É um pau de dois bicos, a recorrente questão da eterna juventude e fenómenos associados. Se por um lado quem leva a vida com um sorriso de invariável despreocupação angaria, obrigatoriamente, algumas invejas, por outro arrisca-se a ser rotulado de imaturo, inconsequente ou simplesmente tolinho.
Mas não há como negar que uma boa dose de inconsequência ou até proto-demência, muito de vez em quando, é um poderoso anti-rugas mesclado de anti-depressivo e suplemento vitamínico. Só assim, com este palavreado médico todo, se consegue explicar que, depois de dormir três horas e pico e de estar a puxar pela cabeça até às quatro da matina, esta manhã me sentisse tão enérgica. Acho que até sonhei com o Chico Buarque.
Agora é tarde para negar - agora que a minha pobre figurinha ficou imortalizada em pelo menos um vídeo do YouTube e umas quantas fotografias inesperadas. Agora que berrei o Abel de braço dado com a Sandra, que assisti à muito profissional preocupação da Menina Alice com a jornada laboral que se avizinhava, que abracei um amigo que fez das tripas coração para chegar ao epicentro a tempo, que partilhei ansiedades de índole diversa com a mana e a vi, luminosíssima, a cantar uma das melhores letras de sempre horas depois, o sorriso a encher a sala toda. Agora que fiquei amuada por me desencontrar do mano e triste por, no meio da minha euforia, me encontrar com a sua desorientação; que interrompi conversas civilizadas para partilhar, aos berros, entusiasmos sem palavras; que rejubilei com os pareceres persuadidos de gente entendida e racional; que quis ligar a meio mundo com quem ainda não partilhei toda esta vida, a dar a boa nova.
É tarde para negar toda a devoção que por aqui corre, pulsante, tarde para dissociar letras de amigos, amigos de canções, canções de desejos, desejos de recordações. A Ali pensava que era «full of spiders» e eu «come on let me call you love» e o mano enxuga os olhos, que eu bem vi, com as mesmas mãos com que praticamente esganará os rapazes por fazerem ouvidos moucos ao «I'm getting nervous» que entoa há nove meses, prenho de esperança. Eu sonhei que via um papagaio azul no meio da rua e pensava nos «blue birds» de tantas letras, o rapaz que impediu que o Matt caísse nas doutorais tinha uma t-shirt igual à minha, engomadinha e tudo, o padrinho JG ficou de papo cheio, em Domingo de outras emoções. Dia de aniversário, manhã de funeral, conquistas e despedidas, a vida toda a fazer um sprint em 24 horas.
O que faz uma banda especial? Ter gente dentro. E nesta, por muito que tentasse, eu já não conseguia pôr mais ninguém. Toda eu vivo lá.
Segunda-feira, Maio 12, 2008
Ainda estou lá
Segunda-feira, Maio 05, 2008
Crise existencial
Quer-me parecer que, mais do que uma crise desportiva, é uma crise existencial a abalar o Benfica.
Depois de o Luisão salientar a sua pertença ao género humano - «o Luisão também é um ser humano», lembrou ele numa «flash interview» - hoje ouvi o Nuno Gomes mandar um recado aos comentadores da bola. «É que eu estou vivo», revelou ele em primeira mão, aos repórteres que o rodeavam.
Domingo, Maio 04, 2008
No thinking for a little while
Olhai como a boa gente do deserto da Califórnia aquece a banda para nós:
Menina Alice: uma semana e cinco minutos.
(e a dica a não ignorar, nesta canção, só pode mesmo ser: no thinking for a little while. No thinking for a little while, No thinking for a little while, No thinking for a little while - há ciência neste pedido)
Domingo, Abril 27, 2008
Paparoca vistosa
Para dar um pouco de colorido ao blogue, eis uma selecção de pratos confeccionados recentemente pela vossa amiga, e com poucas probabilidades de agradar à doutora da Menina Alice (que, apesar de nunca me ter posto a vista em cima, passou já a fazer parte dos meus pesadelos...).
Sexta-feira, Abril 25, 2008
O triunfo dos pássaros
Há um pavão, que eu em tempos fotografei, que gosta de trocar o Jardim Botânico da Ajuda onde habita por alguns poisos vizinhos. Outro dia avistei-o em cima do muro do jardim, dias mais tarde empoleirado no telhado (!) de uma casa vizinha.
Em Paço de Arcos, há uma senhora de idade que se passeia regularmente a pé, acompanhada do marido. Ele leva uma bengala, ela tem um papagaio pousado na mão. Nunca consigo perceber se o bicho está preso por uma corrente ao pulso dela ou se se habituou a não fugir, mas não deixa de ser das parcerias mais exóticas que me têm sido dadas a observar.
Fado nocturno
Estava eu outro dia muito refastelada a tentar encontrar virtudes no Instinto Fatal 2 - aquele corte de cabelo não nasceu para a cara da Sharon Stone - quando um inesperado fenómeno musical irrompe na minha rua.
A Amália Rodrigues, e julgo que não estou a inventar, começa a ouvir-se alto e bom som, cantando «Tudo Isto é Fado». Era meia noite e meia. Vou à janela tentar perceber se alguém pôs o auto-rádio em altos berros ou se apenas abriu a janela de casa, partilhando com o resto da rua a sua tardia escolha musical. Não vislumbro sinais de uma ou outra coisa.
Entretanto, a música acaba, chega o camião do lixo, por si só capaz de abafar qualquer nova ousadia fadística, e quando parte deixa atrás de si a rua no costumeiro silêncio.
25 de Abril na RTP
No telejornal da RTP, o 34º aniversário do 25 de Abril dá origem às mesmas reportagens - deprimentes - de sempre.
Das duas uma, e isto acontece desde que me conheço e que conheço os serviços noticiosos do canal público: ou está mau tempo, as pessoas não fazem nenhum e entram umas imagens de arquivo, ou faz sol, o povo enche as praias e lá vão os repórteres, todos empertigados, aborrecer os veraneantes de Abril.
E o que foi o 25 de Abril? Bom ou mau? Tem a certeza, não quer usar a ajuda de casa? Sempre a mesma conversa, com a pequena agravante de, ano após ano, os inquiridos parecerem cada vez mais ignorantes e/ou esquecidos da razão que lhes permite não trabalhar naquele dia.
Também me apoquenta a pitadinha de moralismo, sempre implícita nas perguntas dos repórteres. Então é 25 de Abril e está na praia? Tem algum jeito, não devia estar a desfilar de bandeira na mão e cravo na lapela?... Coitados dos cidadãos, já lhes basta a burrice e a celulite à vista de todo o país.
Era bonito que algum dos senhores ou senhoras respondesse de volta: então e vocês que são o canal público, hein, a seguir a mostrar esta reportagem vão passar um «tutorial» sobre o 25 de Abril protagonizado pelo Guilherme Leite? Acha bem, acha?...
Sexta-feira, Abril 18, 2008
A arte do título
Muito me ri com este texto que o Jorge Mourinha publicou no jornal Público, na passada Segunda-feira.
O título (de documentário!) "Total Selvagem: Cabras Desmaiadas?", então, vai ser daquelas «muletas mentais» a que irei recorrer sempre que quiser evitar chorar no cinema, por exemplo.
Fim de intervalo
Não tenho tido muito tempo nem cabeça para alimentar o Sofá Verde, apesar de frequentes vezes posts inteiros surgirem na minha cabeça, com imagem e tudo. É o que eu digo - tudo será mais fácil (e menos sossegado) quando inventarem um cabo USB para ligar os nossos humildes cérebros aos infalíveis PCs.
Retomo, timidamente, actividade com uma sugestão musical. É um rapaz americano pouco mais velho que eu, acaba de lançar o terceiro álbum ("Dropping The Writ") e chama-se Cass McCombs. À primeira escutadela parece «apenas» um novo Elliott Smith, mas à medida que lhes damos trela, músicas como «Lionkiller», «Pregnant Pause» ou «Full Moon Or Infinity» deitam as garras de fora. É um belo disco, do qual infelizmente não encontro amostras (áudio ou vídeo) de interesse para vos mostrar. Em breve, passem por aqui outra vez, que vos dispenso um linquezinho amigo.
E AÍ ESTÁ ELE: é só clicar no linque para aconchegarem no vosso PC o mp3 da música «Windfall». Beleza para dar e vender.
Terça-feira, Abril 15, 2008
Grande plano
Uma foto de Dona Shiva I serve sempre às mil maravilhas como desbloqueador de conversa.
Ei-la aqui, fotografada para a capa da Vanity Fair.
A emissão neste blogue será retomada o quanto antes.
Quinta-feira, Abril 03, 2008
Terça-feira, Março 25, 2008
Explosão floral
Num discurso proferido durante a deslocação que compreensivelmente apoquenta a Menina Alice, Cavaco Silva explicou que o tempo passado em Moçambique com a mulher o marcou - também - pela beleza da rua onde viveram. O facto de a dita artéria se chamar «Princesa Patrícia» influenciou, até, o casal na hora de baptizar a filha. Segue-se uma descrição emocionada (na medida do possível - estamos a falar do Cavaco Silva) sobre a «explosão floral» que caracterizava a Rua Princesa Patrícia.
Explosão Floral. Será que o senhor que escreve os anúncios do champô Herbal Essences anda a fazer um part-time tratando dos discursos do Presidente da República?...
Segunda-feira, Março 24, 2008
Limpeza de Primavera
Nada que se apresente, esta modesta remodelação, mas mudei - por fim! - a lista dos discos que ando a ouvir e os linques dos blogues amigos. Alguns mudaram de casa e voltaram à actividade - três vivas a essa boa nova.
Mais frases
A época pascal também foi fértil para o meu Pai. As miúdas a dormir à porta do Atlântico, para verem os Tokio Hotel, estariam - se fossem filhas dele - a «asfaltar estradas». O Sportingue perdeu com o Setúbal porque o Paulo Bento (além de ser um maricas e estar sempre «a coçar o nariz» nas conferências de imprensa) tem «vergonha» de pôr os jogadores, nomeadamente o Liedson, a treinar penalties. Quem dera aos leões ter um treinador como o Jaime Pacheco (de quem o meu Pai já disse cobras e lagartos, ao longo de vários anos) - pode ser caceteiro mas pôs jogadores «que só foram para o Boavista porque tinham fome e queriam comer maçarocas» a jogar mais ou menos. Por falar em regimes alimentares, a desgraça do SCP é, claramente, da responsabilidade do Miguel Veloso e do «cu gordo!» que ostenta desde a colaboração com a estilista Fátima Lopes (o meu Pai é que diz, atenção - eu nunca olhei para o rabo do futebolista).
Não reparando que a chávena que o jornal Record trazia de brinde era não só uma chávena do Sporting, como uma chávena do Miguel Veloso, a minha Mãe ofereceu o dito souvenir ao meu Pai. O homem ignorou o ódio de estimação ao jogador de rabiosque adiposo e prometeu estimar a caneca. Pouco depois, viria a parti-la sem querer, quando tentava perceber porque é que as cápsulas da máquina de café não estavam a rebentar. «Rai's partó dia em que se comprou [ele comprou, portanto] a máquina!».
Não é preciso ser cientista genético para encontrar aqui um padrão (ver post abaixo).
A frase desta Páscoa
Desta vez até tinha razão para se queixar, mas nem por isso a frase com que a minha Avó cunhou esta Páscoa perdeu em imaginação, intensidade ou respeito pelo Criador.
«Rai's partam o Domingo de Páscoa! Senhor me perdoe».
Sotaques
Adoro quase todo o tipo de sotaque, com a notável e julgo que justificada excepção do «sotaque» castrado de tantas adolescentes da Grande Lisboa, que substituem o final das palavras com um sarrabisco sibilado («portantss», «deitadz»... A circunflexização que fazem das vogais também me dá volta ao estômago, mas essa é outra história).
Mas aparte essa praga, palavra de honra que adoro sotaques. Por que razão me eriçará tanto, então, ouvir um rapaz com forte sotaque madeirense? Será que o referente é demasiado forte para eu conseguir apreciar apenas a fonética?...
Terça-feira, Março 18, 2008
Queijo esta noite
Depois de uma semana de reflexão, o Queijo volta esta noite à Rádio Zero. É só rumar a radiozero.pt por volta das 22h, se nos quiserem fazer companhia.
O meu jardim oriental



