quarta-feira, 27 de junho de 2007

Dismorfia corporal

Quando julgava que já tinha visto de tudo no que toca a doenças mentais e programas parvos, apanho um documentário sobre gente aparentemente saudável cujo maior desejo passa por ser amputado.

É uma forma de dismorfia corporal, diz-nos o senhor do Zone Reality, e começa, em muitos casos, quando as vítimas vêem, ainda na infância, estropiados e pessoas com próteses de membros.

Desenvolve-se então uma fantasia: não ter uma perna, ou não ter nenhuma, por achar que a simetria vai contra a imagem «ideal» que se tem do próprio corpo.

Um dos homens que, ao longo deste documentário, tentou obter autorização psiquiátrica para que lhe amputassem a perna dizia mesmo que, para ele, o seu corpo acabava acima do joelho direito, e o resto era um empecilho, uma anomalia.

Desgraçadamente, este senhor, que até se tornou psicoterapeuta para melhor compreender a sua panca, conseguiu a tal aprovação para que lhe cortassem meia pernoca, mas antes que a operação fosse em frente, o hospital escocês que fazia o servicinho decidiu deixar-se dessas coisas, por causa de uma reportagem televisiva sobre as polémicas intervenções cirúrgicas.

Confesso que fiquei com um nadinha de pena do homem - jurava, quase a chorar, que só amputado podia ser feliz. E não se importava de correr o risco de morrer (!) durante a operação, que nunca se chegou a realizar.

Tudo o que as palavras não conseguem dizer

Dizia eu ontem à noite, de coração sobressaltado, que encontrara por fim provas (nomedamente imagens) do concerto que vi em Berlim, há pouco mais de um mês.

Agora mais calma, deixo aqui algumas dessas fotografias. Peço desculpa pelo abuso ao autor dos registos - entschuldigungen Sie, Pelforth, aber ich muss diese Bilder in meinem Blog haben : )










(de cima para baixo: um delírio acrobático, decerto durante a histérica «Squalor Victoria»; as costinhas a doer ao artista, ora bem; uma das descidas ao povo, ou no «Mr. November» ou no «Abel». Observai o quanto sua a plateia - e não era só da emoção...)

Eh lá

Depois do verdadeiro tour de force que operei abaixo (contem lá os posts novos, vá), alcancei aquilo a que me tinha proposto: 13 (aliás, 14!) intervenções sem mencionar os National. (Quanto à sanidade, ficou esquecida numa qualquer estação de metro de Berlim).

Por falar em Berlim - mais vale tarde do que nunca. Percebi, há minutos, que o concerto que vi no Magnet não foi fantasma. Até agora, nem uma gravação pirata, nem uma foto, nem nada. Nos tempos que correm, é bizarro. Mas eis que, por «acaso», dou com um relato do espectáculo - em português!

Infelizmente, a Rita e a amiga não deliraram tanto como eu, na noite de 25. Apenas concordo com as críticas ao arranque a meio-gás (e daí não - o Start a War já fez faísca, na cauda do cometa) e com a menor força da Slow Show. Por outro lado, a Brainy esteve lá (logo no começo...) e se os moços mais não deram, foi porque não puderam. Havia uma festa a seguir, lá no clube...

Podem ler os meus delírios aqui, companheiras de concerto (eu bem me parecia ter ouvido alguém falar português quando passei pelo «quintal» para ir à casa-de-banho!).

Como uma desgraça nunca vem só, eis que encontro imagens do concerto! Imagens! Estou nervosa, palavra de honra.

Acho que isto diz mais do que mil palavras - sobre o concerto, e sobre o calor. Era só misses t-shirt molhada...

(OK, não deixam linkar. Cliquem aqui que vale a pena, a sério).

Mais aqui.

terça-feira, 26 de junho de 2007

São João

Talvez por não ir ao Porto há algumas semanas, talvez por já não me lembrar da última vez que festejei o São João - alguma coisa me deixou nostálgica no fim-de-semana passado, ao ver, pela televisão, a Invicta bailar e martelar.

Sem demérito para as actuações dos artistas pimba no palco da Ribeira, os meus destaques pessoais vão para a miúda que fez frente ao grande Hélder Reis (ele no seu habitat natural, os exteriores; ela, quatro ou cinco anos feitos, a bombardeá-lo com perguntas como «e os teus amigos, como se chamam?» ou «o que é que tu comes no São João? Só isso?!», recusando-se a devolver-lhe o microfone); para o miúdo que, no meio do mosh ao repórter, saltou para cima da câmara e causou (?) a interrupção da emisssão durante um minuto ou coisa assim; e para a senhora negra que, de relance, vi numa barraquinha de sardinhas e fêveras, muito sorridente e empenhada. É um destaque estranho, eu sei, mas quem está habituado ao Porto e à sua homogeneidade étnica poderá perceber o que eu quis dizer.

Além das sardinhas e dos pimentos, do que tive mais saudades foi do cheiro a manjerico (até comprei mangericão para temperar uma salada, dias depois!) e daquele bafo morno e meigo que, mesmo que chova, sempre se sente na noite de 23.

A ver se para o ano volto.

É favor encontrar...

É favor encontrar, na imagem abaixo, a influência portuguesa no Muro de Berlim (ou no que dele resta, claro está).



Muitas gracias à Susana, cujo olho de falcão descobriu esta preciosidade, faz agora, mais coisa menos coisa, um mesinho.

«Uma coisa horrível»



Esta é a Beth Ditto, vocalista dos norte-americanos The Gossip, nua na capa do NME.

Além de um inesperado hit com o (óptimo) single «Standing In The Way of Control», os Gossip têm - adivinharam - uma vocalista de peso, que nos últimos meses vem animando a imprensa inglesa com as suas bocarras sobre dietas, lesbianismo, punk e, de uma forma geral, os direitos civis da malta.

Diz coisas bem interessantes, e só o facto de aparecer na capa do NME (uma mulher! Obesa! Nua!) já indica que alguma coisa está a mudar, ou poderá vir a mudar, na forma como encaramos «os corpos» (a expressão - feliz - é dela).

Ao mesmo tempo, creio que ao chamar a atenção para si desta (espampanante) forma, a Beth Ditto não faz uma figura radicalmente diferente das anoréxicas, socialites e/ou bimbas que a imprensa costuma levar em ombros.

Na entrevista, que hoje li, percebem-se os propósitos situacionistas da moça (mais nova que eu...): aproveitar enquanto os holofotes lhe aquecem a peruca e debater uma data de coisas que tendemos a tomar por garantidas, nomeadamente os ideais de beleza escanzelada e os sacrifícios a que muitas mulheres se submetem, em seu nome, nem sempre com consequências benfazejas.

Não tem a triste ideia de defender a gordura, o que só lhe fica bem. E por muita maquilhagem e photoshop que lhe despejem em cima, há-de continuar a chocar.

Hoje, na paragem, tive de abrir a revista, deixando a capa à vista - uma adolescente que, sentada ao meu lado, combinava ao telemóvel o melhor sítio para ir de férias («a casa do meu avô é um ambiente muito pesado, mas na dos meus avós temos piscina perto e uma discoteca!») viu a foto e emitiu um sonoro «ieeeeuuu!» de nojo. Do outro lado da linha, a interlocutora há de ter-lhe perguntado o que se passara. «Nada», respondeu a miúda. «É que vi uma coisa horrível».

Estás a ver, Beth? Ainda és punk!

Cristiano

Prosseguindo a revista de imprensa - numa época em que a homogeneização ameaça tirar força, colorido e imaginação ao mundo, é preciso distinguir aqueles que só soam a si mesmos. Cristiano Pereira, o melhor repórter todo-o-terreno que conheço, é o mais perfeito exemplo da personalidade ao serviço da escrita.

No JN, sobre os Rolling Stones:

«Todavia, horas antes, dir-se-á que o ambiente no interior do estádio era brando, demasiado "clean", quase betinho. Ou seja não se vislumbravam vestígios que costumam ser apanágio das grandes concentrações rockeiras. À excepção de um alucinado na bancada que não parava de berrar "Ó Zé! Estou farto de te chamar!", o povo concentrado no recinto pautava-se por um comportamento ordeiro - talvez demasiado ordeiro para um concerto daquela que é considerada a maior banda de rock'n'roll do Mundo.»

«Foi nesse momento que o JN encontrou o cantor Toy a abanar a cabeça em movimentos afirmativos ao ritmo das guitarradas, enquanto o pé direito, embrulhado numas botas texanas, marcava o compasso. Como é? O Toy gosta de rockar? "Já fiz rock muitos anos", responde-nos, vagamente surpreendido com a pergunta. "Até já vi os Korn e o Marilyn Manson", acrescenta. "Quando sair o meu DVD você vai surpreender-se", diz ainda, no preciso momento em que os Jet terminam a actuação e desaparecem do palco. "Aquilo é que é lindo! Olha só são mais de 50 roadies", observa o cantor vestido com fato à motoqueiro, o dedo apontado para os técnicos que desmontam o material no palco.»

Mais aqui.

Socorro...

Muita coisa pode ser dita sobre esta entrevista do Pedro Abrunhosa ao Correio da Manhã. Muita coisa, que não necessariamente boa. Assim de repente, o único elogio que tenho vontade de fazer é mesmo ao jornalista, pelo oportunismo e mesmo coragem de muitas das perguntas.

Reciclagem

Quando estou chateada (cansada, sem paciência - são tudo sinónimos), não reciclo.

Deixo o saco gigante da FNAC às moscas e mando com papéis amachucados, embalagens de leite e pacotes sortidos para o caixote geral do lixo. Sinto-me bem, bastante bem com isso. OK, às vezes, mais do que nas árvores a tombar em todo o mundo, penso nos miudinhos que tentavam educar-nos nos anúncios do ecoponto. Penso que ficariam tristes com a ofensa da minha preguiça. Mas depois lembro-me que aquela que eu achava mais querida, uma moreninha vestida de verde, nunca mais apareceu, por isso é bem feito. Vai tudo para o caixote do lixo.

No entanto, não há vez que faça sopa ou salada e não dê por mim a pensar «onde é que está o saco para pôr as cascas para dar às galinhas». A minha consciência ecológica é uma perfeita contradição.

Cherries

Sou uma pessoa altamente influenciável e não aguentei ler posts como este sem ir à Pérola de Benfica buscar um saquinho de cerejas.

Saquinho (diminutivo) de cerejas (fruto ele próprio diminuto, ainda que suculento). Parece coisa fina e delicada. No entanto, o meu homem garante que, uma destas noites à sobremesa, devorei as pobrezitas «como um lobo».

Verdade verdadinha

Macacos me mordam se o programa "Hospital dos Animais" não é a coisa mais comovente da história do mundo.

(E se me morderem, os macacos, espero que os médicos me tratem tão bem como os veterinários tratam dos bichinhos que vão parar ao programa.)

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Viagens na minha cabeça

Talvez estimulado pelo invulgar número de viagens empreendidas nos últimos meses, o meu subconsciente tem dado seguimento à diáspora: desde o começo do mês que já sonhei estar em São Paulo (com a Susana e o Kele dos Bloc Party - outra vez), em Tavira (onde havia uma manif de neo-nazis) e em Madrid (novamente com a Susana, mantidas cativas as duas por um tipo que nos fazia escalar uma encosta e dormir 20 dias num sótão, supostamente a pretexto de nos dizer onde era a estação de comboios para regressar a Portugal).

Dias mais tarde, na «vida real», li uma notícia sobre a possível existência de células da ETA na mesma cidade algarvia onde, a dormir, vi neo-nazis, e se me afligi com a possibilidade, congratulei-me com a esperteza (política!) dos meus sonhos.

Esta noite, sonhei que ia a caminho dos Estados Unidos mas passava a vida, ou a viagem, a fazer escalas inesperadas e infrutíferas - em Cuba (!) e em Munique, paragens onde evidentemente nunca estive (pelo menos acordada).

Ao chegar à estação de Algés, e sem razão nenhuma em especial, comprei o JN, jornal do qual gosto bastante mas que não é habitual adquirir. Começo a lê-lo, como é meu costume, a partir da última página, e apanho estas duas notícias em destaque: «Filipe Lima brilha em Munique» e «Fidel Castro pede a defesa da pátria».

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Raquel, a Grande

Estava a ouvir uma música de título «Someone Great» quando soube que, em Novembro, quem nasce é uma Raquel.

Só pode ser um bom presságio, C. & V.!...

Alívio

Miar alto, esperar-me à porta da casa-de-banho, aguçar as unhas na arca da roupa, beber água da torneira, atirar-se às minhas pernas (as terríveis emboscadas!) quando passo no corredor, pedir que lhe atire a bolinha de papel.

Tudo coisas irritantes, sim, mas muito bem-vindas depois de mais de 24 horas de reclusão, muda e imóvel, debaixo da cama e do sofá, aparentemente colhida por medo ou doença.

Bem-vinda de volta Shivinha! : )

quinta-feira, 21 de junho de 2007

O disco do ano

Sai em Setembro e dificilmente não será um dos discos do ano.

Chama-se "Civilians" e por mim punha-o já ali na lista da música em escuta. Até me parece que já o ouço ao fundo: a voz rouca do Joe Henry a pairar, bem esperta, sobre aqueles sopros e violinos.




Adoro músicos que (também) sejam bons com palavras: poupam-me trabalho.

«The songs have the right amount of smoke, the right number of mirrors and the right kind of clarity», diz ele sobre as novas canções.

Fumo, espelhos e claridade - está tudo dito. Agora só falta ouvir - à noitinha, de certeza, que a noção de claridade do Joe Henry é bastante relativa.

Para name dropping (Van Dyke Parks! Bill Frisell! Elvis Costello! Aimee Mann!) e informação mais objectiva / menos deslumbrada, podem ir aqui e ler o comunicado de imprensa.

Livros, chapéus, vídeos da loja dos 300

Os Maxïmo Park devem ter recebido 15 euros e quatro sandes de presunto como orçamento do novo vídeo, «Books From Boxes». Ainda por cima, neste teledisco excepcionalmente, o vocalista não se parece nem com o Ricardo Carvalho nem com o John Cleese enquanto novo, abalando a minha aclamada teoria.

Sobra a música, que nem um vídeo da loja dos 300 impede de ser uma das melhores do ano.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Graffiti indie

Que bonito - hoje vi na estação de comboios de Caxias um graffiti assinado por «The Young Folks». É, suponho, uma alusão ao delicodoce hit do Verão passado, dos suecos Peter Björn and John.

Rehab

Se não contarmos ali com uma pequena recaída (em forma de citação) no primeiro post sobre Berlim, há uns bons 13 posts que não falo dos National.

Uso este trunfo para botar aqui duas coisinhas singelas e breves, não obstante significativas, que encontrei um pouco por acaso (é como quem diz - a palavra «acaso» é sempre relativa, na vida de um obcecad... devoto, de um devoto).

Mirai, ele com fãs:






E abaixo, como temos tanto em comum!

«Matt Berninger admits he's a thief. In a recent interview on KEXP, he talked about stealing bits of overheard conversations — bits of other people's lives, really — for his songs.»

Menos de dois meses (condimentar com suspiro).

Momento alto

O momento alto do meu dia, até este preciso momento, foi cortesia do Correio da Manhã.

Na primeira página, o título «Bombarral - Criança Atacada por Chimpanzé» chama-me a atenção. O que faz um símio de largo porte na terra do vinho e da minha primeira senhoria? E a criança junto dele... porquê?

Corro até à página 15 e encontro uma notícia para recortar e guardar.

No topo da página, duas fotos: na primeira, a chimpanzé (é uma menina), dentro de uma jaula, abraça e "beija" o dono; na segunda a avó da criança mostra a mordidela que o bicho aplicou nas costas do neto. A primeira foto tem a seguinte legenda: «O dono demonstra que o chimpanzé não costuma ser agressivo, antes pelo contrário».

A história: a senhora estava no cemitério do Bombarral, onde ajeitava a campa do marido, na companhia do neto. Às tantas aparece o chimpanzé, que a princípio se coloca estrategicamente em cima de uma árvore mas eventualmente atira o miúdo ao chão e começa a mordê-lo. Graças à intervenção de dois homens, a criança é salva das garras do animal que, segundo apurou o CM, «costuma estar numa jaula numa oficina a caminho do cemitério».

«Não fechei bem os cadeados e ela é muito esperta e saiu», explica o homem que trouxe Guidague (o nome do bicho) da Guiné, em 1994, para oferecer à filha.

A chimpanzé tem 1,20 metros de altura e, na altura, «passou pelo aeroporto da Portela dentro de um saco aberto» que o senhor trazia na mão. «Não me disseram nada, nem me pediram documentação».

Na última página há uma breve com o título «Rato Morto na Boa-Hora», mas depois da história do chimpanzé Guidague, desconfio que o meu dia não mais terá emoções de tão alto nível.

Speaking In Tongues

Tal como o belíssimo blogue da Menina-Alice, que cheira a tangerina e gosta mais da Rachel Weisz do que da Scarlett Johansson, aqui o Sofá Verde também passou, do dia para a noite, a falar Português.

Não estou bem certa do que é que querem dizer com «publicar mensagem» ou «guardar agora», mas vou tentar agir com base no que me recordo da anterior versão do blogger, aquela que falava o esperanto dos nossos dias, Inglês. Ora o botãozinho laranja é para o quê, mesmo?

Espero que isto não tenho nada a ver com o episódio dos Xis-Files que vi ontem (quarta série olé!), em que uma muito concorrida clínica de cirurgia estética empregava um médico satânico que, para poder encarnar várias vezes, dava cabo do canastro (de forma muito gore, assinale-se) dos pacientes que só queriam dar um jeito às coxas ou ao nariz. Ainda sinto uma náusea ligeira quando recordo algumas cenas.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Ikea, um ano depois

Um ano depois de me mudar para a fantástica casa em que agora habito, tenho o seguinte rescaldo a fazer das (relativamente) económicas compras feitas no Ikea.

- cómoda da entrada: uma gaveta KO. O painel da frente descolou do restante móvel, sem que eu tenha andado propriamente andado à dentada a qualquer destas robustas peças.

- guarda-roupa: as gavetas onde devíamos colocar a roupa mais leve passavam a vida a desencaixar-se das respectivas calhas. Muitos dedos trilhados depois, acabei por substitui-las por cestos da loja dos 300, colocando as gavetas debaixo da cama, com os sapatos.

- sofá da sala: uma das almofadas tem o fecho constantemente aberto. Resolve-se colocando uma das mantas mais coloridas a tapar o lanho.

- estantes de CDs: numa delas, a placa de trás separou-se. Espero melhores dias e o subsídio de férias para proceder à devida substituição.

Incólumes até agora: a mesinha do televisor e DVD (também não tinha muito por onde se escangalhar), a mesa e as cadeiras da sala, a cama e uma pequena cómoda.

Este post não tem punch line porque é realmente muito triste que depois de passarmos horas à procura da bodega dos items na loja, mais uma eternidade para pagar e combinar a entrega ao domicílio, nem 12 meses de descanso nos ofereçam.

Numa nota mais feliz, dou as boas-vindas à nova vizinha (e velha amiga) MJ. Qualquer coisa estou no prédio ao lado! : )

Gael

Quem era o «Rei da Ala 3» no Ensaio Sobre a Cegueira?

Li o livro há relativamente pouco tempo e até gostei muito, mas não me consigo lembrar de qualquer personagem com aquele nome.

Segundo a imprensa brasileira, sempre um chisco à frente da nossa nestas coisas que realmente interessam, o guapíssimo Gaelito García Bernal irá encarnar o tal «rei», na adaptação para cinema do livro de Saramago.

Será um dos guardas da prisão?...

Seja quem for, parece papel pequeno, para picar o ponto. Coitadito do Gael, (até) é bom actor e resume-se cada vez mais a acessório latino para médias e grandes produções...

Versão

Ontem apanhei, por completo acaso e em canais diferentes, o original (dos LCD Soundsystem) e a versão (dos Franz Ferdinand) para o «All My Friends».

Ora, eu até gosto do Kapraninhos e companhia, mas sinceramente, neste caso mais valia terem estado quietos.

Se o original me soa a sereníssima viagem em tapete voador, a versão dos Ferdinandos faz-me pensar numa retroescavadora a fazer uma barulheira infernal e a levantar poeira por tudo quanto é lado, no meio da minha rua, num Sábado de manhã.

James Murphy, fofinho, havia maneiras mais bonitas de pores a tua música a passar na MTV2 (ou se calhar não - o homem arranjou um contrato com a Nike, é porque deve perceber da poda).

Ao menos não mexeram na letra. Isto, por exemplo, está muito bem dito:

«You spent the first five years trying to get with the plan
And the next five years trying to be with your friends again»

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Irritações sortidas

Desde que, por motivos exclusivamente profissionais, tive de deitar-me às seis da manhã durante três dias consecutivos, sinto que tenho a cabeça debaixo de água. Esta peculiar sensação só aumenta a minha sensibilidade (leia-se irritabilidade) em relação a certas coisas.

Dentre as quais...

- jovens. Sei que já fui e às vezes ainda sou, mas não há paciência. Se os jornais nos dizem, toda a santa edição, que hoje em dia os adolescentes não têm tempo livre, que dividem as tardes de semana entre aulas na escola e milhentas actividades complementares, para na plenitude desenvolverem corpo e mente, porque é que todos os teenagers com quem me cruzo se expressam, na oralidade e sobretudo na escrita, como verdadeiros homens - e mulheres - das cavernas? Será que só conheço a ralé daquela faixa etária e aqueles que realmente vêem o seu intelecto estimulado se deslocam em sofisticados aparelhos de teletransporte? Ou têm motorista pessoal? Ou daqui a meia dúzia de anos o vocabulário corrente estará reduzido a duas mãos de monossílabos e gatafunhos? Chiça, e ainda nem aos 30 cheguei.

- o Bruno Nogueira. Eu até simpatizava com o rapaz, pela sua magreza levemente (muito levemente) reminiscente do Manel Cruz. Mas desde que aparece no meu televisor de cinco em cinco minutos que o feeling se perdeu. Neste momento, apetece-me agarrar em objectos contundentes e/ou pontiagudos de cada vez que ouço o gajo a falar de forma embriagada, sem sentido e sem piada, nos anúncios à cerveja frutícola. Sou eu que sou muito burra, ou se a porcaria da beberagem não tem álcool, ele bem podia falar como a pessoa normal que, se calhar e bem bem lá no fundo, até é? Perdoai-me os fãs, mas só descanso enquanto o rapaz cair do poleiro (ou daquele banquinho alto de salva-vidas em que aparece nos últimos reclames). A propósito - como é que ele lá chegou (ao poleiro)? É impressão minha ou é, como diria o Sérgio Godinho, «famoso por ser famoso» - ou, neste caso, entra em anúncios porque faz (outros) anúncios?

Assim sendo, a minha mensagem de paz neste dia de Inverno é:



CALOU!

sábado, 16 de junho de 2007

Berlim, parte 2

Os estimados visitantes que só agora chegaram a esta tour guiada da Minha Berlim, por favor ponham-se à vontade (e comecem, se assim acharem mais conveniente, por ler o post abaixo).

Não se pode dizer que, em três dias, tenha ficado a conhecer Berlim mas, tal como me aconteceu com outras cidades, ficou qualquer coisa aqui dentro que, semanas após o regresso a casa, me faz olhar para trás com bastante carinho.

Deixo-vos com uma série de fotos que mostram, alternadamente e por vezes em simultâneo, a face bela e nobre de Berlim e as suas (deliciosas) estranhezas.















(de cima para baixo: pormenor de um mural (podia ser a capa do disco dos !!!); manequim sinistro que estava abandonado no pátio do prédio onde ficámos hospedadas; avassalador interior de uma igreja pela qual, do lado de fora, não daria nada; o famoso Trabi da Alemanha de Leste; uma das centenas de maravilhosas pinturas da East Gallerie - um quilómetro e qualquer coisa de muro que subsiste, com variadíssimas imagens alusivas às duas berlins, e que apesar de todos os graffitis e sarrabiscos que o violentam, mantém uma impressionante dignidade)

Berlim

A primeira impressão que tive de Berlim foi cómica. A rapaziada que seguia no mesmo voo que eu, e com quem esperei pelas malas numa minúscula sala do aeroporto, desata a assobiar o «Wind of Change» dos Scorpions mal pisamos solo berlinense. Irresistível, quando ainda por cima carregavam debaixo do braço estojos de guitarra e demais acessórios musicais.

A segunda impressão é que é uma cidade altamente arborizada, o que por si só seria coisa para me fazer engraçar com ela. As minhas companheiras de viagem estão, neste momento, a rir-se (outra vez) da quantidade imensa de retratos que tirei às árvores germânicas - mas uma cidade verde é, sem dúvida, outra loiça.








Outra coisa que cativa, em Berlim, é uma certa decadência charmosa, como se a pesadíssima herança cultural e histórica da cidade estivesse, ainda, a tentar encontrar o seu lugar no século XXI, adaptando-se de forma muito peculiar - por vezes, quase kitsch - à modernidade.







(de cima para baixo: uma igreja que perdeu a cúpula num dos bombardeamentos da II Guerra, e que para efeitos de memória futura foi mantida assim; um autocarro retro estacionado perto da famosa Banhof Zoo "de" Christiane F; a catedral da cidade, numa tarde de calor imenso)

Café cheio

É preciso sair do nosso reduto para entendermos a falta que certas coisas nos fazem. Passo a vida a explicar como tomar ou não tomar café me é igual ao litro, mas ao fim do primeiro dia além-fronteiras e sem «espresso» (é o que eles chamam a uma bebida vagamente parecida com o nosso cimbalino/bica), parecia uma zombie em noite não.

Valeu-me a imigração italiana-brasileira-espanhola-portuguesa de uma gelataria em Neuss, pequena cidade próxima de Düsseldorf.



Não há mesmo que enganar - já os National dizem, pondo-se na pele (ou no pires) do café: «You might need me more than you think you will».

Já agora, Neuss é assim:






sexta-feira, 15 de junho de 2007

Groupies de padre

No próximo Domingo vou à missa.

Esta semana ouvi, na paragem de autocarro, uma conversa que me despertou a curiosidade para o actual pároco da Igreja de Benfica.

Duas senhoras queixavam-se da partida do padre "regente" para a distante localidade da Cruz Quebrada. «Até pode ser que os que vêm a seguir sejam bons, mas não vai ser a mesma coisa», dizia uma das amigas, inconsolável. «Este até disse, na missa, que espera que a próxima equipa [padre e seus sacristãos enquanto equipa - nunca tal me tinha ocorrido] seja tão acarinhada como eles! Mas não vai ser a mesma coisa...», concordava a outra.

Cruz Quebrada é longe, anuiram as velhas. Ainda para mais agora que o eléctrico não passa lá... «Mas não quer dizer que uma vez por outra não vamos lá!», exclama a mais participativa, tentando animar-se. «Mas não vai ser a mesma coisa» era, porém, a frase mais repetida e consensual.

O actual só parte para a Cruz Quebrada (óptimo nome para uma paróquia, agora que penso nisso) a 7 de Outubro. Até lá, e mesmo que não seja neste fim-de-semana, a ver se desço a rua e tento perceber, ao vivo, a razão de tanta popularidade. (Aposto que o padre é novinho - as velhas costumam ficar sensibilizadas quando a rapaziada jovem responde ao chamamento divino... e lhes faz companhia diária.)

Pescadinha de rabo na boca

Quer-me a mim parecer que a nova música dos Queens of the Stone Age parece aquela outra música dos Foo Fighters que parece Queens of the Stone Age.

(tradução - «Sick Sick Sick», o novo single dos QOTSA, soa-me a «One By One», a música dos Foo Fighters que acho parecidíssima com o som habitual dos QOTSA)

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Simpsons

Tenho a impressão que devia ver menos televisão. Ou isso ou esta gente é mesmo parecida entre si:








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(de cima para baixo, os parzinhos: Seymour Skinner, director da escola de Springfield, e o nosso primeiro; o mafioso Fat Tony e Adam Yauch, dos Beastie Boys - ao meio na foto)

Sensibilidade mitra

Graffiti na estação de comboios de Paço de Arcos:

«É nos dias maus que se topam os apoios.»

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Moe

Tivesse eu tempo para tudo e mais alguma coisa e dedicava um blog, quiçá até um site, à minha personagem favorita da melhor série de todos os tempos:



Moe Szyslak, amante de gatos e traficante de animais exóticos nas horas livres.

Flores

A mulher que vende flores ao fundo da minha rua é medonha.

Senta-se num banquinho de perna aberta, com um canivete numa mão e os molhos de flores, que segura pelo caule, na outra. Corta-os como se estivesse a amanhar peixe ou a trabalhar numa fábrica de charutos. Tem tronco de estivador e pele batráquia, assim como um cigarro permanentemente pendurado ao canto da boca.

Vivo ali há um ano e só lhe comprei flores uma vez, porque era Domingo e não havia mesmo outra alternativa.

terça-feira, 5 de junho de 2007

5 de Agosto

Ainda não consigo ouvir o «Fake Empire» ou o «Apartment Story» sem me arrepiar toda e já esta gente se lembra de me vir importunar outra vez.

Amigos: vinde, sim, por favor. Sereis carregados em braços como cantais na «Mr. November». Preocupamo-nos com a minha saúde mental depois.

Vizinhos

Na semana passada ouvi, no autocarro, uma senhora a combinar os pormenores de uma festa de/para os vizinhos.

A mulher irritava-me sobremaneira, pois parecia pertencer àquela estirpe de gente que, não contente com a função... erm, funcional dos telefonemas, tem sempre de acrescentar um bitaite ou um «gancho» qualquer, na esperança que o interlocutor o apanhe e ali mesmo parta para mais uns quantos minutos de conversa sem jeito nenhum. E dizia coisas como «break a leg!» num inglês macarrónico. E saudava os compinchas, às nove da manhã, em altos berros, dizendo coisas como «então vizinho, o sol já raiou?» ou «os balões são muitos, os pulmões cansam-se de encher tanto balão!».

Às tantas já preferia que aquilo fosse código para um qualquer atentado do que realmente tanta boa-vontade logo pela manhã (acho contra-natura). Mas lá fiquei a saber que, para a comezaina comunal, os nossos amigos já tinham «pão, alho laminado, louro e vinho». Espero que não se tenham esquecido de comprar os frangos ou as sardinhas ou qualquer coisa do género, para prato principal.

Na manhã seguinte, fiquei uma eternidade à espera do autocarro (era o dia da greve). Duas raparigas, também bem irritantes (funcionárias de um banco e donas daquele tipo de sotaque moderno-alfacinha que trunca o fim de certas palavras - chateadtz, moderadtz), falavam (mal) dos colegas ausentes e temas afins. A certa altura, comenta a mais interventiva (ie, chata):

«E ontem a festa da associação? Estavam todos lá no pátio... O meu pai até saiu de casa para não ter de ir.» (cá dos meus, portanto)

Entretanto, no fim-de-semana, li que dias antes se celebrara em Portugal o Dia dos Vizinhos e que em muitos locais, sobretudo na Grande Lisboa e no Grande Porto, se iriam realizar festas, jantaradas e confraternizações entre pessoas que partilham a mesma rua ou prédio. Tudo explicado, por fim.

Posto isto, eu adoro as minhas vizinhas do fundo do coração - e elas sabem. Mas adoro-as porque são minhas amigas, não porque vivem no mesmo edifício que eu. Sou tão contra esta noção do convívio forçado (festas com colegas de trabalho, jantares de curso, coisas assim) que até me custa explicar porquê. Mas acho que se percebe que, quando vivia na Ajuda, não gostaria de me sentar à mesma mesa das velhas que me acusavam a mim e às minhas companheiras de casa de mandarmos pensos higiénicos, cenouras e água preta (!) pela sanita abaixo.

Sobredotada

Dona Shiva Maria é claramente sobredotada.

Ontem a sua dona extremosa (eu - só para que não haja dúvidas) não sabia onde tinha guardado a chave de casa. Cheguei a procurar na mala que levei, no fim-de-semana, para o Porto: um grande saco de viagem/desporto que a Telepizza em tempos me ofertou. Nada.

«Onde é que estará a chave da Lia, Shivinha?...», perguntei às tantas.

Nisto, a demente felina espreita para dentro da dita mala da Telepizza e mia de forma prolongada. Fui ver novamente, chocalhei a mala e descobri a chave caída num canto.

(Claro que hoje fez os possíveis para que pensemos que é uma gata como as outras, dedicando-se até a algo que, constando do ADN felino, nunca tinha tentado: destruir um rolo de papel higiénico. Ontem à noite também deu belos saltos, qual golfinho acompanhando um barco, ao lado e por cima de uma bola de Natal amarela que não sei onde foi desencantar.)

Tempos idos

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