terça-feira, 18 de janeiro de 2005

Porto, Rio, Barco

Ainda na ressaca da minha segunda visita ao Porto Rio, esse barco no Douro plantado e de música repleto, deixo-vos com uma pequena curiosidade, (literalmente) anexa ao assunto principal.

Ia eu com a minha room mate a atravessar a mini-ponte que liga o passeio à embarcação, quando reparo num daqueles barquinhos de pescadores, ao melhor género casca de noz, e no qual parecem caber duas pernas e dois remos, na melhor das hipóteses.

Regra geral, os donos dão a estes pequenos botes nomes que pedem protecção divina (santo isto, santo aqueloutro), por motivos que se adivinham e compreendem. Outros, baptizam o barco com o nome dos filhos, da mulher, da amante. Mas não, estas tabuazinhas de meia leca, fragilmente baloiçando na maré baixa, chamavam-se...

«MINI TITANIC»

Boa semana a todos!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2005

E houve mesmo!

Os Supernada convenceram-me, entretiveram-me, deixaram-me a querer mais.

Pediram-me que contasse porquê num blog vizinho - vão lá dar uma olhadela e digam coisas... aqui ou acolá.

Boa semana!

A estreia dos Supernada

sexta-feira, 7 de janeiro de 2005

Sonhos em 2005

Ontem sonhei com o José Castelo Branco. Rezo a Deus para que tenha sido a primeira e a última vez. Estava sentada num café do Monumental, onde estivera naquela noite, e na vida real, com o meu amigo do beautiful poses, quando reparo que o JCB se senta ao meu lado. Estava com um amigo a folhear um jornal e pôs-se a comentar uma notícia sobre... o Figo, de título supostamente espirituoso (era «Figo na boca», ou «na boca de Figo», qualquer coisa assim). Dizia que era um escândalo, que este país era isto e aqueloutro.

Da noite de hoje tenho memórias mais difusas. Mas sei que, microsegundos antes de acordar, estava a sonhar que lia (com muito interesse e curiosidade!) um anúncio que prometia o seguinte:

«Medicinal barato para sorver dias de trabalho»

sábado, 18 de dezembro de 2004

Traduções

Long time, no sofa.

Para me redimir, deixo-vos com uma breve.

Na passada semana, estava eu enroscada num sofá a norte, quando leio, numa sitcom que passava na 2:, a seguinte tradução:

«Up yours!», diz a personagem brit.

«Vai comer ranho!», legenda o criativo tradutor.

Será que o senhor achou que o «yours» era... um nariz?

Isto já para não dizer que nem eu, batata asneirenta qb, conheço o insulto «ir comer ranho».

sábado, 30 de outubro de 2004

Marcelo Rebelo de Sousa, por Zézé Camilo

Uma das regras da comunicação é que, por mais unívocas, claras e transparentes que sejam as palavras de que nos servimos para transmitir uma mensagem, cada um dos receptores vai interpretá-la de acordo com os seus conhecimentos, os seus pré-conceitos, a sua moldura mental, por assim dizer.

Na passada semana, Zézé Camilo Rufino, sobrinho de uma das minhas maiores amigas, emitiu a sua opinião sobre o caso Marcelo Rebelo de Sousa vs TVI. No telejornal, falava-se em «cabalas contra o governo...», e o petiz, com seis anos de idade e um fortíssimo sotaque nortenho, indignou-se:

«Cabalas?!... ÉGUAS!»

Bom fim-de-semana a todos!

quinta-feira, 28 de outubro de 2004

Vale sempre a pena

Até estou a tremer... parece que ganhei o Euromilhões (bem, nesse caso já estaria a caminho do hospital!). Acabo de saber que o Nuno Prata, cujo mérito e canções eu tanto tenho apregoado, vai fazer a primeira parte do Josh Rouse, nos concertos de Dezembro!

Desculpem-me a falta de elaboração deste post, mas às vezes sabe mesmo, mesmo bem ver que o que é bom acaba por ser notado...

Imaginem agora um grande sorriso, e é como eu estou.

Falta dizer que já há bastantes anos sou, também, fã do Josh Rouse, pelo que este double bill está diametralmente oposto, numa escala que vai do Bem ao Mal, àquele match made in hell que é a Anastacia e os Fingertips, um destes dias no Atlântico.

As datas da grande oportunidade podem ser consultadas aqui.

Vão, se quiserem ouvir (e assobiar) ao vivo coisas como esta:

«Nada é pior do que não te ter
e ver que outros braços
te dispensam beijos falsos, fáceis rimas de prazer

Nada é tão mau quanto não te ter
e saber que o teu riso
é o aviso que de ti preciso para viver»


sexta-feira, 22 de outubro de 2004

Insónias

Voltei a ter uma insónia. A gaja que adormecia em poucos segundos não pode ficar a trabalhar até tarde, que lhe passa o sono - isto é, o corpo pede descanso, mas a cabeça não pára, impedindo-me de adormecer.

Esta semana, depois do concerto dos Magnetic Fields, fiquei até às cinco da matina a revolver-me na cama, puxando lençóis, acendendo e apagando a luz repetidas vezes, e de uma forma geral amaldiçoando a minha sorte.

Como sempre nestas ocasiões, só consegui pregar olho depois de rever mentalmente, 20 vezes, o que fizera naquele dia e o que me esperava no próximo, e de começar a considerar usar as horas-extra em que estou a pé para pintar um fresco ou construir uma catedral.

No meio da torrente de ideias, esta voltou a assolar-me: a coisa que mais me atrofia em não conseguir dormir, estou em crer, não é o cansaço (eu ando sempre cansada, a minha mãe diz que eu até já nasci assim) nem o facto de estar a abrir a porta às olheiras (que habitam na minha cara há mais de dez anos, quer durma muito, pouco, ou faça uma directa).

O que me chateia é não ter ninguém com quem falar.

Acho que vou pôr anúncio no Jornal Ocasião:

«Procura-se profissional da área da panificação, segurança nocturna ou recolha do lixo. Para troca de sms aquando de eventuais insónias. E nada mais.»

Bom fim-de-semana!...

terça-feira, 19 de outubro de 2004

Outra vez Saint Nick

Lembram-se de há tempos vos contar que a leitura do "31 Songs" em plena paragem de autocarro me rendera fãs inesperados? Pois bem, além desses dissabores, retive alguma coisa do livro. A sério. Há algo na prosa de Nick Hornby que faz com que, enquanto ando a ler alguma das suas obras, comece a pensar como o homem, integrando expressões e atitudes das personagens no meu dia-a-dia. Isto pode parecer estranho, mas 1) não me acontece com todos os escritores 2) eu sou estranha.

Vem isto a propósito de um capítulo do "31 Songs" em que Nick Hornby fala da música de um grupo obscuro, que não deixou de ser obscuro por ele ter falado nele, ou lembrar-me-ia do seu nome, agora. Seja como for. Queria o senhor contar que a banda era de uns amigos, ou dos amigos de uns amigos, que para o efeito vai dar ao mesmo. E que por isso, e por vir com recomendação de outros amigos, lhe tinha prestado muita atenção, acabando por se apaixonar pela música. Diz Nick Hornby que devíamos ser amigos de toda a gente, para evitar os discos ouvidos à pressa (e logo postos de lado), e até mesmo aquelas rodelas compradas num impulso e que mal acabam por sair da caixa.

Lembrei-me disto por causa do disco que ando a ouvir há um ror de dias. "Bom Dia", dos Pluto. Como se devem lembrar, à conta da choraminguice derramada uns posts abaixo, esta é a nova banda do Manuel Cruz e do Peixe, espinha dorsal dos Ornatos Violeta.



Andava a evitar ouvir o disco. Tinha medo de ficar desiludida. (Lembrem-se, eu sou estranha). Mas graças ao Nuno Prata (ex-baixista dos Ornatos, que me disse maravilhas do "Bom Dia"), tomei coragem. Cá vai disto. Pronto. Ouvi. E agora?

Agora os Pluto não são os Ornatos, mas isso já eu sabia por tê-los visto ao vivo várias vezes. As letras e a voz só podiam vir do Manuel Cruz (embora os textos registem algumas diferenças, certamente para melhor adequação ao novo registo sonoro. E mais não digo se não ainda ficam a pensar que eu fiz um trabalho para a faculdade sobre as letras do homem, e tal).

Se este "Bom Dia" não fosse dito por quem é, talvez não chegasse à segunda audição.

Punha o disco de parte com aquele esgar de «não gosto lá muito» e passava ao próximo, ou voltava aos habituées.

Mas como tenho o MC e o Peixe em altíssima estima, insisti. Primeiro, ouvindo aquelas que me caíram mais no goto (ainda bem que não estamos a falar de um vinil, ou já o teria riscado na faixa 12), depois, pouco a pouco, alastrando a curiosidade ao resto do disco.

Estou viciada, constatei pouco tempo depois. Já me apetece ouvir o disco no autocarro, em altos berros logo pela manhã, decorar letras, ver concertos, assustar os vizinhos com aquelas guitarradas e delírios quase psicadélicos.

Ponho-me assim a pensar que quem tem razão é o Nick Hornby; e a imaginar que outros discos ando a perder, por não olhar para eles como se tivessem sido feitos por amigos meus.

A propósito de amigos: a vida, infelizmente, não sorri da mesma maneira a toda a gente, e enquanto os Pluto se passeiam, graças a Deus, por media avulsos, o Nuno Prata continua sem perspectivas de futuro... Perdoem-me por acreditar, mas digo que está ali um dos melhores autores de canções dos últimos anos, escritas com a mão no coração e um respeito carinhoso, engenhoso, pela Língua Portuguesa.

Se quiserem ouvir, chateiem-me. A sério, mando maqueta sem encargo.

Boa semana!...

sábado, 25 de setembro de 2004

Casa

O vento não sopra em lado nenhum como no quintal (selvático, amazónico, caótico) da minha Avó.

quinta-feira, 16 de setembro de 2004

Perigos da leitura

No começo desta semana, estava na paragem do 42 a devorar as últimas páginas do "How To Be Good", quando ouço alguém a interpelar-me, gentilmente:

«Excuse me...»

Ora, a Boa Hora não é propriamente local turístico que se apresente, pelo que desconfiei da abordagem estrangeirada. Olhei pelo canto do olho e vejo um senhor com ar de quem espera o 60 (destino: Martim Moniz), chapéu e sorriso amável. Acalentei a esperança de que quisesse pedir alguma informação de jeito.

«Do you speak english?», avançou o homem, sem que eu lhe desse trela para tal.

Comecei a topar-lhe a pinta - queria conversa, e eu queria acabar o livro. Armei-me em mula e fiz que não com a cabeça. Acompanhei com um sorriso.

«Why are you reading a book in English, then?», apontou com argúcia o senhor do chapéu.

Fuck, parece-me legítimo dizer.

Sonhos

Ontem tive uma insónia do tamanho de uma casa. Tendo em consideração que nunca demoro mais de cinco minutos (ou mesmo segundos) para adormecer, posso até dizer que tive a insónia da minha vida. Estive mais de duas horas às voltas na cama, a olhar para o tecto, a ouvir música e a ler um artigo sobre o "Verão Azul", na 365.

Às tantas, lembrei-me que tinha lido numa revista que o remédio, nestas ocasiões, é pensar no que fizemos naquele dia, ou no que vamos fazer no dia a seguir (estes conceitos confundem-se, a partir de certa altura).

Não resultou: fiquei ansiosa a pensar nas minhas tarefinhas pré-fim-de-semana e não me deu sono nenhum.

Comecei então a lembrar-me de alguns sonhos que tenho tido ultimamente, e que àquela hora, no silêncio escuro do meu quarto quente comó raio, se tornaram mais próximos.

Na última semana, o meu subconsciente esteve em modo temático, recuperando duas paixões da minha longínqua juventude.

À falta de um psicanalista, partilho convosco...

Sonho 1

Estava a passear com os meus pais quando, atrás de mim, um rapaz (uma das tais paixonetas acerca das quais nunca fiz nada que se apresentasse) me começa a chamar. À primeira, parecia não o reconhecer. O mistério resolveu-se (bem, mais ou menos) quando o moço se re-apresentou: «Então, não te lembras de mim! Sou o rapaz que conheceste no Minipreço!».

Esta é uma mentira ignóbil. Nunca conheci ninguém no Minipreço, muito menos aquele holandês, que como convém à sua nacionalidade, me foi apresentado em Amesterdão.

Dei uma volta de honra à praceta com o rapaz, e quando dei por mim já se tinha evaporado. Tão fugaz como na realidade, portanto (esqueçamos a parte do Minipreço, por momentos). Valeu pela recordação.

Sonho 2

Ia de carro com o meu real e estimado batato, em Gaia. Passo em frente à biblioteca anexa ao liceu e vejo, no meio de um grupo de rapaziada, o desgraçado com quem eu muito engraçava, na minha adolescência. Estava igual a si mesmo (calções feitos a partir de calças cortadas, botas grunge/trolha, aquela coisa). Fiquei contentíssima: «Olha, olha, está igual!!! Não mudou nada», exultei.

Na vida real, não o vejo há anos, se bem que me constou que trabalha agora numa famosa cadeia de lojas de música, que não a Valentim de Carvalho.

No mesmo sonho, o Kiko, meu primeiro e saudoso cão, ressuscitava. A emoção era grande. E o canito, cruzamento entre rafeirote e cão de água, aparecia agora de olhos azuis e pijama a condizer.

Bom fim-de-semana!...

domingo, 5 de setembro de 2004

Sofá Gold - Dempsey & Makepeace

Num Domingo quase Outonal, com bastante coisa para fazer mas preguiça em iguais doses, lembrei-me de recorrer ao Google para encontrar informação actualizada sobre o programa que mais alegrias me deu em toda a vida (sim, estou em semana nostálgica).

A missão era arriscada, eu sei: o que pode ser mais deprimente que encontrar os nossos ídolos velhos e caquéticos, numa qualquer prateleira dourada (ou nem isso) da especialidade em que em tempos brilharam?

No entanto, e graças a outros maluquinhos como eu, vi os meus propósitos cumpridos sem apanhar qualquer decepção. Eles vivem! Eles estão bem!! E eles tiveram um filho, ao qual deram um dos meus nomes favoritos: Alexander.

Falo, como é bom de ver, dos protagonistas da lindivinal série Dempsey & Makepeace, que em meados da década de 80 me dava uma razão extra para ficar acordada no sofá (na altura, de outra cor), à espera do melhor programa da televisão portuguesa e arredores.

Não me lembro, ao contrário da maior parte das minhas contemporâneas, da Candy Can, mas tenho bem presente a tarde em que persuadi a minha mãe a passar-me uma justificação de falta, para poder sair das aulas a meio da tarde e ver o Dempsey & Makepeace no "Agora Escolha". Andava na quarta classe.

Hoje, é possível reviver todos aqueles grandes episódios, grandes cenários foggy e brit, e grandes penteados dos anos 80, graças à edição da série em DVD. Recebi a primeira caixa pelo aniversário e desde então que tem sido um fartote de memórias e ansiedades: estarão bem? Ainda serão actores? Terão entrado em filmes da TVI?

Através de uma amiga, verdadeira enciclopédia de cinema e televisão, soube que, tristemente, a resposta a esta última pergunta é «sim, uns quantos». Mas também que Michael Brandon (verdadeiro nome, Feldman) e Glynis Barber (Van Der Reit) casaram pouco depois do final da série, têm um menino e, o que é mais importante, ostentam hoje em dia visuais que em nada envergonham os verdadeiros paradigmas da moda que eram quando eu tinha seis anos.

Fiquei feliz.

Ele:



Ela:



Ele mais ela:



quinta-feira, 2 de setembro de 2004

Momentos olímpicos

Agora que os jogos acabaram e o tempo (inclusivamente o meteorológico) convida à reflexão, deixo aqui no tasco a memória de um dos melhores momentos das últimas Olimpíadas.

O atleta português que não brilhou e, depois, acusou a federação de o ter deixado correr com sapatilhas rotas, arrependeu-se e, no aeroporto, já dizia que, afinal, a culpa tinha sido dele. A Federação até lhe podia ter dado umas sapatilhas novas, ele é que não soube «a quem se dirigir para pedi-las» (bem o compreendo; em qualquer empresa de média dimensão, saber a quem pedir o quê é, muitas vezes, um enigma diabólico).

Pergunta-lhe então o jornalista: «Está, portanto, a fazer um mea culpa

Responde o homem das sapatilhas rotas: «Hum... não, é culpa completa, mesmo. Foi toda minha!»

(Eruditos dum raio, estes jornalistas que abordam atletas que correm quase descalços com locuções latinas!)

Entretanto, outro dia sonhei que era metade de uma equipa olímpica de ginástica blues-rock, tendo realizado uma prova invejável, ainda que improvável, de corrida, ciclismo, malabarismos e música ao lado do Paulo Furtado, aka Legendary Tiger Man.



O júri não sabia muito bem o que achar da nossa pretação, mas nós sabíamos que tínhamos estado bem.

Eu até tinha um fato-de-treino prateado, e, no final, perguntava ao homem dos Wray Gunn se ele não queria que eu lhe cozinhasse alguma coisa, já que ao olhar para o que tinha no frigorífico, achei que bolos e suminhos não era ementa rock que se apresentasse.

Desculpa, Petra.

segunda-feira, 30 de agosto de 2004

Sofá Não #1 (continuação)

Realmente eu vivi toda aquele febre com um entusiasmo adolescente, apesar de a panca ter desabrochado já eu passara dos 20. E onde? Precisamente nos jardins do Palácio de Cristal, na edição de 1998 do Ritual Rock. Conhecia uma ou duas músicas, vi o concerto sozinha e fiquei doida; fui logo para casa escrever um texto tosco que mandei para o "DN Jovem" (acho) e telefonar ao pessoal a espalhar a boa nova: há uma banda muito boa, são do Porto e cantam em Português, veja-se a bizarria, e eu adorei! Não era normal, à altura, e até nisso os Ornatos Violeta vieram revolucionar a minha vida.

À época, dizia então, achava que o Manuel Cruz se chamava Tiago e os nomes das músicas defendidas (ou atacadas? Na altura do "Cão!" eles eram tão viçosos...) naquele palco nada me diziam. Poucos dias depois, uma amiga em Lisboa passava por experiência semelhante, no Palco 6 da Expo. Juntas viríamos a vê-los, ainda naquele ano, num festivaleco de meia leca em noite chuvosa no Parque das Nações, no Montijo (olá, Célia!) e no Hard Club. São coisas que não se esquecem, como os primeiros dias de uma nova paixão, ou da Primavera, ou das férias grandes.

Depois do segundo disco, desde que houvesse dinheiro para a viagem de camioneta e o pão com chouriço no recinto das festas, íamos a todas (ou quase - nunca os vi no Algarve nem em Trás-os-Montes...). No final víamo-nos gregas para voltar a casa, mas achávamos sempre que tinha valido a pena.

É natural, pois, que com o final tenha ficado nas nossas bocas um «travo amargo da solidão» (outra citação). Sentimo-nos abandonadas. E connosco, muitos outros fãs que continuamos, hoje, a conhecer, a ver com t-shirts nos festivais. Há até quem faça sites, ou versões (os Clã do 'Capitão Romance', os Toranja da 'Chaga', e sabe Deus os pulos que o meu coração deu quando os primeiros acordes desta ode ao hino de corno soaram no palco tuga do Super Rock).

Talvez daqui a muitos anos haja uma reunião. Ou um concerto. Só um, pelo qual eu daria metade dos meus discos, as minhas poupanças (OK, esta não vale, eu não tenho poupanças), o recheio do frigorífico ou a totalidade do ordenado. Nem que tenha de aprender a tocar o instrumento de algum membro que recuse tocar nessa ocasião!

A última vez que fora ao Ritual Rock, vi os Ornatos cantarem uma versão ao piano do 'Mata-me Outra Vez'. Bem, a tocar; quem cantou foi o povo. Este fim-de-semana, não consegui abstrair-me disso e senti uma mistela de saudades, melancolia e raiva.

Acho que, apesar de tudo, é bom sinal. Estou viva. E vou continuar à espera de mais "Notícias do Fundo".



( eu estive neste showcase; foi na Valentim de Carvalho do Norte Shopping, estava cheia. )


Sofá Não #1: O Amor É Isto

Amei os Ornatos Violeta com uma intensidade dificilmente explicável em palavras. Uma paixão breve, porque o outro extremo da relação morreu, suicidou-se, apagou-se do mapa vá-se lá saber porquê (confesso que hoje também não sinto grande curiosidade; se acabou, acabou, e a resignação acaba por vencer. Como diria o Steve Wynn, «only the pain remains/the same the same the same»).

Chorei muito no dia em que o final veio escarrapachado nas páginas do "Correio da Manhã", e também quando, depois de um desmentido pouco convincente, o "Blitz" disse que a banda ia estar na Queima da Fita do Porto, para «o último concerto» da carreira. Vinha a descer a Rua Garrett quando dei com essa notícia, e as lágrimas caíram-me em catadupa pela cara abaixo. O último (triste) acto deste verdadeiro drama a conta-gotas aconteceu numa manhã de Inverno. Uma amiga, também aficionadíssima da banda, deu-me a notícia pelo telefone. Vi o DVD do "American Beauty" e no final aproveitei a cena da morte do Kevin Spacey (salvo seja) para chorar mundo e o outro. Fiquei doente e tudo, mas pelo menos dessa vez foi definitivo. Os Ornatos não mais voltariam a subir a um palco, para me dar alegrias como aquelas que vivi mais de 20 vezes, em várias terreolas deste nosso Portugal.

Este fim-de-semana, veio-me tudo isto (e mais alguma coisa) à cabeça. Fui ao Porto ver as Noites Ritual Rock, aquele festim de concertos de bandas nacionais que acontece anualmente nos jardins do meu adorado Palácio de Cristal. Em 2004, tínhamos no - excelente - cartaz Nuno, Nico (o fantástico projecto do antigo baixista dos Ornatos, Nuno Prata, e do seu amigo Nicolas Tricot) e Pluto, a banda em que alinham Manuel Cruz e Peixe, da mesma casa violeta.

Quis o destino ou algo mais que se encontrassem, na mesma noite, os novos grupos do defunto supergrupo. Musicalmente, pouco lugar a grandes conclusões: continuo a achar que, numa primeira audição, os meus ouvidos se apaixonam mais facilmente pelas canções do Nuno, Nico do que pelas guitarras dos Pluto. Mas quer uns quer outros (eu esforço-me e já tinha visto cada um dos grupos, ainda sem nada editado, por duas vezes) estão, como se diria no Fórum Sons, a crescer - e muito.

Enquanto consigo olhar para o Nuno Prata, tão tímido e tão bonito, e concentrar-me nas lindivinais letras da qual parece estar prenho, ver o Manuel Cruz e o Peixe em palco dá-me vontade de chorar. Emoção, mas não só. Sobretudo quando um dos mais talentosos artistas nacionais toca uma música, altamente reminiscente da banda que a gente sabe, e no final revela que ela foi escrita com o Nuno Prata, «para aquele que seria o terceiro disco dos Ornatos». Foi aqui que o nó que tinha na garganta se apertou definitivamente, e ainda bem que estava sozinha, para ninguém ver a minha fraca figura.

O Nuno Prata é um excelente escritor de canções, o Manuel Cruz e o Peixe têm química a rodos. Mas não há amor como o primeiro e sei que nada substituirá, no meu coração, a banda que me levou a andar em "digressão" pelo país, sempre sedenta de mais um concerto, de mais um encore, de mais um 'Há-de Encarnar' (um inédito que o grupo tocou ao vivo na tour d' "O Monstro...", e que eu e as minhas amigas adorávamos com devoção).

Quando contei estas "coisas" (outra bela canção, do segundo disco), o meu amigo Pedro Rios, que curiosamente entrevistou o Manuel Cruz na última edição do "Y", comentou: "Tanto amor...". E acho que nem a lucidez demonstrada pelo MC na dita entrevista chega aos calcanhares da argúcia deste novo escriba de valor, aqui na sua condição de melómano e camarada de lides musicais.

(continua)

Sofá Sim, Sofá Não

Alguns meses depois de ter aberto as portas deste tasco musguento, não resisto a criar uma nova rubrica, à qual chamarei - decidi-o durante o fim-de-semana - Sofá Sim, Sofá Não.

Porque tenho visto pouca televisão, e porque há paixões que falam sempre mais alto, impõe-se que arranje assunto para actualizar o Sofá com frequência de gente.

Os caros leitores importam-se que abra o livro de pautas?


quinta-feira, 26 de agosto de 2004

O poder da Internet

É bonito, o poder da Internet. Depois da denúncia de ontem, a Mulher Mais Antipática do Mundo falou-me.

Foi hoje de manhã: cheguei mais cedo ao bairro onde trabalho, e fui ao café onde ela vegeta, tomar uma meia-de-leite para aquecer e fazer tempo. Quando vou pagar, a mulher responde-me, em tom mecânico e piloto automático, um frio «bom dia».

Seria da hora (eram sete menos dez)? Estaria ainda a dormir?

Bem, retiro tudo o que disse, e o título que lhe atribuí. A empregada do nosso café de férias é, afinal, o Robot Mais Antipático do Mundo. Bom dia!

quarta-feira, 25 de agosto de 2004

Rádio Gilão

Passei umas breves, mas fantásticas, férias em Tavira, no mês passado. Uma espécie de regresso ao passado, já que dos 6 aos 18 anos, mais coisa menos coisa, foi aquela lindivinal cidade algarvia a emoldurar os meus Verões.

Lembro-me de o meu pai me ter tirado uma bela foto à porta da cosmopolita Rádio Gilão, quando era ainda teenager inconsciente.

Este ano, já «menina crescida», como cantaria a Manuela Azevedo, encontrei, em Santa Luzia (localidade vizinha, auto-proclamada "capital do polvo") aquele que penso ser o veículo de reportagem da rádio tavirense.

Observai:


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