domingo, 5 de junho de 2005

Quizzando entre amigos

A minha comadre ali do estábulo ao lado propôs o desafio. Responder a cinco perguntinhas apenas, sobre os nossos hábitos audiófilos (sim, provavelmente não existe, mas hey... hoje é Domingo!).

Vamos lá tentar, pois.

1 - Tamanho total dos arquivos do meu computador?
Primeira resposta fora do baralho: como não tenho, ainda, Internet em casa, também não atafulho o computador com ficheiros de som! Mas esse dia, ouvi dizer, já esteve mais longe...

2 - Último disco que comprei?
Passemos então às respostas vergonhosas. Nos dias que correm, ouço tudo bem ouvidinho (e sacadinho) antes de comprar. Ordenados mirabolantes e despesas crescentes oblige... Assim sendo, só compro aquilo que me cai verdadeiramente no goto. Acontece que muitas vezes não encontro o que quero nas nossas lojas. O último sortudo foi o "Nashville", do Josh Rouse. E também este ano encontrei os discos que me faltavam do Nick Drake por uma pechincha!

3 - Canção que estou a escutar agora?
'You've Got A Killer Scene There, Man...', dos javardíssimos Queens of the Stone Age!

4 - Cinco canções que ouço frequentemente ou que têm algum significado para mim?
Eh eh, posso substituir por cinco canções que tenho ouvido com frequência nos últimos tempos, de álbuns igualmente imprescindíveis?

- 'A Nervous Tic Motion From The Head To The Left', Andrew Bird ("Andrew Bird and the Mysterious Production of Eggs")
Sei que ainda te estou a dever uma cópia, Mary, mas quando me despachar, vai valer a pena! O assobio mais imprescindível da pop desde o genérico do "Verão Azul"...

- 'Mary', Lou Barlow ("Home")
Tinha de encaixar o Lou Barlow algures. Podia escolher qualquer outra música deste álbum ('Round and Round', o tema-título...), mas decidi-me por esta como dedicatória a quem me lançou o repto do inquérito! Aconselho fortemente que se escandalizem com a letra, uma leitura muito... alternativa das origens do cristianismo. «Imaculate conception, yeah right...»

- 'Myopic Books', American Music Club ("Love Songs For Patriots")
O concerto no Alpinista obrigou-me a pegar outra vez no disco de regresso dos American Music Club e a perceber que é um dos álbuns de 2004. Esta música, cuja letra me parte aos bocadinhos, foi ainda mais brilhante ao vivo, com o grande e bom Eitzel a cantar sem amplificação na guitarra, junto do público. Adoro aquele homem e a sua voz, com quem qualquer pessoa (male or female) se casaria de bom grado.

- 'Doença do Bem', Clã ("Lustro")
Lembrei-me outro dia da existência desta música e ouvi-a vezes sem conta, até enjoar. Já regressei aos seus braços. Sempre gostei dos Clã e em especial da Manuela Azevedo, apesar de me irritar que o público dos seus concertos, muitas vezes, só reaja às mais que batidas 'Corda Bambas' e afins. O último disco, "Rosa Carne", é muito bom, e isso percebe-se lindamente se regressarmos a "Lustro", bastante mais desequilibrado. No entanto, há neste disco algumas boas músicas e uma música do carago, mesmo. Chama-se 'Doença do Bem' e tem letra de Manuel Cruz (que colabora com os Clã, também, em 'Amigos de Quem'). Mas é a 'Doença do Bem' que me enche verdadeiramente as medidas. Talvez a melhor música dos Ornatos nunca gravada por eles? Não sei, mas se ele escrevesse sempre assim e ela cantasse sempre como aqui, o mundo era bem melhor, olá se era...

- 'Construção', Chico Buarque ("Construção")
O maior fã nacional de Chico Buarque a seguir ao JP Simões diz-me que é uma vergonha que só em 2005 conheça este clássico de 1971. Não digo que não, mas enfim, mais vale tarde que nunca. Esta é uma das músicas mais avassaladoras que já ouvi e o poema não se descreve com palavras conhecidas dos mortais. Já me levou, esta descoberta acidental, a procurar bastante informação sobre o brasileiro. E acho que hoje vou passar pela FNAC... eis a resposta à pergunta que não existe neste quizz, «qual o próximo disco que vais comprar?».

5 - Lanço o repto a outros bloggers:
A Ampola Faz Pop ; Paulo Rico ; Laranja Amarga ; L'Ivresse de la Paresse ; Amigo Pop

quinta-feira, 26 de maio de 2005

domingo, 8 de maio de 2005

Coisas de escritório

Não gosto do mensageiro (aka messenger). Quando mo instalaram no computador do trabalho, julguei que ia finalmente passar a ser uma cidadã de pleno direito. Adeus, manhãs solitárias (mais ou menos), olá a um mundo novo em que todos trocam piadas e confidências com cara de quem trabalha afincadamente. Não podia estar mais enganada. Em primeiro lugar, o que tenho não é o MSN, como lhe chamam familiarmente os aficcionados, mas um tal de e-messenger, ou seja, mensageiro para e-stúpidos. Não consigo ver os smilies de que todos gostam, as conversas caem a todo o momento, a infelicidade generalizada e a eterna sensação de outcast permanecem. Depois, a própria lógica e dinâmica da coisa irritam-me. Sou capaz de levar a manhã ou o dia todo a trocar mails com alguém, e conciliar bem essa alcoviteirice com as minhas tarefas. Já o messenger obriga que esteja disponível quando não quero falar com ninguém. Leva-me a perder o controlo de uma conversa. Chamem-me conservadora, mas nestas coisas gosto de ser eu a tomar a iniciativa. Não gosto do messenger, tal como não gosto de conversas anárquicas sem pés nem cabeça, sem respeito pelo "direito de resposta", com tempos artificiais de entrada em cena. E não vale a pena recorrer aos alertas de "ocupado" ou "fui cagar", porque pelo menos no meu círculo de contactos... ninguém respeita. Até podia lá dizer "RIP" ou "já não mora aqui, devolver ao remetente", como fazem os CTT, que alguém me iria sempre lá desinquietar.

«Oi. Td bem?»

Ainda sobre o Papa

Estive a pensar que se calhar fui muito branda para com o novo Papa e a sua postura face à pop.

Decidi assim ilustrar o que realmente penso...

Cada Papa, sua sentença, e se de João Paulo II se dizia fumar "dope", de Ratzinger Bento podemos afimar que...

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Casa

Quando pensamos que já não é possível fazer nada de especial/surpreendente/tocante com voz e guitarra acústica, chega um disco destes. Em "Emoh", que obviamente é "Home" ao contrário (apesar de a mim essa evidência ter demorado a revelar-se), o homem que gosta de gatos faz músicas perfeitas para viajar, para estar ao sol, para nos declararmos satisfeitos (ou "sastifeitos", PR?) com a vida caseira e além fronteiras. Claro que nada disto cai dos céus aos trambolhões, e antes de chegar ao estado de arte de 'Holding Back The Year', a faixa que abre em grande este álbum, ou 'The Ballad of DayKitty' Lou Barlow fez pela vida e tornou-se um histórico do indie americano ao serviço dos Sebadoh e Folk Implosion. Para mim, e agora, é este álbum que vale. Perfeito para ouvir no trabalho, no carro (dos outros), em casa... ou simplesmente perfeito.

Um último agradecimento a quem mo deu a conhecer.

segunda-feira, 25 de abril de 2005

O novo Papa - breves considerações

Católica mais por criação do que por convicção, assisti como qualquer outro mortal à promoção do Cardeal Ratzinger ao cargo de líder da Igreja Católica. Brevíssimas considerações, agora que o fumo começa a dissipar-se...

1. Ratzinger, nome artístico Bento XVI, diz cobras e lagartos da pop/rock. Que é coisa devassa, dada a práticas estranhas e contrárias ao cristianismo, como o culto e a adoração. Se pudesse colocar uma só pergunta ao novo Papa, seria esta: o que é que não é cultura pop na Praça de S. Pedro repleta de fiéis que nem o cocuruto do Santo Padre conseguem avistar, nos trajes inutilmente faustosos, nos rituais simbólicos e desligados de significado concreto e imediato, na histeria provocada por uma pessoa (repito, como se fosse o João Malheiros, uma pessoa!) que se crê estar acima de todo o rebanho?

2. Talvez por João Paulo II ter sido Papa durante toda a minha vida, não sei se me irei habituar ao novo Sumo Pontífice. Para já, não gosto do nome. Parece nome de pesticida.

«Contra o míldio e o papão, Bento XVI na sua plantação!»

Boa (e blasfema) semana!

segunda-feira, 18 de abril de 2005

terça-feira, 12 de abril de 2005

Quando os ídolos procriam e são felizes

Uma gaja até se emociona.

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Obrigada, Célia, pelo link!...

Acrescento posterior: não sei o que se passou, mas as imagens deixaram de aparecer. Tentei repôr pelo menos duas delas, vamos lá a ver o que acontece...

terça-feira, 5 de abril de 2005

Nunca é tarde para descobrir... Ani

Ani DiFranco é nome que me habituei a ler, associado às artes do songwriting, mas no qual nunca tinha pousado os ouvidos, até este "Knuckle Down", lançado há pouco tempo pela Righteous Babe, editora fundada pela própria norte-americana, por causa «do cheiro das tintas», como diria o meu pai. Ani é, verdadeiramente, uma artista independente, e essa liberdade sente-se, cheira-se neste disco (com produção do meu mui estimado Joe Henry), mas também no facto de, aos 35 anos, a moça contar já com esta catrefada de discos. É o que dá não ter de prestar contas a ninguém.

Em "Knuckle Down", há guitarras acústicas e uma voz que começa a conquistar-me, mas também uma variedade curiosa de ambientes e - algo por que me pelo sempre - letras muito apetitosas. "Seeing Eye Dog" tem uma passagem que me deixou logo de orelhas em pé.

"With that winning combination of loyal and kind
Your eyes like wells to the water of your mind

I want to take a long, cool drink from your bucket
To every thought I could think now, I say fuck it"


Além disto tudo, Ani DiFranco tomou como protegido o genial Andrew Bird, cujo último disco, "The Mysterious Production of Eggs", me tem alegrado os primeiros meses de 2005. Parece-me portanto que não é tarde para perceber que gosto da Ani.

segunda-feira, 4 de abril de 2005

Ainda (e sempre), a panca

Pode estar a ser um ano estrambólico em termos profissionais, de organização de tempo, de saborear as coisas. Sinto tudo a passar-me ao lado - por uma nesga, uma tangente bem tirada, mas sinto. Seja como for, como não pode correr tudo mal, lá para as bandas do Porto continua a haver motivos para delírios antecipados.

Dia 10, ou seja, já no próximo Domingo, Elísio Donas, Nuno Prata, Peixe e Kinörm, aka os Ornatos sem Manel, tocam as músicas da banda-sonora d' "Os Amigos de Gaspar" e outras composições de Jorge Constante Pereira e João Lóio.

"Uma Amizade Assim", chama-se o espectáculo, e não me conseguiria lembrar de um nome mais perfeito para homenagear este disco do Sérgio Godinho, que encontrei em saldos, certa vez, por cinco euros.



Ah, o Manel não canta... pelos melhores motivos: será o grupo Meninos Cantores da Trofa a assegurar esse importante papel!

Mas quem quiser vê-lo, e ouvi-lo, dentro em breve, pode sempre ir ao Hard Club a 29 deste mês. Temos Supernada, outra vez, com a vantagem de o Nuno Prata abrir o concerto. Ou seja, o Prata «que é ouro» com guitarra e o Manel, que é o Manel, sem ela. Parece-me bem.

Aproveito para desabafar que me irritam as pessoas que dizem não gostar de Pluto, porque «Ornatos era melhor». Não gostar tudo bem, achar inferior na boa, agora o que me deixa fora de mim é que, quando pergunto: «Ah sim, então gostas de Ornatos? Viste-os naquela ocasião, e na outra, e ainda naqueloutra?», a resposta é invariavelmente: «Eeer... eu nunca vi os Ornatos ao vivo».

Sinto-me tentada a juntar-me ao meu colega Paulo Rico e citar...

Não faças
Deixa que aconteça
Agarra no momento para que não desapareça

Mediocridade

Muitas vezes lemos artigos sobre como a junção, no mesmo espaço, físico e/ou temporal, de mentes particularmente brilhantes e com afinidades evidentes dá resultados notáveis. Na música, os exemplos dos Beatles ou dos Rolling Stones serão, talvez, os mais falados. Recordo-me também, e por uma questão de proximidade pessoal, dos Faith No More, um exemplo delicioso porque, a essa fórmula de «génio mais génio dá genial», a banda de San Fran acrescentava a variante «odiamo-nos uns aos outros mas assim é que isto funciona».

Poucas vezes se fala, no entanto, na soma de várias mediocridades. Na música, o resultado pode não ser só mau; péssimo é, também, uma possibilidade, mas o que mais me diverte são aquelas bandas de virtuosos sem sentido de auto-crítica, autores de música que, se forem sinceros, reconhecerão que nem a si mesmos interessa, e se intrigam depois sobre as razões do seu fraco sucesso. Más ideias e falta de humor é, assim de repente, a pior combinação que consigo imaginar para um "casamento" artístico.

Mas vem tudo isto a propósito de algo que vi, na semana passada, de relance na televisão. Um resuminho da nova Quinta das Celebridades. Já nem vou questionar que celebridades são aquelas que, em 90% dos casos, nunca vi mais gordas, nem mais magras, com mais ou menos silicone. A questão é: como é possível reunir tanta mediocridade e falta de interesse num só sítio? Ou será que estas coisas são contagiosas e os mais broncos acabam por influenciar os restantes?

Sem paternalismos nem mania da superioridade, juro que me deixam a pensar: coitados dos bichos. E eu, como sabem, até gosto de ver má televisão.

terça-feira, 29 de março de 2005

Essencial



Ouvir os Shivaree em 2005. Não, eles não morreram, e estão até bem melhor de saúde (criativa) que em "Goodnight Moon". Props para o Tarantino: a escolha do dito êxito para o genérico final do "Kill Bill 2" salvou a banda do esquecimento. "Who's Got Trouble" é belíssimo e tem a Ambrosia Parsley a cantar a letra que se segue. Basta para ser um dos discos do ano na casa do sofá.

I'm lost in a dream
Where my love supreme
Can't find me
Like I care
By chance to undermine
My fantasy divine
It's mystery that binds me there
I'm
Looking for a moonbeam to get lost in
Everything will be beautiful and bright
Cause things come out at night
They're ugly
And some of them bite
So I'm getting lost in a dream

I'm looking for a rainbow to fly over
To a place where angels draw their bows
It's danger heaven knows
To wager
My x's and o's
That we could get lost in a dream

I'm lost in a dream
Sweet and double cream
I know
It sounds unfair
But love's a compromise
And I don't think it wise
For one to be so well aware

I'm
Looking for a melody to hold me
Waiting for the orchestra to play
And if you ever stray
Okay
I'm happy to stay
Alone ever lost in a dream

I'm looking for some sunshine and some clover
And a cloud to rest my head upon
Can't put my finger on
Just when
My baby got gone
Because I
Was too lost
In a dream

Tudo me enjoa, tudo me irrita (II)

2. Portas e casacos

Qualquer pessoa que viva deste lado do sistema solar sabe que sair de casa com sacos, malas e/ou chaves na mão não é pêra doce. Os atropelos, as mãos trilhadas e o tempo perdido enquanto se tenta desesperadamente fechar a porta e chamar o elevador são constantes na vida ocidental. Ora, esta faceta do quotidiano é surpreendentemente fácil, na sua representação televisiva. As portas parecem abrir-se como que por magia ou empatia com o seu dono (nunca se vê ninguém à procura das chaves, por exemplo), e os ladrões são coisa reservada apenas às séries de detectives, pois, em todas as outras produções, as portas ficam muitas vezes no trinco, quando não encostadas. Poupar electricidade é outra coisa que não passa pela cabeça das personagens, para quem deixar a luz acesa quando se vai à rua é coisa do senso comum.

A situação agrava-se quando - e ainda outro dia vi isto - além de conseguirem fechar a porta e pensar ao mesmo tempo, os actores ainda cometem a proeza de enfiar o casaco com a ajuda de apenas um braço. Acho que a classificação «ficção» devia aparecer bem explícita nestes casos.

A única excepção a este tratamento fantasioso do quotidiano, vertente sair e entrar de casa, reside muito provavelmente no brilhante "Seinfeld". Basta lembrar a forma como Kramer desliza pela casa de Jerry adentro para percebermos que eles sim, compreendem os perigos das portas abertas e consequente promiscuidade com o território dos vizinhos.

sábado, 26 de março de 2005

Tudo me enjoa, tudo me irrita

Há coisas que tenho vindo a observar em vários filmes e séries e tentarei apresentar, de seguida, de forma sistematizada. São fenómenos que ora me enervam, ora me intrigam... Vejam se concordam.

1. Comes e bebes

Nos filmes, ninguém come como as pessoas normais. A situação agrava-se nas novelas e seriados. As personagens vão ao café, dão uma trinca no bolo ou um gole no sumo e está feita a festa. Vão-se embora (muitas vezes sem pagar) e nem olham para trás, com um último esgar de gula ou arrependimento pelo desperdício que acabam de protagonizar. Isto a mim irrita-me. Não querem, dêem-me. Mesmo que seja de plástico, é comida deitada fora, o que a mim me abre especialmente o apetite, quando estou em casa com a despensa quase vazia. Muito comuns são também os pequenos-almoços faustosos, em casas invariavelmente arejadas e modernas. Na televisão, ninguém toma uma meia de leite ou come um pãozinho com queijo; há sumos de frutos distantes e tropicais, dispostos sobre paninhos coloridos e ladeados por pastelaria fina e outros acepipes de complicada identificação. Imagino que seja, esta mania, herdada das novelas brasileiras, que durante anos nos moldaram os padrões televisivos, e onde os actores se pavoneiam com frequência frente a mesas suculentas e nutritivas. Não sei como é a vida dos ricos em Portugal, mas pessoalmente não conheço ninguém que, em casa, passe mais de cinco minutos a tragar a primeira refeição do dia.

Uma última nota para as ficções juvenis onde estudantes do secundário se alimentam a suminhos, e, em noite de desvario total, lá afogam as mágoas com uma bebedeira patrocinada por uma qualquer cerveja sem álcool.

(continua)

Pluto World Tour

[Depois do concerto de ontem (25 de Março) na Aula Magna, é apenas da mais elementar justiça que repesque este tópico e vos instigue a irem ver os Pluto, se eles forem passear para as vossas bandas. Há castigo (sei lá, mais uma dissertação sobre malas, por exemplo) se não acatarem a minha... hum, sugestão.]

RIOT

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(foto cortesia do senhor AJRSA)

quinta-feira, 24 de março de 2005

Lamechas

Já desde os meus tempos de aficionada do "Dempsey & Makepeace" (obrigava a minha mãe a inventar justificações de falta para poder ir para casa ver o "Agora Escolha", isto na quarta classe) que não me emocionava tanto com o destino de uma parelha romântica na tê vê. E eu que, a princípio, nem gostava da série...

(SPOILER para quem ainda não chegou ao fim dos episódios do "The Office")

sexta-feira, 18 de março de 2005

New look

Estava um pouco cansada do antigo visual aqui do tasco e decidi mudar o template, ou lá como é que se diz. Claro que fiz burrada e fiquei sem o boneco do sofá, e o que é pior, sem os vossos comentários!... João, Marla, Nuno, Mysti e Sandra, peço desculpa. Vamos começar de novo?...

Posso parar quando eu quiser

Tenho um problema com malas. O problema é não poder comprar todas as que gostava de ter. Quem me conhece sabe que nem sou gaja de grandes gastos; passam-se semanas sem que compre alguma coisa «para mim», isto se ignorarmos os comes e bebes e as pechinchas da loja dos 300. Mas as malas deixam-me um pouquito descontrolada. Estive a reflectir sobre possíveis razões para que isso aconteça...

Em primeiro lugar, e como diz a CM, da Laranja Amarga, as malas são um dos poucos produtos-para-gaja que é possível comprar sem complexos. Não há o perigo de nos ficarem apertadas, de não haver o nosso número, de nos caírem mal. Uma mala materializa o utópico ideal do one size fits all, extendível apenas, nestes domínios do shopping, aos sapatos (e depende do pé!), chapéus (que muitos não vêem ainda como acessório com direito à vida) e agasalhos que, agora que chegou o Verão, já não entram na equação.

Assim sendo, para comprar uma mala é necessário que se reúna um número reduzido e alcançável de factores: a cor, o formato, o tamanho agradarem-nos. E a partir daí não precisamos de nos preocupar com mais nada, excepto o preço, claro, e ele há lojas cujas malas eu adoro e onde nunca comprei uma que fosse, para a amostra.

Depois, e isto parece-me importantíssimo, uma mala configura uma promessa. Se olho para uma mala espaçosa, com boa arrumação, com cara de me ir dar jeito todos os dias da semana and then some more, acredito que é nela que reside a solução para o caos do meu quotidiano. Se a comprar, vou ter aquilo de que preciso e não consigo arranjar: espaço, arrumação, ordem, tempo (por não mais ter de pensar onde enfiei as coisas, por exemplo; uma mala perfeita, esse nadir das gajas, é aquela onde tudo se guarda e encontra com facilidade, evitando horas de procura e frustração).

Sinto o mesmo com as caixas de plástico das lojas dos chineses; só por passar a ter onde arrumar a tralha, acho logo que a minha vida vai ser mais descansada e relaxada.

Penso que é legítimo concluir, pois, que uma mala, ou a mala (perfeita, aquela que nos tira o desejo de conhecer outras malas e nos conduzirá à monogamia de acessórios) é uma ilusão. E como tal esvai-se sem aviso prévio.

Antes de perder o multibanco apaixonei-me por uma mala que vi à venda perto de minha casa. Não comprei e a primeira coisa que pensei quando dei pela falta do cartão foi que me tinham roubado o dinheiro todo, antes mesmo de ter podido comprar a maleta (tão jeitosa, cor tão boa, e os CDs e livros a caberem todos lá, tão ajeitadinhos... Quase podia prescindir da renda e ir viver para dentro da mala).

Serve isto para apelar à compra, não por impulso, mas por instinto, e para tentar explicar ao meu gajo a profusão de malas e sacos pendurados na minha cama (mal ele sabe que dentro de muitos deles há outros, progressivamente mais pequenos, ao bom jeito das matrioskas russas). Não é uma questão de vaidade, nem de futilidade, antes uma crença sincera numa vida melhor.

quinta-feira, 17 de março de 2005

Porque não?

Diz-que Moby, de seu verdadeiro nome Richard Melville Hall, escolheu o nome artístico com base na alcunha herdada do tri-tio avô (isto existe?), Herman Melville, o autor de "Moby Dick" (há pouco tempo li um livro de uma escritora espanhola, chamado "A Louca da Casa", em que ela discorre com fluência sobre as paranóias e os hábitos dos profissionais da sua classe. Fiquei a saber que, aquando da primeira edição, o "Moby Dick" vendeu tanto como um disco dos Plástica e que o homem ensandeceu à conta disso).

Mas dizia: o Moby chama-se Moby porque o seu remoto antepassado escreveu o Moby Dick. Pergunta - porque é que não o alcunharam de Dick?

Será que ele nos está a contar a história toda?...

Pesadelos e pequeno-almoço ao domicílio

Ontem tive medo de ir ver a ante-estreia do segundo "The Ring". Bem, não foi só medo: a coisa começava às 23h45 e eu hoje tinha de acordar cedo. Mas acabei por ter sonhos tão amedrontadores como a saga da menina Samara. Permitam-em que partilhe. No primeiro, eu tinha conhecimento, a bordo do já mítico 42, que tinha havido um massacre em minha casa. No meu prédio. Tudo morto e destruído, e eu só me safara porque não estava em casa (yeah!). Fiquei com algum medo que julgassem que fora eu a autora do saque e da matança, já que geralmente eu e as minhas companheiras de casa somos bodes (ou cabras) expiatórias de tudo quanto corre menos bem entre Alcântara e Ajuda. Acabei por saber que, afinal, o massacre não fora ali, mas numa das (várias) casas onde já vivi. Fiquei aflita, acordei. Estava a minha room mate a chegar a casa da ante-estreia.

Voltei a adormecer e sonhei que estava em casa, regressada de um trabalho nocturno, prestes a deitar-me. Tocam à campainha (um toque muito musical e roto, por acaso). Do quarto da minha mate M. Wee sai uma nova personagem, que ora era um colega meu de trabalho, ora um colega de aulas. Ele acha que não devemos abrir a porta: «Hoje em dia é perigoso, por causa dos massacres», concordo eu, como se estivesse a falar do tempo frio ou das macacadas do Santana. No entanto abrimos. Eram dois representantes de um novo serviço de pequeno-almoço ao domicílio: traziam catálogo e nós escolhíamos o nosso prato favorito. Eles encarregavam-se de confeccioná-lo, em nossa casa. Perguntei qual a solução mais rápida, a moça confessou que não havia nenhum que demorasse menos de 15 minutos a fazer.

Cada prato tinha um nome, e ela deu-me três sugestões:

«Tem o 'Vamos Ver o Sol, Ver o Mundo Morrer', o 'O Filho Deita-o pela Boca, Deixa o Puto Crescer'...» e uma terceira, que não me lembro, mas era, tal como as outras, parte integrante das letras dos Pluto.

Escolhi a primeira, anunciando contente «É do 'Bem-Vindo a Ti'!...». Mas depois arrependi-me e cancelei o pedido, dizendo alarmada: «Esse não, esse não, que tem peixe!».

Terei pirado de vez?... (pergunta de retórica, eu sei).

Bom dia!

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