onde, mal sabe ela, na véspera me tinha caído um pedaço de sopa).

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Boa Noite e um Queijo

Há que dar valor a quem sai de casa numa noite húmida e gelada só para levar a passear as suas músicas favoritas. Ou se calhar nem por isso, mas finjam que sim. O Boa Noite e um Queijo mais fanhoso da história ouve-se aqui.

Mais longe

Estas bandas (as boas) têm sempre vídeos totós, mas ainda assim aqui deixo o de «Four Provinces», dos Walkmen. Há qualquer coisa na forma como o Hamilton Leithauser (ah, nome de homem!) diz «every bone in my body / broken one time or two» que me leva para outro sítio qualquer. O que é bom.


(e eis que descubro que os vídeos da pitchfork me rebentam com as paredes do blogue. Fica o linque directo, que remédio.)

Aviso

Afinal, o sonho febril da outra noite não era um delírio, mas sim um aviso. Os bilhetes para ver o Bandido nos Sentados esgotaram num ápice e por pouco ficava em terra. Graças ao meu home, porém, tanto eu como a minha parceira de todas as ocasiões - e, obviamente, destas também - já temos assento garantido em Santa Maria da Feira. No Dia dos Namorados!

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Sonhos, outra vez

Bem sei que voltei da minha visita-relâmpago à outra capital ibérica com uma constipação de caixão à cova e muita febre, mas mesmo assim não deixo de considerar, hum, insólito ter sonhado - num daqueles sonhos que são mais delírios do que outra coisa - que o Bruno Aleixo entrevistava o Manel Cruz.

Ainda por cima, e como sempre me acontece nestes sonhos promissores (os que envolvem passeatas, gente interessante, comida que nunca provei, etc), por várias vezes estive quase a conseguir ver o vídeo, e o melhor que conseguia, em todas essas ocasiões, era acordar ensopada em suor e completamente atordoada.

Faltam menos de duas semanas para os Sentados!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Sonhos

Hoje sonhei que morriam o Andre Agassi e o Fidel Castro (no mesmo dia, não juntos).

Também sonhei que estava na esplanada de um restaurante imaginário na Rua do Carmo, à espera de uns amigos, e que o empregado de mesa, especialmente antipático, suspeitava que eu e o meu moço lhe queríamos roubar os frascos de mostarda e ketchup. Contudo, minutos mais tarde já tentava convencer-nos a fazer «uma refeição a sério», se estivéssemos dispostos a «gastar algum dinheiro» com uma mariscada.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Como se fosse a primeira vez

A chuva, o nevoeiro cerrado, a viagem de autocarro pelo verde de Monsanto - e as vozes na minha cabeça que, ao acordar, me disseram para ir buscar isto outra vez.



Cada vez melhor.

Pregões

Há pessoas que me deixam a pensar: «mas como é que ele/ela ganha a vida?».

É o caso da senhora que, todos os dias, ao cimo das escadas da estação de comboio de Paço de Arcos, apregoa exactamente a mesma coisa. A saber:

«Coliiinha, pensos, pilhas e pomadinha para as dores. Dá sempre jeito para ter em casa».

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Crueldade para com animais

Eu, que dou bom uso aos dentes caninos comendo de quando em vez um bom bifito, não consegui deixar de sentir uma pena algo hipócrita, mas ao mesmo tempo genuína, das vaquinhas que os senhores do Turismo dos Açores plantaram no meio da Praça de Espanha, para efeitos promocionais.

Passei lá ontem de carro, no regresso do Boa Noite e um Queijo, e entristeceu-me que, depois de um dia rodeadas de carros e poluição, as vaquinhas pernoitassem ali ao frio, encostadinhas uma à outra, quem sabe para se aquecerem.

Outros casos de crueldade para com os animais, menos evidentes mas nem por isso menos graves:




(é impressão minha ou o raio do bicho é quase tão grande como a arara que o segura?)

Ambição

Esta manhã, duas velhas conversavam no autocarro. Assunto do paleio: o filho de uma delas. Retive sobretudo esta passagem:

«E ele ainda está na Marinha?»
«Está!... E há-de estar - se Deus quiser - toda a vida. Que é para ter direito à reforma».

(O filho estava na Marinha desde os 18 anos, altura em que «foi para a tropa». Agora tem 40 anos. Pelas minhas contas também casou novo, pois a senhora sua mãe aproveitou o rendez-vous com a outra velha para se queixar que há 16 anos que todo o santo dia corre para casa da nora - «primeiro era por causa dos filhos, agora é por causa dela...», acho que foi esta a sua explicação, envolta nuns rosnares que não deixam margem para dúvidas: a nora é certamente uma naba que nada sabe fazer.)

Tempos idos

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