sábado, 23 de setembro de 2006

NY, duas semanas mais tarde

Aos 28 anos, sem estar à espera nem fazer nada por isso, fiz algo que imaginava só ser possível muitos anos e muitos subsídios de férias mais tarde: atravessei o Atlântico e visitei, pela primeira vez, a América.

Foram três dias com um serviço (entrevista a careca famoso) pelo meio, mas chegou para me deixar encantar por uma cidade que é muito mais do que isso. Como tentei explicar abaixo, se Londres é um elegante fogo de artifício, Nova Iorque, com os seus ziliões de quilómetros (sobretudo em altitude), cheiros (muitos deles horrendos), ruídos (a toda a santa hora) e pessoas em infatigável trânsito, só pode ser comparada a uma explosão atómica. Caminhar pelas ruas de Manhattan é um atentado aos sentidos, permanentemente despertados pelo tamanho das limusines, ou pelo aspecto sou-boa-demais-para-o-Sexo-e-a-Cidade das transeuntes mais ricaças, ou pelos irrecusáveis pretzels, bagels e companhia, ou ou...

Fiz Central Park quase todo a pé, num Domingo de manhã, descobri a mal-cheirosa e frenética Chinatown por acidente, à noite, e logo de seguida derreti-me com os aromas e as luzinhas meigas de Little Italy. Um São João em plena Nova Iorque? Sem ter posto lá um dedinho de pé que fosse, já sabia, como toda a gente, que Nova Iorque é muitas cidades ao mesmo tempo. Mas a confirmação, na prática, de tal lugar comum deu-me adrenalina para continuar a calcorrear as ruas da Big Apple, ignorando dores nas pernas e as horas tardias que já seriam em Portugal.

A cada passo há uma «photo opportunity» - e eu que só levei um cartão na máquina digital... A cada esgar mais desorientado aparece alguém que nos pergunta se estamos bem, se precisamos de ajuda ou direcções - sem ser preciso pedir. Isto aconteceu várias vezes, quer nas zonas mais abastadas da cidade quer nas que mais se aproximam da nacional «xungaria». Quando eu e o meu colega procurávamos a rua do CBGB's, por exemplo, um velhote veio ter connosco, a perguntar o que queríamos daquela zona. «É que aquilo agora é só winos», alertou-nos ele. Que tivéssemos cuidado.

Esta disponibilidade permanente é, talvez, a impressão mais forte que trago de Nova Iorque. Explicaram-me que, por lá, os empregados de mesa não ganham um salário, mas sim um seguro de saúde e o que recebem em gorjetas. Será isso que os faz cumprimentar toda a gente com um sorriso e esmerar-se no atendimento? Provavelmente. Mas acredito que existe, naquela maneira de ser nova-iorquina, uma apetência muito especial pela rapidez, pela eficácia, pelo ser «despachado» e expedito que supera a compreensível corrida ao dólar. A cidade e todos os seus milhões de habitantes, de todas as cores, tamanhos e idades (vi muitos idosos a passear, auxiliados por complicados derivados de bengalas), parecem viver com uma ideia em mente. Ou antes, com uma missão. E é essa missão que mantém Nova Iorque a vibrar, a zumbir, a fazer tique-taque 24 horas por dia, como um gigantesco coração.

(queria pôr aqui umas imagens, mas o blogger não está a colaborar...)

4 comentários:

Anónimo disse...

winos?

lia disse...

Bêbados, mulher :D

E a máquina de selos de Paço de Arcos está também estragada... oh sorte macaca...

Petra disse...

:)
Um dia vamos lá as duas e eu dou-te uma entrevista exclusiva a falar da minha digressão mundial. :D

Fio de Beque disse...

acho que me acabaste de convenver na procura de um novo destino!!!

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