quinta-feira, 10 de março de 2005

Pensamento do dia

«Quero deixar claro tudo o que é de mim
Só depois de estar em Paz eu posso dar»

quarta-feira, 9 de março de 2005

Amado

Faz de conta que hoje é Dia da Música...

"O sertanejo trepou no carrossel, deu corda na pianola e começou a música de uma valsa antiga. O rosto sombrio de Volta Seca se abria num sorriso. Espiava a pianola, espiava os meninos envoltos em alegria. Escutavam religiosamente aquela música que saía do bojo do carrossel na magia da noite da cidade da Bahía só para os ouvidos aventureiros e pobres dos Capitães da Areia.(...) Então a luz da lua se estendeu sobre todos, as estrelas brilhavam ainda mais no céu, o mar ficou de todo manso (talvez que Yemanjá tivesse vindo também ouvir a música) e a cidade era como que um grande carrossel onde giravam em invisíveis cavalos os Capitães da Areia. Nesse momento de música eles sentiram-se donos da cidade. E amaram-se uns aos outros, se sentiram irmãos porque eram todos eles sem carinho e sem conforto e agora tinham o carinho e conforto da música."

terça-feira, 8 de março de 2005

Gajas

Começo por pedir desculpa a quem tenha vindo ao engano, por causa ao título... aliciante do post. Hoje, Dia Internacional da Mulher, presto vassalagem a duas (ou três, ou quatro... nunca escrevo o que planeio) grandes senhoras, que me inspiram durante o resto do ano, artisticamente falando.

A diva ruiva da country, cantora de voz portentíssima e crenças inabaláveis, deliciosa conversadora e autora de um dos meus discos favoritos, "Blacklisted". E, já agora, a prova de que, muitas vezes e felizmente!, gostamos tanto das pessoas enquanto músicos como pela sua condição... de humanos. É ler esta página inicial, rústica como só uma página feita por alguém que ainda usa a máquina de escrever podia ser, e tentar não simpatizar com a senhora. Se não resultar, escutem a música ou vejam as fotos. Neko Case.



Mais discreta mas consideravelmente perturbante é Nina Nastasia, trovadora nova-iorquina cujos discos nos deixam com a impressão de estarmos a ler um diário negro de alguém que, na maior parte das vezes, se limita a anotar impressões, contar as histórias, sem lhes acrescentar aprovações ou rejeições... e porque é que me voltei a lembrar d' "O Estrangeiro", de Camus, que li outro dia? A Nina vem a Portugal no próximo dia 24 de Abril, para um concerto no IMAN, «ante-câmara» do Festival Tímpano, em Vila Nova de Famalicão. Vai tocar no café-concerto da Casa das Artes daquela cidade. Não sei se vou poder ir, mas parece-me muito sugestivo. Ask your coffee black...



Podia aqui falar de mais, muitas mais mulheres que, musicalmente, me fazem mais feliz (Mirah, Shannon Wright, Laura Veirs são as primeiras que me vêm à memória... Manuela Azevedo, dentro de portas, também me fascina). Mas vou aproveitar as últimas linhas para mandar beijos invisíveis a todas as minhas amigas, à minha mãe, à minha avó, e imagine-se, até à minha irmã. Válidos para todo o ano.

quinta-feira, 3 de março de 2005

Valha-te Deus

Em pleno século XXI - como lembra o meu colega PR - começamos o dia de trabalho a ler notícias deste calibre. Um padre de Lisboa avisa, com um anúncio no jornal que, diz a RTP, lhe terá custado 1000 euros, que não dá comunhão a todos aqueles que recorrerem ao aborto, defenderem a eutanásia e - entre outros pecados capitalíssimos - tomarem contraceptivos. Essas pessoas, defende o padre Nuno Serras Pereira, advogam, contribuem ou promovem a morte de seres humanos inocentes. Aceitar a actual lei em vigor sobre o aborto - uma das mais punitivas da Europa, não sei se ele sabe - também dá direito a castigo. Benzei-vos.

quarta-feira, 2 de março de 2005

Tomem lá

As minhas vizinhas são nojentas e merecem-me menos respeito que uma barata à porta do prédio, numa noite abafada de Verão (acho eu; já não sinto calor há tanto tempo que não sei se reconheceria o Verão, se ele começasse amanhã). Voltando às velhas: fazem-me, a mim e às minhas pacatas, quando não ausentes, companheiras de casa, a vida negra. Insultam-nos nas reuniões de condomínio, às quais não podemos comparecer, culpam-nos de todas as avarias, desde o elevador com o qual não sabemos funcionar por sermos «da província», às retretes que se entopem (curiosamente, só no andar delas, e não no nosso...). Vêem água negra e cenouras a sair dos canos (ácidos ou medicamentos incompatíveis, aceitam-se apostas), acham que o facto de sermos «as únicas menstruadas» do prédio (peço desculpa pelo palavreado escatológico) nos torna suspeitas primeiras e solitárias de todos os males da canalização do Giestal. Isto nas reuniões às quais não comparecemos, repito, porque frente a frente, ou nos ignoram ou são altamente gentis (e cínicas), chamando-nos «querida» e mimos afins.

Antigamente ainda havia os romenos do andar de cima para dividir a culpa ficcional do mal do mundo. Agora que eles se mudaram, restamos nós. Espero que famílias negras, ciganas ou de qualquer outra «minoria» étnica não venham, nunca, a viver no nosso prédio, ou sobre elas cairão todas as acusações, no tribunal sumário e privado das mulherzinhas da cidade, bem mais conservadoras, injustas e cruéis que muito boa gente na província.

Resumindo, o que elas querem sei eu, e por isso lhes dedico uma grande música de uma banda que adorava ver ao vivo em Portugal.

Senhores e senhoras, 'Coin-Operated Boy', dos Dresden Dolls!...

"Coin operated boy
Sitting on the shelf he is just a toy
But I turn him on and he comes to life
Automatic joy
That is why I want a coin operated boy

Made of plastic and elastic
He is rugged and long-lasting
Who could ever ever ask for more
Love without complications galore
Many shapes and weights to choose from
I will never leave my bedroom
I will never cry at night again
Wrap my arms around him and pretend....

Coin operated boy
All the other real ones that I destroy
Cannot hold a candle to my new boy and I'll
Never let him go and I'll never be alone
Not with my coin operated boy......

This bridge was written to make you feel smittener
With my sad picture of girl getting bitterer
Can you extract me from my plastic fantasy
I didnt think so but im still convinceable
Will you persist even after I bet you
A billion dollars that I'll never love you
Will you persist even after I kiss you
Goodbye for the last time
Will you keep on trying to prove it?
I'm dying to lose it...
I want it
I want you
I want a coin operated boy

And if i had a star to wish on
For my life I can't imagine
Any flesh and blood could be his match
I can even take him in the bath

Coin operated boy
He may not be real experienced with girls
But I know he feels like a boy should feel
Isn't that the point that is why I want a
Coin operated boy
With his pretty coin operated voice
Saying that he loves me that he's thinking of me
Straight and to the point
That is why I want
a coin operated boy"

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2005

Pluto & Prata, Lda.

O meu colega e amigo Paulo Rico desencaminhou-me; disse-me que devia escrever qualquer coisa, aqui neste tasco, sobre as minhas mais recentes aventuras de fim-de-semana, envolvendo cães de BD e metais muito preciosos. E como eu sou bem mandada...

Na semana das eleições, fui ao Porto ver Nuno Prata e, no dia seguinte, os Pluto a um novo bar da Invicta, bem ao fundinho da Rua da Alegria. Chama-se UpTown e deve levar tanta gente como a minha casa (o que me dá uma secreta esperança de, um dia, conseguir organizar um espectáculo no meu 4º direito. Adiante).

Na Sexta, saí do UpTown com um sorriso no rosto. O Nuno Prata mais seguro do que nunca, a apresentar, com a inspiração e o sossego necessários, aquelas músicas que, agora como sempre, quero ouvir em CD. Sim, o sonho tornou-se realidade, e se tudo correr bem, ainda este ano temos festa. Peixe e Kinörm, nomes que dispensam apresentação junto dos fãs de Ornatos e afins, juntaram-se ao concerto, nas últimas cinco músicas. Flashbackes aparte, foi um grande momento. Nunca mais o 'Guarda Bem O Teu Tesouro' me soará da mesma maneira!... E a alegria estampada na cara dos três músicos, o Kinörm a cantar as letras, o Peixe a brilhar como ele só, são imagens que acalentarei durante muito tempo.

No dia seguinte, o motim previsível. Pôr os Pluto a tocar num bar daquele não-tamanho equivale a meter o Rossio na Rua da Betesga, ou lá como é que se diz. À quarta música já não havia alinhamento (alguém o roubou); o microfone tinha o suporte fora do palco; a risota era pegada entre músicos e assistência... Para mais tarde recordar? As partes cantadas em uníssono pela assistência, a banda retida em palco no final do concerto e obrigada a repetir o 'Entre Nós', um 'Algo Teu' interpretado (dedicado?) pelo público, para a banda. Words cannot describe...

Esta Sexta-feira, fui conhecer o Cais da Oficina, um novo bar do... Montijo, que me pareceu aprazível qb para concertos rock. Perto de Lisboa e tal, estava cheio para receber mais um bom concerto (apesar das queixas de várias pessoas, que não conseguiram discernir com rigor os sons vindos do palco...). A sequência 'Convite-Prisão-Só Mais Um Começo' arrasou, e quando o Manuel Cruz larga a guitarra para atacar, quase literalmente, o palco e o público (ver a invariavelmente explosiva 'Lição de Adição' ou os inéditos lindivinais 'Não Há Quadrado Que Não Role' e 'Eu Podia'), é o fim do mundo. Não que não gostemos de te ouvir a tocar, Manel, mas quando estás solto, despertas o pior - ou será o melhor? - que há em cada um dos fãs. Bem, mas para isso há os Supernada...

O momento que gostava de ter fotografado: o final da 'Prisão', o sorriso e o abraço entre as duas guitarras, o calor («que é puro, que é bom, só acontece quando nada é claro...»).

Não sei se era isto que querias, Rico. Mas é isto que me aquece a alma.

Cheers!...

PS - Só o alinhamento podia mudar um bocadinho... mas suponho que a banda tenha mais que fazer do que pensar nos fãs que correm o país para os ver em repeat mode, eh eh!

Enganei-me

Afinal, gosto do "Mala Educación".



Para desfazer este e outros equívocos, ou simplesmente ver filmes, bons filmes, pela módica quantia de 2,5€, há um ciclo de cinema vintage de 2004 no Cinema Ávila, em Lisboa, até ao final de Março.

Divirtam-se...


Acrescento: o Público tem aqui a lista completa de películas e horários.

Y viva la España

Não assisti à cerimónia de entrega dos Óscares de Hollywood, mas irritam-me certas fórmulas simplistas e "dissolventes" aplicadas por quem decide as coisas... como se os «originais» ferissem muitas sensibilidades, e se escolha assim presentear os espectadores com versões mais básicas, mais inócuas, mais «populares», e isto no pior sentido.

Adorei o filme "Motorcycle Diaries", e na ressaca dessa minha adoração, fui a correr comprar a banda-sonora. Numa altura em que compro poucos discos - apesar de ouvir cada vez mais - isto é significativo. E mais significativo ainda é que, ao contrário do que muitas vezes sucede com as bandas-sonoras, esta caiu-me no goto sem necessidade de ter imagens a acompanhar as músicas... ou, se calhar, essas imagens estavam já lá, guardadas em mim, e são facilmente accionáveis pelo poder da música.

Ontem, nos Óscares, o valor da banda-sonora de "Motorcyle Diaries" foi reconhecido, com uma interpretação de "Al Otro Lado el Río", ao vivo do famoso Kodak Theatre. A música mereceu, também, o prémio de Melhor Canção. Há temas de que gosto mais, no disco, mas não é isso que está em causa... antes que, a interpretar a canção, estiveram... Santana (talvez por ter nascido no México?) e Antonio Banderas.

Antonio Banderas? Porquê?

Não só não é cantor, como não entra, no papel de actor, no filme.

Porque o terão escolhido, então? Fico com a ideia que, para a Academia, um actor espanhol, desde que ultra-conhecido (e Banderas é-o), é o ideal para dar voz a uma música em castelhano, de um filme realizado por um brasileiro, protagonizado por um mexicano, sobre um gajo nascido na Argentina.

Não sei se o castelhano é a pátria de todos os hispânicos do mundo, mas pessoalmente, confesso-me algo desgostosa com estas reduções ao denominador mínimo comum.

Será que se o tema dos Três Tristes Tigres para o filme português do ano passado, "Noite Escura", estivesse nomeado, iríamos ter a cantá-lo, em directo para todo o mundo, o Joaquim d'Almeida?

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005

Me neither

Macacos me mordam se percebo esta histeria colectiva em redor do concerto dos U2 em Alvalade. OK, é uma banda que vai trazer a Portugal um considerável aparato pirotécnico; é uma banda que consegue a proeza de fazer o pleno das rádios, tocando nas assumidamente nostálgicas e nas pretendentes a radicais; é uma banda de que, como dizia a Mary-John há atrasado, toda a gente pode gostar sem surpreender, nem ofender, ninguém.

E, que isto fique claro, não escrevo estas linhas a pensar nos fãs de velha - ou nova - guarda, que esperam com emoção e expectativa o reencontro (ou o primeiro encontro, até) com a banda que lhes preenche os ouvidos, a alma, todas as medidas. Ou seja, isto não é para ti, Susaninha...

Mas confesso que me custa a perceber. Pessoas que vivem de costas voltadas para a música ficam eléctricas quando «um grande nome» (como eu detesto estas expressões) decide fazer a visita da praxe ao nosso quintal. Nem que tenham de desembolsar vinte notas de conto (sim, que piada tem dizer «10 notas de 10 euros»?), há que acorrer ao local do culto e prestar vassalagem, cruzando os dedos para que as músicas escolhidas e tocadas sejam aquelas que nos fazem companhia inabalável em qualquer estação de rádio, desde... desde sempre?

Não pretendo que todos estejam atentos à programação da ZdB, do Mercedes ou até da Aula Magna, e desejo muito sinceramente que o concerto de Alvalade não defraude as expectativas de ninguém. Mas para mim este fenómeno em redor dos bilhetes, da caixinha que a promotora gosta sempre de fazer, como se não lhe interessasse divulgar o seu próprio negócio, vai muito além da música. Além, ou ao lado. Até a minha irmã, que não compra discos, não saca canções da Net, não vai nunca a concertos, me pergunta se eu lhe posso arranjar bilhetes.

Será a esperança de aparecer numa qualquer revista social a falar mais alto? Ou a ideia de ver alguém que já apertou a mão ao Papa e respirou os mesmos micróbios que o Bush é assim tão excitante?




E a despropósito, dou razão ao Gonçalo Frota, do Blitz. Músicos como o Bernardo Sassetti nem o Fórum Lisboa conseguem encher...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2005

Tirem Cristo da Cruz

Nasci em Gaia, mais precisamente na popular freguesia de Mafamude (experimentem dizer a alguém que é essa a vossa naturalidade, mesmo que seja mentira, e constatem a reacção). Vivo em Lisboa faz no Outono nove anos e pode-se dizer que já me habituei - que remédio! - e, heresia, até gosto. Depois de um atribulado primeiro ano em Benfica, mudei-de de armas e bagagens para a Ajuda, para ficar perto da faculdade onde estudava. A segunda mudança deu-se daí para a Boa Hora, uma localidade que é metade Ajuda, metade Alcântara, e conjura assim a metade velha, tacanha e rezingona com a metade jovem, aberta e borgueira daquela região.

Na Boa Hora, não há quem não proteste, por tudo e por nada. Parece um desporto. Procurei no Google por imagens da Boa Hora e apareceu-me isto:



Reconheço o sítio (é ao fundo da minha rua) mas não o mural, que entretanto deve ter sido apagado do mapa, e daquela parede... Mas dá para ter uma ideia do espírito da zona.

Hoje de manhã, e vocês sabem que quando eu falo em manhã, falo em antes das 07h00, reparei que as paragens da Boa Hora tinham novos atractivos. Folhas A4, impressas em casa, que alguém andou a colar, com o intuito de:

1) revoltar o povo contra a Carris («quem é que eles julgam que eles são? Transportes públicos? Transportes públicos grátis, já!! O povo não tem de pagar para trabalhar! A Carris não pode mandar no povo!»)

2) tirar Cristo da cruz. Esta prosa decorei mesmo, tinha de a partilhar, aqui, com a merecida precisão.

«Tirem Cristo da Cruz!

Ele não merece sofrer tantos anos!

Não o lamentem! Sigam-no e libertem-no!»


Anseio pelos próximos capítulos. Se um dia houver uma nova revolução em Portugal, ela vai começar na Ajuda, facção Boa Hora, tenho a certeza.

Boa semana!...

terça-feira, 18 de janeiro de 2005

Porto, Rio, Barco

Ainda na ressaca da minha segunda visita ao Porto Rio, esse barco no Douro plantado e de música repleto, deixo-vos com uma pequena curiosidade, (literalmente) anexa ao assunto principal.

Ia eu com a minha room mate a atravessar a mini-ponte que liga o passeio à embarcação, quando reparo num daqueles barquinhos de pescadores, ao melhor género casca de noz, e no qual parecem caber duas pernas e dois remos, na melhor das hipóteses.

Regra geral, os donos dão a estes pequenos botes nomes que pedem protecção divina (santo isto, santo aqueloutro), por motivos que se adivinham e compreendem. Outros, baptizam o barco com o nome dos filhos, da mulher, da amante. Mas não, estas tabuazinhas de meia leca, fragilmente baloiçando na maré baixa, chamavam-se...

«MINI TITANIC»

Boa semana a todos!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2005

E houve mesmo!

Os Supernada convenceram-me, entretiveram-me, deixaram-me a querer mais.

Pediram-me que contasse porquê num blog vizinho - vão lá dar uma olhadela e digam coisas... aqui ou acolá.

Boa semana!

A estreia dos Supernada

sexta-feira, 7 de janeiro de 2005

Sonhos em 2005

Ontem sonhei com o José Castelo Branco. Rezo a Deus para que tenha sido a primeira e a última vez. Estava sentada num café do Monumental, onde estivera naquela noite, e na vida real, com o meu amigo do beautiful poses, quando reparo que o JCB se senta ao meu lado. Estava com um amigo a folhear um jornal e pôs-se a comentar uma notícia sobre... o Figo, de título supostamente espirituoso (era «Figo na boca», ou «na boca de Figo», qualquer coisa assim). Dizia que era um escândalo, que este país era isto e aqueloutro.

Da noite de hoje tenho memórias mais difusas. Mas sei que, microsegundos antes de acordar, estava a sonhar que lia (com muito interesse e curiosidade!) um anúncio que prometia o seguinte:

«Medicinal barato para sorver dias de trabalho»

sábado, 18 de dezembro de 2004

Traduções

Long time, no sofa.

Para me redimir, deixo-vos com uma breve.

Na passada semana, estava eu enroscada num sofá a norte, quando leio, numa sitcom que passava na 2:, a seguinte tradução:

«Up yours!», diz a personagem brit.

«Vai comer ranho!», legenda o criativo tradutor.

Será que o senhor achou que o «yours» era... um nariz?

Isto já para não dizer que nem eu, batata asneirenta qb, conheço o insulto «ir comer ranho».

sábado, 30 de outubro de 2004

Marcelo Rebelo de Sousa, por Zézé Camilo

Uma das regras da comunicação é que, por mais unívocas, claras e transparentes que sejam as palavras de que nos servimos para transmitir uma mensagem, cada um dos receptores vai interpretá-la de acordo com os seus conhecimentos, os seus pré-conceitos, a sua moldura mental, por assim dizer.

Na passada semana, Zézé Camilo Rufino, sobrinho de uma das minhas maiores amigas, emitiu a sua opinião sobre o caso Marcelo Rebelo de Sousa vs TVI. No telejornal, falava-se em «cabalas contra o governo...», e o petiz, com seis anos de idade e um fortíssimo sotaque nortenho, indignou-se:

«Cabalas?!... ÉGUAS!»

Bom fim-de-semana a todos!

quinta-feira, 28 de outubro de 2004

Vale sempre a pena

Até estou a tremer... parece que ganhei o Euromilhões (bem, nesse caso já estaria a caminho do hospital!). Acabo de saber que o Nuno Prata, cujo mérito e canções eu tanto tenho apregoado, vai fazer a primeira parte do Josh Rouse, nos concertos de Dezembro!

Desculpem-me a falta de elaboração deste post, mas às vezes sabe mesmo, mesmo bem ver que o que é bom acaba por ser notado...

Imaginem agora um grande sorriso, e é como eu estou.

Falta dizer que já há bastantes anos sou, também, fã do Josh Rouse, pelo que este double bill está diametralmente oposto, numa escala que vai do Bem ao Mal, àquele match made in hell que é a Anastacia e os Fingertips, um destes dias no Atlântico.

As datas da grande oportunidade podem ser consultadas aqui.

Vão, se quiserem ouvir (e assobiar) ao vivo coisas como esta:

«Nada é pior do que não te ter
e ver que outros braços
te dispensam beijos falsos, fáceis rimas de prazer

Nada é tão mau quanto não te ter
e saber que o teu riso
é o aviso que de ti preciso para viver»


sexta-feira, 22 de outubro de 2004

Insónias

Voltei a ter uma insónia. A gaja que adormecia em poucos segundos não pode ficar a trabalhar até tarde, que lhe passa o sono - isto é, o corpo pede descanso, mas a cabeça não pára, impedindo-me de adormecer.

Esta semana, depois do concerto dos Magnetic Fields, fiquei até às cinco da matina a revolver-me na cama, puxando lençóis, acendendo e apagando a luz repetidas vezes, e de uma forma geral amaldiçoando a minha sorte.

Como sempre nestas ocasiões, só consegui pregar olho depois de rever mentalmente, 20 vezes, o que fizera naquele dia e o que me esperava no próximo, e de começar a considerar usar as horas-extra em que estou a pé para pintar um fresco ou construir uma catedral.

No meio da torrente de ideias, esta voltou a assolar-me: a coisa que mais me atrofia em não conseguir dormir, estou em crer, não é o cansaço (eu ando sempre cansada, a minha mãe diz que eu até já nasci assim) nem o facto de estar a abrir a porta às olheiras (que habitam na minha cara há mais de dez anos, quer durma muito, pouco, ou faça uma directa).

O que me chateia é não ter ninguém com quem falar.

Acho que vou pôr anúncio no Jornal Ocasião:

«Procura-se profissional da área da panificação, segurança nocturna ou recolha do lixo. Para troca de sms aquando de eventuais insónias. E nada mais.»

Bom fim-de-semana!...

terça-feira, 19 de outubro de 2004

Outra vez Saint Nick

Lembram-se de há tempos vos contar que a leitura do "31 Songs" em plena paragem de autocarro me rendera fãs inesperados? Pois bem, além desses dissabores, retive alguma coisa do livro. A sério. Há algo na prosa de Nick Hornby que faz com que, enquanto ando a ler alguma das suas obras, comece a pensar como o homem, integrando expressões e atitudes das personagens no meu dia-a-dia. Isto pode parecer estranho, mas 1) não me acontece com todos os escritores 2) eu sou estranha.

Vem isto a propósito de um capítulo do "31 Songs" em que Nick Hornby fala da música de um grupo obscuro, que não deixou de ser obscuro por ele ter falado nele, ou lembrar-me-ia do seu nome, agora. Seja como for. Queria o senhor contar que a banda era de uns amigos, ou dos amigos de uns amigos, que para o efeito vai dar ao mesmo. E que por isso, e por vir com recomendação de outros amigos, lhe tinha prestado muita atenção, acabando por se apaixonar pela música. Diz Nick Hornby que devíamos ser amigos de toda a gente, para evitar os discos ouvidos à pressa (e logo postos de lado), e até mesmo aquelas rodelas compradas num impulso e que mal acabam por sair da caixa.

Lembrei-me disto por causa do disco que ando a ouvir há um ror de dias. "Bom Dia", dos Pluto. Como se devem lembrar, à conta da choraminguice derramada uns posts abaixo, esta é a nova banda do Manuel Cruz e do Peixe, espinha dorsal dos Ornatos Violeta.



Andava a evitar ouvir o disco. Tinha medo de ficar desiludida. (Lembrem-se, eu sou estranha). Mas graças ao Nuno Prata (ex-baixista dos Ornatos, que me disse maravilhas do "Bom Dia"), tomei coragem. Cá vai disto. Pronto. Ouvi. E agora?

Agora os Pluto não são os Ornatos, mas isso já eu sabia por tê-los visto ao vivo várias vezes. As letras e a voz só podiam vir do Manuel Cruz (embora os textos registem algumas diferenças, certamente para melhor adequação ao novo registo sonoro. E mais não digo se não ainda ficam a pensar que eu fiz um trabalho para a faculdade sobre as letras do homem, e tal).

Se este "Bom Dia" não fosse dito por quem é, talvez não chegasse à segunda audição.

Punha o disco de parte com aquele esgar de «não gosto lá muito» e passava ao próximo, ou voltava aos habituées.

Mas como tenho o MC e o Peixe em altíssima estima, insisti. Primeiro, ouvindo aquelas que me caíram mais no goto (ainda bem que não estamos a falar de um vinil, ou já o teria riscado na faixa 12), depois, pouco a pouco, alastrando a curiosidade ao resto do disco.

Estou viciada, constatei pouco tempo depois. Já me apetece ouvir o disco no autocarro, em altos berros logo pela manhã, decorar letras, ver concertos, assustar os vizinhos com aquelas guitarradas e delírios quase psicadélicos.

Ponho-me assim a pensar que quem tem razão é o Nick Hornby; e a imaginar que outros discos ando a perder, por não olhar para eles como se tivessem sido feitos por amigos meus.

A propósito de amigos: a vida, infelizmente, não sorri da mesma maneira a toda a gente, e enquanto os Pluto se passeiam, graças a Deus, por media avulsos, o Nuno Prata continua sem perspectivas de futuro... Perdoem-me por acreditar, mas digo que está ali um dos melhores autores de canções dos últimos anos, escritas com a mão no coração e um respeito carinhoso, engenhoso, pela Língua Portuguesa.

Se quiserem ouvir, chateiem-me. A sério, mando maqueta sem encargo.

Boa semana!...

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