sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

O espólio dela

Debato-me de há uns tempos para cá com uma aflitiva falta de espaço. Parece que, por muita papelada e bens não essenciais que deite fore ou recicle, a tralha se amontoa e multiplica nas minhas duas assoalhadas, deixando-me irritada só de para ela olhar.

Como os tempos não são propícios à desejada mudança para um T5 com jardim e arrecadação, tenho-me entretido, nestas mini-férias, a remodelar a casa (e não apenas o blogue, lá está).

Depois de, ontem, atacar os livros e cadernos da estante, hoje foi a vez de pôr de pernas para o ar o resto da sala, numa tentativa semi-conseguida de baralhar e voltar a dar.

Além de ter descoberto que tenho malas e carteiras em número suficiente para nunca mais me ter que voltar a «preocupar» com o assunto (ainda nestes saldos comprei uma nova), encontrei, ao arrastar o sofá para varrer lá atrás, uma inesperada surpresa: o espólio da estimadíssima, e desaparecida, gata Shiva.

Constam do seu legado: umas dez bolinhas de papel (era muito boa a apanhá-las ou socá-las, quando lhas atirávamos pelo ar, no imaginativo «jogo da bolinha»); duas ou três bolas de Natal (era doida pelos enfeites do pinheiro, empurrando-os pela casa à patada como quem joga hóquei, a pata a fazer de taco) e o famoso «rato pimentão», um dos seus brinquedos favoritos. É um ratito pequeno e pontiagudo, de cor vermelha, que ela atacava com grandes fúrias por breves segundos, antes de o bicho desaparecer, se preciso fosse, por semanas. Depois, sem que ninguém percebesse como ou porquê, ia buscá-lo de volta ao esconderijo secreto e tínhamos mais rebaldaria com o pimentão.

Apesar de todo esventrado, está claro que não consegui deitá-lo fora.

1 comentário:

Ricardo disse...

:|

(como te entendo... em tudo)

Tempos idos

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