quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Seriados

Sempre fui mais de séries do que de filmes. A paixão continua até hoje; não é todo o "seriado", como dizem os brasileiros, que me conquista, mas quando conquista, é para toda a vida. Top mal amanhado das minhas séries favoritas de todos os tempos [Alta Fidelidade - style, pois então]:

Dempsey & Makepeace




Moonlighting




Life Goes On




Simpsons




The X-Files




Seinfeld




ER




The Office




House



(continua nos próximos anos - espero)

Têbê

Ontem, ao mudar aleatoriamente de canal, apanhei o teledisco do «Ouvi Dizer» na MTV (aliás, numa rubrica da MTV chamada MTV Classics!!!). Não peço mais nada do canal nos próximos meses.

Mais à noitinha, vi um pouco da emissão em Inglês da Aljazeera. Não apanhei nenhuma das famosas home tapes do Bin Laden, antes uma reportagem sobre o calor no Open da Austrália. Imaginei que os tipos podiam ter uma espécie de boletim meteorológico, centrado nas actividades dos grupos terroristas. Por exemplo: «amanhã, na cidade tal do ocidente infiel, prevê-se a queda de três a quatro bombas. Na cidade coiso, céu limpo pelo menos da parte da manhã...». Enfim, estava com um certo sono.

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Noisettes

A moça que canta, grita, esperneia, sussurra e guincha como que possuída pelo demo no trio londrino The Noisettes chama-se Shingai Shoniwa. Gosto muito do primeiro e único disco deles, "What's The Time Mr. Wolf", previsto para Fevereiro mas a rodar intensamente na minha cabeça já há algum tempo, graças aos meus reconhecidos poderes telepáticos.



Podem ouvir algumas músicas aqui, se bem que a faixa que mais tenho ouvido esta semana não está no myspace da rapaziada. Eu sou menina para coisas suaves e delicadas, mas uma boa gritaria também é capaz de me animar o dia e, nessa categoria, «IWE» não podia ser melhor.



Infelizmente não arranjo link para a dita cançoneta, mas imaginem a rapariga que, na foto acima, faz o pino a contorcer a voz toda durante um ataque de raiva e a meter os dedos na tomada a seguir. É mais ou menos por aí.

Mountaineer

Enquanto o autocarro irrompe pelo nevoeiro denso de Monsanto, proporcionando uma inesperada vista panorâmica da vegetação - nesta altura do ano - luxuriante e verdejantíssima, com uma ou outra azeda amarela a espreitar pelo meio dos fetos, há um disco que sabe particularmente bem:

"When The Air Is Bright They Shine", de um senhor chamado Mountaineer



Conheci-o através deste texto da Sandra e tem sido uma bela companhia desde então. Canções muito discretas mas marcantes, com instrumentação (xilofones, sopros, bateria - apenas - vassourada) quase subliminar e muita, muita melodia.

(Claro que, se tivesse escolha, ficava na cama. Mas já que tenho de pôr pão na mesa, mais vale que faça a viagem para o trabalho em modo "conforto maximizado")

O Velho das Moedas

Há um velhote que já por duas vezes me atrasou o caminho para o trabalho, de manhã. Entra no autocarro que eu apanho perto da estação de comboios, e só sai a ferros. Da primeira vez, o motorista levantou-se e, com a dignidade possível, pô-lo na rua, explicando que a Carris tinha «ordens» para não o transportar. O homem ficou, de pijama vestido e fedor inqualificável, sozinho no meio do passeio, completamente à nora. Da segunda vez, o motorista era bem mais irascível; berrou-lhe: «Ou sai ou chamo a polícia, ou sai ou chamo a polícia!», e como o velhote se recusou a abandonar o veículo, acabou por ligar para a central.

«Colega, rrrrreee....», dizia ele pelo pequeno rádio. «Acabou de entrar no veículo o velho das moedas, que cheira mal e rouba os passageiros e os motoristas. Colega, reeee.... repito, reeeee... o velho das moedas entrou pela porta da rectaguarda».

Do outro lado da linha, a senhora concordou em chamar a polícia, e o velho lá saiu pelo seu pé do autocarro.

Ontem, voltei a vê-lo. Vinha incrivelmente limpo (dentro das suas possibilidades, claro) e tinha um gorro daqueles meio à hip-hopper, a dizer «TRUE CRIME».

Portugal 2007

Domingo à tarde, quando tirava a roupa do estendal, fui surpreendida por uma interjeição que me soou, nitidamente, a palavrão. O estranho da coisa é que não entendi a palavra (cheguei ao seu teor apenas pela entoação / intenção do vocábulo).

Espreitei em redor e vi um senhor a trabalhar num canteiro próximo, entretido com umas pequenas obras. Tinha ar de europeu de leste e falava ao telemóvel, apoiado nas suas ferramentas. Isto tudo num cenário quase bucólico de couves e outras verduras, digamos que bem português.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Miau

Quando quer dizer algo mais que «bom dia» ou «até qu'enfim que abres a porta», a Shiva faz uns miados bem mais caprichados. «Miau-rrru-urur-uh», bem distinto e mais esforçado que os «miaaaauuus» em diferentes tons e volumes que vai largando ao longo do dia. Quando se esforça assim, Dona Shiva Maria quer dizer que não tem comida ou está cheia de sede. Começo a acreditar que, perante uma necessidade ainda maior, a bicha era capaz de articular umas palavritas. (Pena que não esteja a ver nela uma necessidade maior que comer ou beber, ou experimentava ensiná-la a falar.)

Vizinhos

Os meus vizinhos do segundo andar fazem festas que começam à meia noite e acabam sabe-se lá quando (às duas ainda os ouvi; à uma e um quarto riam alarvemente e cantavam os parabéns a alguém. Mais tarde haviam de arrastar móveis não identificados mas detectados pelo meu irritadiço ouvido). Na manhã seguinte, como se nada fosse, ouviam - em altos berros - um disco que conheço de fio a pavio: o "1972", do Josh Rouse (Mary-John, estás a ler isto?). Chegando o disco ao final, voltaram a colocá-lo do começo. Algo me diz que a noite lhes correu de feição.

sábado, 13 de janeiro de 2007

Banda favorita

Por desistência de outras e mérito próprio, eis a minha banda favorita do momento:





Não têm nada de mais, eu sei. Só as canções, mesmo. Adoro.

(podem ouvir aqui e insultar-me depois)

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Adeus ao Queijo!

Tal como toda a gente, estou sempre a queixar-me da falta de tempo. Não tenho tempo para arrumações, nem para viagens, e pior do que tudo, acho que não tenho tempo para estar com os amigos. Há alguns que, apesar de adorar, não vejo há anos. É coisa muito triste, não vou acrescentar aqui uma qualquer punchline engraçadinha.

Engraçado é ver que, quando nos forçamos a ter certas rotinas, o tempo - como que por milagre - aparece. A princípio achava que não queria nem sabia fazer rádio (convicção esta que ainda não perdi), mas graças à insistência da AM acabei por aceitar o convite para acompanhá-la num programinha na Química FM.

Foram 11 (!) sessões que só chegaram, anteontem, ao final porque, pelos vistos, a estação também está prestes a metamorfosear-se noutra coisa qualquer. Deu para ganhar o gosto pela telefonia (ou por aquele lado da telefonia, já que quase tudo o que sou, musicalmente, devo a um senhor da telefonia), mas teve também outros efeitos secundários de alto calibre. Por vezes ia para lá cansada e mal disposta e acabava por sair, duas horas mais tarde, com dores de barriga de tanto rir (quase sempre, culpa do convidado e padrinho JG). Deu para pôr (uma) ordem na música nova que se vai ouvindo, para redescobrir o encanto da música mais antiga que se adora, para encontrar coisas em comuns que estranhamente se desconheciam. E embora às vezes me custasse ir ali para os lados do sol posto, no final de um dia de trabalho, a verdade é que dei sempre por bem empregue o tempo dedicado ao Queijo.

Agradeço às três pessoas e meia que - não em simultâneo, claro! - nos ouviram, e também à Ana. Vamos fazer programas com outros amigos? Só precisamos de uma motivação... e o tempo aparece : )

Lista

Lista de serviços e departamentos que me metem mais medo:

1. Recursos Humanos
2. Bancos
3. Contabilidade / Finanças
4. Centros de Saúde / Hospitais
5. ficava aqui bem mais um, mas não me lembro

Esclareça-se que o que me assusta nos Recursos Humanos não é a possibilidade (real, porém) de que me ponham a andar, antes a sensação de que, perante aquele todo-poderoso departamento, não sou ninguém e - bem pior do que isso - sou um ninguém sempre em falta com alguma coisa (o que não é verdade, mas aí entra a parte da paranóia).

Nos bancos e na contabilidade da empresa assusta-me o não perceber nada de nada e não ter muita vontade de perceber; pagava de bom grado, caso pudesse, a alguém que me tratasse desses biscates, aos quais tenho verdadeiro horror.

Centros de Saúde e hospitais são um clássico - tão clássico, que a pouco e pouco até lhes vou conhecendo as manhas e percebendo 5% do seu funcionamento. Daí a posição pouco lisonjeira neste top.

Apesar de todas estas fontes de fobias, sou uma pessoa feliz e ajustada, a sério.

(lembrei-me de mais uma, para compôr o ramalhete: lojas vazias. Sinto-me desconfortável ao máximo ao entrar numa loja onde, além de mim, só estejam os funcionários)

Sonhos estrangeiros

Um dos acontecimentos do meu ano de 2006 foi, sem dúvida, a ida a Nova Iorque. Dou muita vez por mim a ter saudades daquilo, o que também não admira, tendo em conta as vezes que a Big Apple me aparece à frente - em filmes, séries, vídeos e o diabo a quatro.

A coisa já se infiltrou no meu subconsciente; por alturas do Natal, tive dois (estranhos) sonhos com a cidade. No primeiro, eu era um professor (às vezes sonho que sou outras pessoas), que dava aulas numa escola muito bera. Até me faziam dormir lá, com os alunos do ghetto, mas no final do sonho eu (o professor) consigo escapulir-me e ir dormir a casa - um apartamento naqueles adoráveis prédios com escadinhas para a rua (como há na Holanda, também). Chego lá, olho para a rua e penso: «Ah, acho que estive aqui no Verão!». Ou seja, voltei à minha própria pele e acordei.

Na mesma semana, sonhei que estava à espera de boleia para o aeroporto onde apanharia o avião de regresso a Portugal. Enquanto aguardava, decidi visitar pela terceira vez (!) o Museu Andre Agassi (!!), onde me detive a ver vestidos (!!!). Queria um da Calvin Klein, mas tal como nos sonhos de comida, em que acordo quando vou ferrar o dente nas maiores iguarias, não conseguia apanhá-lo.

(nota: eu sei lá bem o que é um vestido Calvin Klein. Mas tinha estado a ver o Queer Eye for the Straight Guy antes de ir para a cama...)

Que estranha endogamia justificará que os descendentes de famílias mais ou menos "bem" tenham quase sempre cabelo louro?...

Outro dia cheguei ao meu local de trabalho e encontro o átrio cheio de crianças: eram os filhos dos funcionários (dos mais conhecidos, julgo), a caminho de uma sessão fotográfica ou operação afim. 90% dos infantes que aterrorizavam o pessoal que ali passava era lourinho.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Intervalo

Este blog anda falho de palavras - mas a culpa não é minha. Ontem, por exemplo, quis botar aqui uma ou duas sentenças e o blogger estava em baixo, imagine-se. Enquanto não despejo todas as minhas ideias sob a forma de post, fica um boneco, que sempre ajuda a colmatar a ausência de actualizações (espero eu). É a Shiva, na sua pose-bibelot, na nossa estante da sala.




(foto tirada por NC)

Sonhos às cores

Outro dia sonhei que estava cheia de cabelos brancos (e resistia a arrancá-los, lembrando-me do que dizem sobre eles crescerem de volta). Na mesma sessão onírica, via o Camané a descer a rua, e ali mesmo em público, a colocar umas lentes de contacto azuis. Senti-me defraudada («então ele não tem mesmo olhos claros?»).

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

É asneira

Diz-que vem aí um novo jornal. Informa o anúncio (um mupi):

«É diário. É desportivo. É gratuíto»

A melhor das sortes para o projecto e seus protagonistas, mas um doloroso puxão de orelhas a quem inventou e a quem deixou passar este slogan: desde quando é que «gratuito» leva acento, oh gentes?

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

Instantâneos do Natal e Ano Novo

Foram boas estas festas, que em teoria - e em Espanha - acabam apenas no Sábado, 6 de Janeiro, Dia de Reis.

Tive uma árvore montada, porque achei de bom tom fazer decorações de Natal no primeiro ano que passo na casa nova. A Shiva (gata que invadiu a nossa vida há poucochinhos meses) adorou a ideia. Começou por atacar as bolas (socando-as até cairem, como frutos maduros, ao chão). Passou mais tarde aos próprios rancos e, não obstante eu ter mudado o pinheiro (artificial) de compartimento duas vezes (só me faltou pô-lo na cozinha e na casa-de-banho, portanto), ela acabava sempre por encontrá-lo e dar-lhe coça impiedosa. Sobrou o esqueleto da árvore e a estrela, mais tarde pendurada na porta da cozinha. O pinheiro está encaixotado e esquecido. A intenção foi boa.

Fui desejar um bom natal à Dona Conceição, que faz de porteira e "curadora" do prédio. Contou-me que, todos os natais, pensa se aquele não será o seu último: é que já vai fazer 85 anos. Não obstante, era ela quem ia cozinhar a ceia de Natal para toda a família que vive na porta ao lado e mais uns quantos que vinham de longe. Quando lhe falei, antes de ir para o Porto, ou seja, na ante-ante véspera de Natal, ia começar a fazer os doces. Interrogo-me se, daqui a 50 anos, ainda haverá mulheres destas.

Firme e hirta continua a minha Tia Glorinda. A irmã da minha avó brindou-nos, a mim, aos meus pais e à minha irmã, que todos os natais a visitamos, com um dos seus melhores momentos de forma. Pouco resmungou contra a prenda que a minha mãe lhe levou (apenas um ou dois «foi gastar dinheiro pra quê?!») e retribuiu indo buscar uma carteira / porta-moedas, que entregou à minha mãe com a seguinte declaração:

«Olhe Ana, sou-lhe franca. Eu não comprei isto. Foi alguém que roubou, tirou o dinheiro e os documentos, apoleou para o quintal e o [marido] Zé encontrou num vaso. Se a Ana quiser...».

Depois disto, era difícil melhor. Mas o meu tio Zé ainda tentou:

«Carne de porco, todos dizem que faz mal, e a mim só me tem feito bem! Três médicos já me proibiram de comer carne de porco - já morreram todos!!!», exultou.

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

O bicho sai da toca

... o bicho sai da toca apenas para desejar a todos os seus associados um excelente ano novo; em breve prometo actualizar o tasco com todos os melhores momentos do meu Natal e passagem de ano (e quem me ler assim até julga que estive para fora, de papo para o ar. Mas não, aqui a moura de trabalho não parou - o que só ajuda a ter mais histórias). Até já!

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Coisas tristes

Uma senhora que faz secretariado perto da nossa redacção (trabalhamos todos no mesmo open space, portanto) descobriu há pouco, por telefone, que a mãe está gravemente doente. Como se o historial familiar da senhora - e estas notícias! - não fossem já suficientemente más, a frieza de novo drama começa logo na forma como se apresentou, ao telefone.

«Bom dia, eu sou a filha da doente da cama 8...».

Nem a todos pode calhar um médico «romântico de esquerda» (na semana passada, pedi a um doutor da caixa que me passasse umas credenciais e fiquei quase três quartos de hora a ouvi-lo contar e comentar tudo e mais alguma coisa, num estilo excêntrico e espampanante em que metade das palavras saíam a voar disparadas para outro receptáculo qualquer que não o meu canal auditivo. Justificou a sua postura com o tal título de «romântico de esquerda». Esqueceu-se de me mandar carimbar as credenciais, percebi hoje de manhã.

Nota mental: nunca mais dizer a minha verdadeira profissão, numa destas circunstâncias. Pior cotado que «jornalista» só mesmo político ou arrumador de carros, suponho. E nestas ocasiões, jornalista tanto é o pivô do jornal da noite como o revisor de uma revista de horticultura - nem vale a pena argumentar).

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Ultimamente ando a escrever muito sobre música - até parece mal. Mas não tenho culpa de tanta coisa (por acaso, boa) me andar a passar pelos ouvidos.

Depois dos Sentados, que como devem ter reparado (abaixo, meninos, abaixo) para mim foi igual a Ed Harcourt, a querida Laura Veirs tocou no Alquimista, faz hoje uma semana.

A típica songwriter por quem ninguém, ou muito pouca gente, dá um chavo, a senhora tem um par de discos bem jeitosos, que recomendo ao meu vasto auditório: "Carbon Glacier" e "The Year of Meteors". Isto são canções de uma folk confessional, observadora e tendencialmente conservadora, mas quem gostar, digamos, de um Josh Rouse também não vai daqui nada mal servido. Ao vivo, e numa noite de absoluto dilúvio, Miss Laura, que às mãos da British Airways perdeu malas, roupa e CDs, apresentou-se de sandálias com meias por baixo (!) e fez o que lhe cabia: embrenhou as suas belas canções num charme menineiro não muito longe, também, da minha queridíssima Mirah, agarrando o público pela mão. Não foi inesquecível, mas muito muito simpático. E até de Saramago se falou/cantou.

Laura Veirs é geóloga e, muitas vezes, canta como se estivesse sozinha no fim do mundo, mas a sentir-se bem. Gosto da ideia.

Dias mais tarde, nova senhora nos palcos do Alquimista: Lisa Germano, veterana por muitos adorada, de quem lamentavelmente conheço apenas os dois últimos trabalhos. "In The Maybe World", deste ano, é belíssimo, e foi muito bem representado na lotada noite de Sábado. Ao longe, a quase cinquentona, de calças de ganga e t-shirt, parece uma garota. Sentada ao piano, fala dos seus gatos, mas também de um disco por tanta gente adulado ("Op8", com Howe Gelb e restante pandilha) como «um disquito engraçado» ou da calorosa reacção do público como inédita na sua carreira. Presença encantadora e voz a lembrar, por vezes, uma das minhas grandes paixões: Shannon Wright.

Ontem, vi os Yo La Tengo na Aula Magna. Tal como há 493 anos (talvez tenham sido menos, mas parece-me que já foi há tanto tempo...) no Garage de Alcântara, um formidável concerto, mesmo para quem, como eu, conhece mal os seus discos - à excepção do lindivinal "And Then Nothing Turned Itself Inside Out", recordado amiúde na noite de ontem, para meu deleite. Olho para o palco e parece-me ver três amigos, encostadinhos uns aos outros, ocupando metade (se tanto) do palco amplo, mas fazendo um barulho e uma magia bem maior que a soma das partes. Muito bonito.

Hoje, conto que a Cat Power, à semelhança do não-concerto de Matosinhos aqui há uns tempos, destrua a Aula Magna. Tratam-na como um vidrinho, mas a moça é um... erm, garrafão. Mesmo que alegadamente sóbrio, nos dias que correm.

A quem de direito, fica uma lista de senhoras que, não querendo parecer mal agradecida pelas oferendas concretizadas, fariam as minhas delícias ao passar por Portugal: Neko Case, Neko Case, Neko Case. Shannon Wright, Shannon Wright, Shannon Wright. Lucinda Williams, Lucinda Williams, Lucinda Williams. Faço promessas e cumpro-as, se me indicarem o santinho respectivo.

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