quarta-feira, 7 de abril de 2004

A relatividade da tacanhez

A minha colega de casota, M. Wee, está zangada. Ou já esteve, há coisa de semanas, e partilhava essa indignação com a Mãe, que lhe ligou a contar que, no cada vez mais inescapável "Morangos com Açúcar", se haviam dito coisas menos simpáticas sobre a terra da Família Wee, Castelo Branco.

Emigrada para a dita cidade durante alguns episódios, a fim de trabalhar na «academia de dança de um amigo», a professora Madalena foi quem gerou toda esta confusão. Ao regressar, além de atazanar a vida do setôr Nuno, explicou que não se dera bem no Interior porque Castelo Branco é «um sítio onde toda a gente fala da vida uns dos outros, um meio muito tacanho».

Aquando do anúncio da partida da ruiva, recentemente virada morena, a minha flatmate foi a primeira a admitir que, em Castelo Branco, era improvável existir uma academia de dança. «Um ginásio e já é com sorte!», riu ela, na ocasião. Mas tacanhez?

Muito coerente, numa novela rodada na verdadeira metrópole que é Cascais. Um meio em que as alunas engravidam do pai da melhor amiga e vão viver com a directora do colégio; onde professores e estudantes frequentam os mesmos bares e cafés; onde há gente que vem do estrangeiro e abanca, sem justificação nem aparente lógica, na casa de pessoal que nem vai com a sua cara; onde as personagens centrais ora não se podem ver à frente, ora, dois episódios depois, parecem ter esquecido o que ficou para trás e passam a ser companheiros para a vida.

Perante este cenário, é difícil imaginar que Castelo Branco é que seja o «meio pequeno e tacanho».

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