segunda-feira, 12 de setembro de 2005

Conhece o Gael?

A Eunice do recém-nascido Abotoa-te diz que vem ao meu blog todo-o-santo-dia e que tem direito a protestar (pela falta de posts, completa, mas eu acho que, por ser quem é, tem direito a protestar contra o que quiser).

Concordo.

Agora sinto-me obrigada a ter uma historinha para contar diariamente... felizmente, os malucos não têm largado o meu pé, nestes tempos mais recentes. Na Sexta-feira, estação de Santa Apolónia:

Eu - Queria um bilhete no próximo Intercidades para o Porto, por favor.
Senhor começa a tirar o bilhete
Eu - Olhe, desculpe, o lugar é para não fumadores, não é?
Senhor, sorridente - Sim, sim. Para não fumadores, à janela, de frente... quer o Tom Cruise a seu lado?...




(dispenso, tal como dispensava o casal de brasileiros com o James Brown no toque de telemóvel e os pés descalços no assento em frente. Na viagem de regresso, apanhei numerosos betos em digressão inseridos numa qualquer colectividade dividida em subgrupos como Camaleões, Dinossauros e Gambosinos. Alguém sabe o que possa ser? Fiquei doente de curiosidade!)

Coming of age

A garganta a arder, o sal na cara, um chorinho silencioso. Engraçado que tenha sido uma coisa destas (não o jogo, nem o discurso do final, mas mais as imagens de «retrospectiva» de carreira que encerraram a transmissão) a traçar na minha cabeça uma sensação tão precisa de mudança de era.

Obrigada uma vez mais, a sério.

domingo, 11 de setembro de 2005

AA Anónimos

Em tempos falei aqui na paixão avassaladora que nutri - e que na realidade ainda me move para muita coisa... - pelos Ornatos Violeta. Penso que não lhe chamei a minha maior devoção histérico-mediática; é que se o fiz, terei de repôr a verdade das coisas. Os Ornatos foram parte de leão da minha vida, mas continuam a viver na sombra do grande... Andre Agassi.

Dos 12 anos em diante torci desesperadamente por aquele a quem hoje todos chamam «veterano», «experiente» ou mesmo «lendário». Ainda me lembro quando era o «perdulário», «inconstante» ou «perdido para o ténis» - e tenho os recortes de jornais para provar a evolução.

Porque comecei eu, uma pré-adolescente que nem das aulas de ginástica na escola gostava, a acompanhar os torneios do Grand Slam e a ansiar pela secção do desporto do "Jornal de Notícias", nesses pré-históricos tempos sem Internet?

A princípio, e naquele que terá sido o mais fulminante caso de amor à primeira vista da minha infância, porque apanhei um jogo das meias-finais de Roland Garros, em 1990, no segundo canal, e fiquei deslumbrada. Pelo cabelo (sim, gente nova, havia e muito!), pelas roupas coloridas, pelo olhar do senhor que, então com apenas 20 anos, carimbava a primeira passagem à final do torneio parisiense. Perdeu. Fiquei triste. Hoje, quem se lembrará do colombiano Andrés Gomez? OK, eu. Mas já nessa altura não era muito normal.

Faltavam-me também a esperteza e os meios para acompanhar decentemente a competição, pelo que só me lembro do US Open que se seguiu (perdeu, para o Pete Sampras) e do regresso à final de Roland Garros, um ano depois, para lerpar frente ao Jim Courier (vi-o ontem na televisão, está igual - ou seja, uma versão beta do Josh Homme, dos Queens of the Stone Age).

A partir desse reencontro, a minha vida mudou. Ganhei aqueles comportamentos referidos acima, tentando saber sempre por onde andava o homem, com quem ganhava e perdia jogos, que tropelias extra-ténis lhe atribuíam. Chorava de tristeza ultra genuína com os desgostos, e acreditava nos jornalistas que diziam que, graças à sua inconstância, nunca ganharia qualquer torneio dos grandes.

Wimbledon de 92 foi assim uma data mágica. Acho que me consigo lembrar com pormenor de todos os passos que dei durante aquela quinzena em que o improvável - ganhar em relva, a mais particular das superfícies - aconteceu ao então Kid de Las Vegas. Gastei mais de mil escudos em jornais e revistas que ainda hoje guardo, num dossier que não consigo encarar como tolo. Eu vivia aquilo. Para aquilo. Se calhar é ao senhor campeão que devo imputar a culpa de, enquanto as minhas amigas deliravam com as bandas do momento ou os pin ups de Hollywood, eu pouco acompanhar tais artes. A maluqueira com que seguia o circuito (e mais jogos não via porque TV Cabo era, ainda, uma realidade distante) ocupava-me o tempo e o coração, não havia força para mais paixões.

Só nos últimos três ou quatro anos abrandei um pouco o ritmo. É preciso ver que o senhor entretanto assentou (abençoada Stefi, por isto e aquilo), a idade começou a pesar e os torneios em que participa a rarear. Mas sei que continua tudo lá, com a mesma chama. Hoje é Sábado: vi-o ganhar, jogando mal, a um estreante de nome Robby Ginepri. Amanhã, será com toda a certeza torturado pelo Roger Federer, o rei do ténis actual. Mas na madrugada de Quarta para Quinta, fiquei em casa do meu batato para ver, das 03h às 06h, a inacreditável partida entre o simpático ancião e o novato, e também com o seu quê de inacreditável, James Blake. Não exagerarei se disser que foi o jogo mais belo e emocionante que vi. Pela primeira vez em 15 anos, fiquei a pensar que o perdedor (também) merecia ter vencido. No final, o Andre (como é conhecido cá em casa, tamanha é a familiariedade) dizia que, para si, ganhar aquele jogo fora como arrebatar a final, e que o ténis era aquilo: respeito pelo adversário, paixão pelo jogo, incerteza até ao final.

Fiquei de sorriso incrédulo e pernas a tremer, olhando para o écran sem perceber se a resposta ao serviço tinha sido boa (o televisor estava sem som, não ouvia os guinhcos histéricos dos nova-iorquinos). A bola era boa, determinou o árbitro. Os adversários abraçaram-se na rede e Blake terá dito a Agassi que, se é para continuar a jogar assim... que continue por muito tempo.

Antes que chegue então a malfadada final com Federer, obrigada ao segundo canal por me ter mostrado aquele jogo, em 1990, e ao meu Pai por me explicar as regras do jogo. Durante anos, os desafios e os torneios ditaram o meu calendário pessoal e a perspectiva de um dia ver o homem jogar ao vivo enchia-me de esperança. Aconteceu nos Masters de Ténis de Lisboa, em 2002, e deu-me a oportunidade de dar um passou-bem ao meu herói. Valeu a pena quase ser esmagada por uma pequena multidão em busca de autógrafos, tal como valeu a pena ser fã dedicada e algo tresloucada durante este 15 anos, em que passei de menina a mulher e ele de miúdo carismático a jogador temido. Sem este garrido capítulo, a minha vida teria tido, sem dúvida, muito menos graça.

sábado, 13 de agosto de 2005

O Graf-Agassi da música portuguesa

(ligações conjugais aparte - Manuela & Manuel, fotos de Luís Bento e JP Almeida)





segunda-feira, 25 de julho de 2005

Despertares

Hoje de manhã acordei com a expressão «pousar no olhar de» na cabeça.

Sempre é melhor que acordar por ter batido a toda a velocidade com a cabeça na quina da parede, como me aconteceu de Sexta para Sábado. Au.

terça-feira, 12 de julho de 2005

Minipreço

Ontem comprei dois «produtos de beleza» no Minipreço. Sei que vou ficar muito desiludida, se dentro de duas semanas não me tiverem nascido umas quantas escamas verdes.

segunda-feira, 11 de julho de 2005

Go Kylie!

Tal como Londres, Kylie Minogue não perde o sorriso. É bom saber :)

sábado, 9 de julho de 2005

It's not going to stop

Vai fazer agora cinco anos que comecei a trabalhar. Depois de um pequeno e mandrião estágio numa empresa que nunca chegou a ir a lado algum, entrei na Rádio Renascença, por aquela que por muitos é considerada a porta do cavalo de qualquer serviço informativo: a Internet. Não me queixo. Gostei de lá estar, fiz amigos e aprendi o suficiente para querer sair e experimentar outros voos. Uma das coisas menos charmosas de trabalhar por turnos é ter de aguentar madrugadas, noitadas e fins-de-semana sem piar. Lembro-me bem dos Domingos de manhã: o Chiado quieto, aparte um ou outro noctívago de regresso cambaleante a casa, e as notícias a pingarem devagarinho no nosso sistema. Uma era sempre certa: quase até já podíamos ter um formulário para a dita.

«Atentado suicida em Israel causa ... mortos e ... feridos».

Bastava substituir os valores. Geralmente, os bombistas suicidas faziam-se explodir nas estações de camioneta onde se concentravam soldados israelitas, de regresso aos quartéis depois do fim-de-semana passado em casa. À força de tanto dar aquela notícia, comecei a inquietar-me com frequência com uma dentre muitas questões: como vivem aquelas pessoas? Sem tomar partidos... eu que podia ser confundida com uma árabe e tenho família judia... Todos os dias há atentados, todos os dias morre gente. Toda a gente já perdeu, sem dúvida, amigos, familiares, vizinhos. Como encaram aquelas pessoas a morte? De forma diferente, necessariamente - não? Como lidam com o medo?

Depois do regresso dos atentados terroristas ao mundo "ocidental", esta semana, dei por mim a pensar que, salvas as devidas distâncias, estamos mais perto de compreender o que vai na cabeça e nos corações dos habitantes de Jerusalém ou Belém.

quinta-feira, 7 de julho de 2005

You shall rise

Não sei se é por, durante toda a manhã, as imagens nos terem chegado em loop e, o que é mais importante, sem som. Sem as sirenes, portanto, e sem os gritos, os choros, o desespero palpável. Mas a verdade é que, mesmo com as constantes actualizações, a ideia que trespassa é a de uma cidade que responde a esta barbárie com uma "calma", uma serenidade tão-mas-tão dignas que não imaginamos possíveis em mais lado nenhum deste planeta em acelerado processo de auto-destruição.

És grande, Londres, muito grande - e erguer-te-ás em conformidade.

domingo, 5 de junho de 2005

Quizzando entre amigos

A minha comadre ali do estábulo ao lado propôs o desafio. Responder a cinco perguntinhas apenas, sobre os nossos hábitos audiófilos (sim, provavelmente não existe, mas hey... hoje é Domingo!).

Vamos lá tentar, pois.

1 - Tamanho total dos arquivos do meu computador?
Primeira resposta fora do baralho: como não tenho, ainda, Internet em casa, também não atafulho o computador com ficheiros de som! Mas esse dia, ouvi dizer, já esteve mais longe...

2 - Último disco que comprei?
Passemos então às respostas vergonhosas. Nos dias que correm, ouço tudo bem ouvidinho (e sacadinho) antes de comprar. Ordenados mirabolantes e despesas crescentes oblige... Assim sendo, só compro aquilo que me cai verdadeiramente no goto. Acontece que muitas vezes não encontro o que quero nas nossas lojas. O último sortudo foi o "Nashville", do Josh Rouse. E também este ano encontrei os discos que me faltavam do Nick Drake por uma pechincha!

3 - Canção que estou a escutar agora?
'You've Got A Killer Scene There, Man...', dos javardíssimos Queens of the Stone Age!

4 - Cinco canções que ouço frequentemente ou que têm algum significado para mim?
Eh eh, posso substituir por cinco canções que tenho ouvido com frequência nos últimos tempos, de álbuns igualmente imprescindíveis?

- 'A Nervous Tic Motion From The Head To The Left', Andrew Bird ("Andrew Bird and the Mysterious Production of Eggs")
Sei que ainda te estou a dever uma cópia, Mary, mas quando me despachar, vai valer a pena! O assobio mais imprescindível da pop desde o genérico do "Verão Azul"...

- 'Mary', Lou Barlow ("Home")
Tinha de encaixar o Lou Barlow algures. Podia escolher qualquer outra música deste álbum ('Round and Round', o tema-título...), mas decidi-me por esta como dedicatória a quem me lançou o repto do inquérito! Aconselho fortemente que se escandalizem com a letra, uma leitura muito... alternativa das origens do cristianismo. «Imaculate conception, yeah right...»

- 'Myopic Books', American Music Club ("Love Songs For Patriots")
O concerto no Alpinista obrigou-me a pegar outra vez no disco de regresso dos American Music Club e a perceber que é um dos álbuns de 2004. Esta música, cuja letra me parte aos bocadinhos, foi ainda mais brilhante ao vivo, com o grande e bom Eitzel a cantar sem amplificação na guitarra, junto do público. Adoro aquele homem e a sua voz, com quem qualquer pessoa (male or female) se casaria de bom grado.

- 'Doença do Bem', Clã ("Lustro")
Lembrei-me outro dia da existência desta música e ouvi-a vezes sem conta, até enjoar. Já regressei aos seus braços. Sempre gostei dos Clã e em especial da Manuela Azevedo, apesar de me irritar que o público dos seus concertos, muitas vezes, só reaja às mais que batidas 'Corda Bambas' e afins. O último disco, "Rosa Carne", é muito bom, e isso percebe-se lindamente se regressarmos a "Lustro", bastante mais desequilibrado. No entanto, há neste disco algumas boas músicas e uma música do carago, mesmo. Chama-se 'Doença do Bem' e tem letra de Manuel Cruz (que colabora com os Clã, também, em 'Amigos de Quem'). Mas é a 'Doença do Bem' que me enche verdadeiramente as medidas. Talvez a melhor música dos Ornatos nunca gravada por eles? Não sei, mas se ele escrevesse sempre assim e ela cantasse sempre como aqui, o mundo era bem melhor, olá se era...

- 'Construção', Chico Buarque ("Construção")
O maior fã nacional de Chico Buarque a seguir ao JP Simões diz-me que é uma vergonha que só em 2005 conheça este clássico de 1971. Não digo que não, mas enfim, mais vale tarde que nunca. Esta é uma das músicas mais avassaladoras que já ouvi e o poema não se descreve com palavras conhecidas dos mortais. Já me levou, esta descoberta acidental, a procurar bastante informação sobre o brasileiro. E acho que hoje vou passar pela FNAC... eis a resposta à pergunta que não existe neste quizz, «qual o próximo disco que vais comprar?».

5 - Lanço o repto a outros bloggers:
A Ampola Faz Pop ; Paulo Rico ; Laranja Amarga ; L'Ivresse de la Paresse ; Amigo Pop

quinta-feira, 26 de maio de 2005

domingo, 8 de maio de 2005

Coisas de escritório

Não gosto do mensageiro (aka messenger). Quando mo instalaram no computador do trabalho, julguei que ia finalmente passar a ser uma cidadã de pleno direito. Adeus, manhãs solitárias (mais ou menos), olá a um mundo novo em que todos trocam piadas e confidências com cara de quem trabalha afincadamente. Não podia estar mais enganada. Em primeiro lugar, o que tenho não é o MSN, como lhe chamam familiarmente os aficcionados, mas um tal de e-messenger, ou seja, mensageiro para e-stúpidos. Não consigo ver os smilies de que todos gostam, as conversas caem a todo o momento, a infelicidade generalizada e a eterna sensação de outcast permanecem. Depois, a própria lógica e dinâmica da coisa irritam-me. Sou capaz de levar a manhã ou o dia todo a trocar mails com alguém, e conciliar bem essa alcoviteirice com as minhas tarefas. Já o messenger obriga que esteja disponível quando não quero falar com ninguém. Leva-me a perder o controlo de uma conversa. Chamem-me conservadora, mas nestas coisas gosto de ser eu a tomar a iniciativa. Não gosto do messenger, tal como não gosto de conversas anárquicas sem pés nem cabeça, sem respeito pelo "direito de resposta", com tempos artificiais de entrada em cena. E não vale a pena recorrer aos alertas de "ocupado" ou "fui cagar", porque pelo menos no meu círculo de contactos... ninguém respeita. Até podia lá dizer "RIP" ou "já não mora aqui, devolver ao remetente", como fazem os CTT, que alguém me iria sempre lá desinquietar.

«Oi. Td bem?»

Ainda sobre o Papa

Estive a pensar que se calhar fui muito branda para com o novo Papa e a sua postura face à pop.

Decidi assim ilustrar o que realmente penso...

Cada Papa, sua sentença, e se de João Paulo II se dizia fumar "dope", de Ratzinger Bento podemos afimar que...

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Casa

Quando pensamos que já não é possível fazer nada de especial/surpreendente/tocante com voz e guitarra acústica, chega um disco destes. Em "Emoh", que obviamente é "Home" ao contrário (apesar de a mim essa evidência ter demorado a revelar-se), o homem que gosta de gatos faz músicas perfeitas para viajar, para estar ao sol, para nos declararmos satisfeitos (ou "sastifeitos", PR?) com a vida caseira e além fronteiras. Claro que nada disto cai dos céus aos trambolhões, e antes de chegar ao estado de arte de 'Holding Back The Year', a faixa que abre em grande este álbum, ou 'The Ballad of DayKitty' Lou Barlow fez pela vida e tornou-se um histórico do indie americano ao serviço dos Sebadoh e Folk Implosion. Para mim, e agora, é este álbum que vale. Perfeito para ouvir no trabalho, no carro (dos outros), em casa... ou simplesmente perfeito.

Um último agradecimento a quem mo deu a conhecer.

segunda-feira, 25 de abril de 2005

O novo Papa - breves considerações

Católica mais por criação do que por convicção, assisti como qualquer outro mortal à promoção do Cardeal Ratzinger ao cargo de líder da Igreja Católica. Brevíssimas considerações, agora que o fumo começa a dissipar-se...

1. Ratzinger, nome artístico Bento XVI, diz cobras e lagartos da pop/rock. Que é coisa devassa, dada a práticas estranhas e contrárias ao cristianismo, como o culto e a adoração. Se pudesse colocar uma só pergunta ao novo Papa, seria esta: o que é que não é cultura pop na Praça de S. Pedro repleta de fiéis que nem o cocuruto do Santo Padre conseguem avistar, nos trajes inutilmente faustosos, nos rituais simbólicos e desligados de significado concreto e imediato, na histeria provocada por uma pessoa (repito, como se fosse o João Malheiros, uma pessoa!) que se crê estar acima de todo o rebanho?

2. Talvez por João Paulo II ter sido Papa durante toda a minha vida, não sei se me irei habituar ao novo Sumo Pontífice. Para já, não gosto do nome. Parece nome de pesticida.

«Contra o míldio e o papão, Bento XVI na sua plantação!»

Boa (e blasfema) semana!

segunda-feira, 18 de abril de 2005

terça-feira, 12 de abril de 2005

Quando os ídolos procriam e são felizes

Uma gaja até se emociona.

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Obrigada, Célia, pelo link!...

Acrescento posterior: não sei o que se passou, mas as imagens deixaram de aparecer. Tentei repôr pelo menos duas delas, vamos lá a ver o que acontece...

terça-feira, 5 de abril de 2005

Nunca é tarde para descobrir... Ani

Ani DiFranco é nome que me habituei a ler, associado às artes do songwriting, mas no qual nunca tinha pousado os ouvidos, até este "Knuckle Down", lançado há pouco tempo pela Righteous Babe, editora fundada pela própria norte-americana, por causa «do cheiro das tintas», como diria o meu pai. Ani é, verdadeiramente, uma artista independente, e essa liberdade sente-se, cheira-se neste disco (com produção do meu mui estimado Joe Henry), mas também no facto de, aos 35 anos, a moça contar já com esta catrefada de discos. É o que dá não ter de prestar contas a ninguém.

Em "Knuckle Down", há guitarras acústicas e uma voz que começa a conquistar-me, mas também uma variedade curiosa de ambientes e - algo por que me pelo sempre - letras muito apetitosas. "Seeing Eye Dog" tem uma passagem que me deixou logo de orelhas em pé.

"With that winning combination of loyal and kind
Your eyes like wells to the water of your mind

I want to take a long, cool drink from your bucket
To every thought I could think now, I say fuck it"


Além disto tudo, Ani DiFranco tomou como protegido o genial Andrew Bird, cujo último disco, "The Mysterious Production of Eggs", me tem alegrado os primeiros meses de 2005. Parece-me portanto que não é tarde para perceber que gosto da Ani.

segunda-feira, 4 de abril de 2005

Ainda (e sempre), a panca

Pode estar a ser um ano estrambólico em termos profissionais, de organização de tempo, de saborear as coisas. Sinto tudo a passar-me ao lado - por uma nesga, uma tangente bem tirada, mas sinto. Seja como for, como não pode correr tudo mal, lá para as bandas do Porto continua a haver motivos para delírios antecipados.

Dia 10, ou seja, já no próximo Domingo, Elísio Donas, Nuno Prata, Peixe e Kinörm, aka os Ornatos sem Manel, tocam as músicas da banda-sonora d' "Os Amigos de Gaspar" e outras composições de Jorge Constante Pereira e João Lóio.

"Uma Amizade Assim", chama-se o espectáculo, e não me conseguiria lembrar de um nome mais perfeito para homenagear este disco do Sérgio Godinho, que encontrei em saldos, certa vez, por cinco euros.



Ah, o Manel não canta... pelos melhores motivos: será o grupo Meninos Cantores da Trofa a assegurar esse importante papel!

Mas quem quiser vê-lo, e ouvi-lo, dentro em breve, pode sempre ir ao Hard Club a 29 deste mês. Temos Supernada, outra vez, com a vantagem de o Nuno Prata abrir o concerto. Ou seja, o Prata «que é ouro» com guitarra e o Manel, que é o Manel, sem ela. Parece-me bem.

Aproveito para desabafar que me irritam as pessoas que dizem não gostar de Pluto, porque «Ornatos era melhor». Não gostar tudo bem, achar inferior na boa, agora o que me deixa fora de mim é que, quando pergunto: «Ah sim, então gostas de Ornatos? Viste-os naquela ocasião, e na outra, e ainda naqueloutra?», a resposta é invariavelmente: «Eeer... eu nunca vi os Ornatos ao vivo».

Sinto-me tentada a juntar-me ao meu colega Paulo Rico e citar...

Não faças
Deixa que aconteça
Agarra no momento para que não desapareça

Mediocridade

Muitas vezes lemos artigos sobre como a junção, no mesmo espaço, físico e/ou temporal, de mentes particularmente brilhantes e com afinidades evidentes dá resultados notáveis. Na música, os exemplos dos Beatles ou dos Rolling Stones serão, talvez, os mais falados. Recordo-me também, e por uma questão de proximidade pessoal, dos Faith No More, um exemplo delicioso porque, a essa fórmula de «génio mais génio dá genial», a banda de San Fran acrescentava a variante «odiamo-nos uns aos outros mas assim é que isto funciona».

Poucas vezes se fala, no entanto, na soma de várias mediocridades. Na música, o resultado pode não ser só mau; péssimo é, também, uma possibilidade, mas o que mais me diverte são aquelas bandas de virtuosos sem sentido de auto-crítica, autores de música que, se forem sinceros, reconhecerão que nem a si mesmos interessa, e se intrigam depois sobre as razões do seu fraco sucesso. Más ideias e falta de humor é, assim de repente, a pior combinação que consigo imaginar para um "casamento" artístico.

Mas vem tudo isto a propósito de algo que vi, na semana passada, de relance na televisão. Um resuminho da nova Quinta das Celebridades. Já nem vou questionar que celebridades são aquelas que, em 90% dos casos, nunca vi mais gordas, nem mais magras, com mais ou menos silicone. A questão é: como é possível reunir tanta mediocridade e falta de interesse num só sítio? Ou será que estas coisas são contagiosas e os mais broncos acabam por influenciar os restantes?

Sem paternalismos nem mania da superioridade, juro que me deixam a pensar: coitados dos bichos. E eu, como sabem, até gosto de ver má televisão.

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