quarta-feira, 18 de março de 2009

Pechinchas

Só ao tratar da papelada do IRS (um dos meus maiores medos sazonais, não tanto pelo que possa vir a ter de pagar mas porque, por muito bem que os arrume, nunca encontro o raio dos papéis) descobri um lindíssimo lapso de Dona Raquel, a minha senhoria.

Em Julho de 2008, a proprietária do pequenito apartamento que habito passou-me um recibo de 400 ESCUDOS.

Não voltarei a queixar-me do preço do imobiliário em Lisboa!

quarta-feira, 11 de março de 2009

domingo, 8 de março de 2009

Mais truques

E por falar em (bom) marquetingue, não é que hoje, ao passar por uma livraria antiga, em Benfica, dou de caras com um gato na montra? Ou por outra, uma gata que, aninhada entre livros e cadernos de antiguidade evidente, dormia uma bela de uma sesta. Num panfleto colado no vidro explica-se que a menina Salva não pode estar sempre na montra, dada a sua agenda atarefada onde vigoram tarefas como vigiar os transeuntes na Avenida do Uruguai, verificar se os livros da loja estão em conformidade e, bem, dormir!

Eis a foto da senhora:


E o blogue onde se fala do seu carisma e popularidade. Já há sacos de Salva, a Gatinha Dourada!

Marquetingue moderno

Lá porque a barbearia parece ter parado nos idos anos 50, não há razão para que não recorra às mais modernas - e atrevidas - abordagens publicitárias.



(foto tirada perto de minha casa, no mesmo estabelecimento que na montra já ostentou um inflamado artigo sobre o inventor do mais revolucionário remédio de sempre contra as hemorróidas - aposto que esta frase me vai valer visitas via google)

quarta-feira, 4 de março de 2009

Feliz aniversário!

Resumindo a minha vida em poucas palavras, acho justo dizer que (até) no azar tenho tido sorte. Só assim se explica que, na espelunca onde passei quatro anos a tirar uma licenciatura, me tenha cruzado com pessoas a quem ainda hoje muito estimo e admiro.

A Susaninha é, obviamente, uma delas. Algures a meio do caminho perdemos temporariamente o contacto, mas nunca nos esquecemos da amizade nascida por entre computadores da idade da pedra e peixe cozido com batata frita.

No dia de aniversário desta verdadeira Embaixatriz de Londres em Portugal, o Sofá envia abraços bem apertados à mulher que o ensinou a funcionar com a Internet. Pelo companheirismo, ânimo, apoio, humor, surrealismo, notícias em primeira mão, dicas informáticas, pechinchas e férrea crença na vida extraterrestre, muitos parabéns e muito obrigada.

Que 2009 te sorria com as covinhas de um David Duchovny vintage!

Queijo: o regresso

Aos nossos amigos que nas últimas semanas deixámos sem música, «um beijinho, um abraço e uma ferradela no cachaço», como dizia o outro. Ah, e uma nova emissão do Boa Noite e um Queijo, claro. Animadinha, cheia de novidades e grátis, já aqui.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Dear Neko

Por falar em «bom demais», é impressionante o novo álbum da Neko Case, Middle Cyclone. Logo a música de abertura, «This Tornado Loves You», deixa qualquer alma abananada. Mais pormenores e pareceres quando o vagar estiver do meu lado. Por ora, ouvi, vede e maravilhai:

Not worthy

Primeiro o quê («to reform»), depois o onde («european tour»), por último mas não menos importante o quem («led by Mike Patton»). A minha reacção a esta bomba em forma de notícia foi um grito que se transformou em buzina e, por último, em alarmante sirene.

É que, sinceramente, vai ser tão bom que nem sei se mereço.

(Considerações éticas sobre reuniões motivadas por dinheiro no sofá ao lado, por favor. Por aqui festeja-se de consciência limpa e ansiedade no máximo.)

Bandido

É tudo tão mais fácil quando estamos todos de acordo.

Manel Cruz sobre concerto nos Sentados:

«Gosto de acreditar que existe a comunicação, que não há uma verdade, que há coisas que se sentem. Quando sinto, neste concerto do Festival para Gente Sentada, que estou super nervoso e não dei o que poderia dar... Como disse uma amiga minha, sinto que dei um grande jantar, mas não comi. Gosto de sentir que as pessoas sentiram aquilo que senti, que não estou enganado, que a minha autocrítica condiz sempre com a crítica dos outros. E de facto isso notou-se. As coisas sentem-se.»

Óptima entrevista aqui.

Carinho

Gosto muito da forma tosca e algo abrutalhada como as «pessoas de idade», em especial os senhores, lidam com os afectos.

Outro dia no Intercidades, um casal de avós falava, babadíssimo, do neto Joãozinho. A meio da viagem, o pai do dito liga para o telemóvel da idosa, que fala de forma amorosa com o petiz, antes de passar o telefone ao marido.

Depois de muita conversa, eis que o avô se despede desta incrível forma do neto Joãozinho:

«Então um beijinho, um abraço e uma ferradela no cachaço!».

Imposível não sorrir.

O país na paragem

Há alguns dias, vi na paragem da Vimeca, em Paço de Arcos, um velhote a queixar-se do atendimento no seu centro de saúde - das análises que o mandaram fazer, da mudança de data das mesmas e de tudo à volta.

Se já a mim tais burocracias aborrecem, imagino a alguém cujas mãos - ocupadas por uns saquitos do Pingo Doce - tremem mais do que deviam.

A páginas tantas, as duas senhoras que compõem a audiência do velhote interpelam-no para perguntar se é de dores que ele se queixa. E eis que o homem, lapidar, riposta:

«Não é dores! É a cabeça, que virou!».

Psicanálise colectiva e gratuita logo pela manhã - não é de desdenhar.

Abram alas...

... para o regresso do meu moço aos blogues. É aqui mesmo, não precisam de ir mais longe.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Diaby

No competitivo mercado dos bruxos e adivinhos, a diferenciação de produtos é um trunfo de valor. O Professor Diaby - belo nome, logo a começar - sabe disso e oferece, além dos serviços mínimos do seu métier (ajuda com problemas sentimentais, maus olhados, drogas «ou outros vícios maiores») aquilo que me parece ser uma novidade: «efectua trabalhos com CADEADO VERDE, técnica simples e eficaz que faz voltar ao domicílio conjugal uma esposa ou marido».

Diz o meu moço, que descobriu o panfleto do Diaby, que a dita técnica deve consistir em capturar a esposa ou o marido arredios e trancá-los numa sala fechada a cadeado verde. Ou terá antes a ver com o «café verde» em manteiga e whiskey da minha companheira de camioneta?

Temo que possamos nunca vir a saber.

Sinais exteriores de Primavera

Malmequeres rosados, azedas sempre sorridentes, as amendoeiras da Menina Alice, ainda que atordoadas com a chuva, e uma brisa morna que, de um dia para o outro, tornou o casaco num empecilho - tudo nos leva a acreditar que, mais do que um rumor do calendário, a Primavera existe e está aí a chegar. A Mary também já deu por ela.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Parece confuso mas nem é

Uma vez por outra, consigo perceber o que é que as pessoas têm na cabeça quando pensam que eu tenho um emprego muito excitante. Na maioria dos dias é um trabalho como qualquer outro trabalho sem horários certos, grande estabilidade ou remuneração exuberante. Até ao dia em que me sento frente à Diana Krall e ela me elogia efusivamente as sapatilhas Nike compradas nos saldos há mais de um ano (e sabe Deus o que me custa andar com elas; aleijam-me à frente e só por orgulho - afinal, ainda custaram 30 euros - não me livrei delas).

Mas eu devia saber que ter uma diva do jazz a desfazer-se em mimos perante a minha modesta presença («Deves ser muito boa pessoa», diz ela a certa altura, não me perguntem porquê) era apenas a continuação natural de um dia que, desde cedo, prometera.

À saída da camioneta, cruzei-me com uma senhora que trabalha no mesmo edifício que eu e que, apesar de não conhecer o seu nome ou função, certa vez me deu boleia de táxi.

Desta vez, apeteceu-lhe contar que, no café onde tomara o pequeno-almoço, serviu de intérprete a uma senhora que insistia que o empregado lhe tirasse um café «à francesa».

Por ter vivido muitos anos em Paris, a senhora sabia que o que a imigrante (ou turista?) queria era um café muito torrado. E aproveitou para lhe explicar que café bom, mesmo bom, era o verde (!), comprado numa loja da especialidade da Baixa. Prepara-se numa frigideira com um pouco de manteiga e de whiskey (bem, este é apenas o primeiro passo da confecção, não memorizei tudo).

«A senhora percebe mesmo de café!», terá a francesa exclamado, estupefacta. «Pois claro, os meus sogros são produtores de café», confidenciou-lhe a minha interlocutora. Penso que esta era a punch line da história, e foi por causa deste intercâmbio cultural que a senhora perdeu a camioneta directa para o trabalho.

Antes de sair do elevador, fiquei ainda a saber que, por ter viajado muito, a minha colega não é dada a esquisitices gastronómicas. Entre as iguarias que já provou constam macaco e cobra.

Antes da entrevista da Diana Krall, apanhei um taxista que, tendo-me ouvido a balbuciar duas ou três frases, de imediato berrou: «VOCÊ É DO PORTO?».

Depois contou-me tudo sobre os seus dois filhos - espertíssimos, embora um tire 18 e outro «apenas» 16, ambos no Técnico; sobre as pessoas da Microsoft que já transportou e lhe prometeram emprego para o mais velho, que em vez de trabalhar preferiu tirar um doutoramento; sobre os planos deste mesmo dotado mas acabrunhado filho «casar tarde» («diz que paga a casa e a alimentação mas que tão cedo não arranja namorada»), e sobre uma filha que não conhece o pai.

É «a cara chapada do irmão mais velho» e fruto de uma relação do senhor taxista - na altura em que era barman - com uma advogada da Madeira, casada. A filha tem menos dois anos que eu («você parece mái nova!») e tirou Medicina em Coimbra. Em homenagem ao pai incógnito, Carlos Alberto, chama-se Carla.

«Esta história que lhe estou a contar a si já a contei à Catarina Furtado!», exclama, excitado. «Ela quis logo anotar num bloco de notas mas eu não deixei».

Só por isso, já mereceria todo o meu respeito. E sempre ajuda a relativizar o facto de a mulher do Elvis Costello me ter dado toda uma nova confiança no meu calçado (onde, mal sabe ela, na véspera me tinha caído um pedaço de sopa).

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Boa Noite e um Queijo

Há que dar valor a quem sai de casa numa noite húmida e gelada só para levar a passear as suas músicas favoritas. Ou se calhar nem por isso, mas finjam que sim. O Boa Noite e um Queijo mais fanhoso da história ouve-se aqui.

Mais longe

Estas bandas (as boas) têm sempre vídeos totós, mas ainda assim aqui deixo o de «Four Provinces», dos Walkmen. Há qualquer coisa na forma como o Hamilton Leithauser (ah, nome de homem!) diz «every bone in my body / broken one time or two» que me leva para outro sítio qualquer. O que é bom.


(e eis que descubro que os vídeos da pitchfork me rebentam com as paredes do blogue. Fica o linque directo, que remédio.)

Aviso

Afinal, o sonho febril da outra noite não era um delírio, mas sim um aviso. Os bilhetes para ver o Bandido nos Sentados esgotaram num ápice e por pouco ficava em terra. Graças ao meu home, porém, tanto eu como a minha parceira de todas as ocasiões - e, obviamente, destas também - já temos assento garantido em Santa Maria da Feira. No Dia dos Namorados!

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Sonhos, outra vez

Bem sei que voltei da minha visita-relâmpago à outra capital ibérica com uma constipação de caixão à cova e muita febre, mas mesmo assim não deixo de considerar, hum, insólito ter sonhado - num daqueles sonhos que são mais delírios do que outra coisa - que o Bruno Aleixo entrevistava o Manel Cruz.

Ainda por cima, e como sempre me acontece nestes sonhos promissores (os que envolvem passeatas, gente interessante, comida que nunca provei, etc), por várias vezes estive quase a conseguir ver o vídeo, e o melhor que conseguia, em todas essas ocasiões, era acordar ensopada em suor e completamente atordoada.

Faltam menos de duas semanas para os Sentados!

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